2005-10-26

Subject: Antigos menus revelam o colapso dos stocks pesqueiros

 

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Antigos menus revelam o colapso dos stocks pesqueiros

 

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Os peritos em pescas estão a usar antigos menus de restaurante para compreender a forma como os stocks de peixe e marisco declinaram ao longo do último século e meio. Preços tão antigos como de 1850 salientam que alimentos como a lagosta, espadarte e ostras são cada vez mais raros.

Esta abordagem, parte de um projecto designado História das Populações de Animais Marinhos (HMAP), é uma de uma série de métodos destinados a recolher pistas sobre a forma como o Homem tem vindo a sobre-explorar um vasto leque de espécies oceânicas.

O programa, com uma duração de 10 anos, utiliza fontes tão diversas como o registo de capturas de peixe de antigos mosteiros, impostos pagos pelos pescadores a donos das terras e mesmo os papéis deitados fora de uma companhia australiana de arrastões, recuperados de uma lixeira.

O estudo dos restaurantes analisa dados de cerca de 10000 menus de restaurante de localidades americanas onde o consumo de peixe e marisco é tradicional, como Boston, San Francisco e Providence em Rhode Island. 

Após os óbvios ajustes para a inflação, o aumento do preço de iguarias como as ostras reflecte a sua cada vez maior escassez, enquanto os pescadores tentam satisfazer a procura, argumentam os investigadores.

Os preços nos restaurantes são influenciados por outros factores para além da disponibilidade de peixe, como a Grande Depressão que manteve os preços relativamente baixos ao longo da década de 30. Mas, de modo geral, os preços reflectem a disponibilidade de muitas espécies, que por sua vez é influenciada pelo efectivo da população natural na natureza, alega o líder do projecto HMAP Poul Holm, da Universidade da Dinamarca em Esbjerg.

Um exemplo particularmente significativo é a lagosta, diz Holm. Durante a metade final do século XIX estes crustáceos eram essencialmente consumidos pelos criados, mas no século XX, à medida que se tornavam cada vez mais difíceis de capturar, adquiriram gradualmente o seu estatuto actual de iguaria elegante. "Com a lagosta, a disponibilidade e a moda do seu consumo seguem tendências inversas", diz Holm.

Os preços subiram à medida que os stocks decaíram, significando que a captura de peixe e marisco requer cada vez maior esforço, explica Holm. "É uma questão de esvaziar as zonas costeiras próximas e de seguida partir para os stocks globais, onde quer que eles ainda existam."

Esse é certamente o caso do caracol-do-mar, um molusco muito apreciado mas de crescimento lento. Da década de 20 à de 40 do século passado, descobriram os investigadores, um prato custava cerca de US$7 a preços actuais, mas o declínio desta espécie levou à proibição da sua captura no sul da Califórnia em 1997. Os caracóis-do-mar importados custam agora entre $50 e $70 para os californianos que os podem pagar.

 

O objectivo último do estudo do HMAP é descobrir quais as espécies que floresceram e quais as que foram conduzidas ao limiar da extinção pela pesca excessiva. Uma espécie que escapou a pressões severas é o arenque do Mar do Norte Clupea harengus, cujas capturas se têm mantido estáveis desde há 400 anos, diz Holm.

Os resultados do estudo, que serão apresentados esta semana na conferência Oceanos do Passado a realizar em Kolding, Dinamarca, surgem quando outros investigadores estão a apelar a uma proibição quase completa da pesca em muitas das zonas mais severamente afectadas pela sobre-exploração, como o Mar do Norte.

Investigadores do International Council for the Exploration of the Sea (ICES), baseado em Copenhaga, recomendam que a actividade pesqueira em muitas regiões do mundo seja reduzida a zero, em nome da conservação de espécies de peixe ameaçadas de extinção. 

Muitas destas espécies ameaçadas são importantes do ponto de vista da alimentação humana, como o olho-de-vidro laranja Hoplostethus atlanticus ou o peixe-rato Coryphaenoides rupestris, mas também tubarões de águas profundas, que são muitas vezes capturas secundárias, como o tubarão português Centroscymnus coelolepis.

"A única forma de o fazer é voltar a colocar o contador a zero", diz Poul Degnbol, presidente do comité de aconselhamento sobre gestão de pescas do ICES. "Temos que começar de um nível muito baixo e acompanhar a situação de perto. Só podemos expandir as capturas quando tivermos a certeza do que estamos a fazer."

Descobrir quantos peixes se pode capturar sem levar ao colapso da população é uma prioridade para os investigadores das pescas, acrescenta Holm. E até que tenhamos esse conhecimento, as pescas têm que ser reduzidas para níveis mais modestos, argumenta ele.

"Estamos a enganar-nos se pensamos que alguma vez teremos um conhecimento perfeito", diz ele, "mas estamos a balançar na beira do abismo e seria muito mais sensato recuar alguns passos." 

 

 

Saber mais:

Census of Marine Life

History of Marine Animal Populations project

International Council for Exploration of the Sea

 

 

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