2005-10-24

Subject: Cromossoma Y revela o fundador na Ásia

 

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Cromossoma Y revela o fundador na Ásia

 

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Existem cerca de 1,5 milhões de pessoas no norte da China e da Mongólia que podem ser descendentes de um único homem, revela um estudo baseado na genética do cromossoma Y.

Os registos históricos sugerem que este homem pode se chamar Giocangga, que viveu em meados do século XVI e cujo neto fundou a dinastia Qing, que governou a China de 1644 a 1912.

A análise agora conhecida é semelhante a um controverso estudo publicado em 2003, que sugeriu que aproximadamente 16 milhões de homens actualmente vivos eram descendentes do conquistador mongol Genghis Khan.

Os descendentes de Giocangga, como os filhos e netos de Khan, governaram vastas áreas de terra e tiveram uma existência faustosa com muitas mulheres e concubinas. O estudo publicado na edição deste mês do American Journal of Human Genetics sugere que esta foi uma excelente estratégia para o sucesso reprodutor.

"Este tipo de vantagem reprodutiva masculina é talvez uma característica mais importante da genética humana do que pensávamos", diz Chris Tyler-Smith, do Wellcome Trust Sanger Institute em Hinxton, Reino Unido, que liderou ambos os estudos.

Documentar a imensa fecundidade destes conquistadores envolve sobrepor registos históricos e análises genéticas. O mais informativo é o cromossoma Y, que se pode encontrar nas células de todos os homens, pois é relativamente resistente às alterações.

Outros cromossomas trocas furiosamente informação genética entre si mas, durante o emparelhamento, o cromossoma Y junta-se ao cromossoma X, um gigante quando comparado com ele e pouco adequado a trocas. Isto significa que o cromossoma Y é transmitido praticamente intacto de pai para filho, fornecendo um marcador relativamente fixo que nos dá dicas sobre a ancestralidade.

Em análises recentes, Tyler-Smith e os seus colegas chineses e ingleses examinaram o cromossoma Y de cerca de 1000 homens no leste da Ásia. Os investigadores compararam as sequências de DNA em vários pontos do cromossoma Y, descobrindo semelhanças próximas entre 3,3% dos homens. Esta semelhança genética sugere que estes homens partilharam um ancestral masculino que viveu há cerca de 600 anos.

Para identificar quem deu origem a este prolífico cromossoma Y, Tyler-Smith e os seus colegas voltaram-se para os livros de história. Descobriram Giocangga, cujo neto liderou a conquista da China pela Manchúria em 1644 e estabeleceu a dinastia Qing.

Uma vasta classe de nobres, descendentes legais de Giocangga, governaram o estado até 1912. Mesmo um nobre de baixo estatuto tinha muitas concubinas e seria, com certeza, perito em espalhar a o cromossoma de Giocangga.

 

Acrescentando apoio à teoria de Tyler-Smith, os manchús do exército misturaram-se apenas com certos grupos étnicos e são esses mesmos grupos que têm a maior frequência do cromossoma Y de Giocangga. Só o cromossoma Y de Genghis Khan se aproxima da prevalência do de Giocangga, surgindo em cerca de 2,5% dos homens, diz Tyler-Smith.

Obter uma data precisa para a origem do cromossoma é difícil, dizem os geneticistas, e ligá-lo a uma figura histórica é ainda menos exacto.

"Mas todos os geneticistas sabem que todos somo fósseis vivos", diz Steve Jones do University College de Londres, que acrescenta que a hipótese de Giocangga não é "pouco razoável". Martin Richards, um geneticista humano da Universidade de Leeds, Reino Unido, comenta que a análise de Tyler-Smith mostrando que existe uma origem comum para o cromossoma Y é das mais exaustivas que já viu.

No entanto, outros contestam estas descobertas. Os dados para a origem do cromossoma Y são demasiado vagos para apontar para Giocangga, diz Luca Cavalli-Sforza. Ele também contesta o estudo sobre Genghis Khan e considera ambas as descobertas demasiado sensacionais.

Os investigadores podem ajudar a sua defesa examinando o cromossoma Y de descendentes conhecidos de Giocangga, mas isso talvez seja mais fácil de dizer do que fazer.

Apesar da classe nobre ter 80000 membros por volta de 1912, a revolução cultural chinesa dos anos 60 e 70 levou as pessoas a esconder a sua origem por medo de represálias e muitos registos foram destruídos. Muitos homens que conseguiram traçar a sua ascendência a Giocangga não quiseram fornecer o seu DNA, dizem os cientistas.

Se este estudo e o trabalho sobre Khan estiverem correctos, sugerem que os cromossomas Y vencedores desabrocham nas hierarquias, patriarcados e conquistas. "Eles dizem-nos que aqueles que analisam a História como um registo das fraquezas e desastres humanos têm razão", diz Jones.

 

 

Saber mais:

Y Chromosome facts

American Journal of Human Genetics

 

 

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