2005-10-22

Subject: Leite materno ajuda a bloquear o HIV

 

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Leite materno ajuda a bloquear o HIV

 

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Os compostos ricos em açucares presentes no leite materno podem ajudar a reduzir a transmissão do HIV aos bebés amamentados, sugere um estudo feito em laboratório.

A descoberta não significa que seja uma boa ideia para as mães HIV-positivas amamentarem os seus bebés, esclarecem os investigadores, pois o vírus ainda pode ser transmitido desta forma. Mas se os resultados forem comprovados por estudos posteriores, podem conduzir a novas formas de bloquear a transmissão do HIV entre adultos através das relações sexuais.

O leite já é conhecido de outros estudos por conter algumas substâncias que contêm o HIV. "O leite materno tem todo o tipo de elementos bons, como anticorpos provenientes da mãe", diz Louise Kuhn, que estuda a transmissão do HIV na Universidade de Columbia em Nova Iorque.

Agora, Bill Paxton, da Universidade de Amsterdão, apontaram baterias aos compostos anti-HIV presentes no leite que lhe pareceram particularmente poderosos. Ele e a sua equipa consideram que o ingrediente secreto é o Lewis X, um tipo de glícido também presente na saliva e no sangue.

O HIV infecta as células CD4 T, uma parte crucial do sistema imunitário e cuja destruição dá origem à SIDA. Alguns investigadores pensam que o vírus pode alcançar as células CD4 ligando-se a um grupo diferente de células imunitárias, conhecidas por células dendríticas.

Paxton e a sua equipa descobriram que o HIV não consegue apanhar boleia nestas células dendríticas se os compostos contendo Lewis X já se tiverem ligado a uma proteína em particular, presente na superfície da célula. 

As células dendríticas são conhecidas por se agruparem nas amígdalas, logo podem receber uma dose elevada de compostos Lewis X presentes no leite quando o bebé mama.

Em algumas amostras de leite materno, os compostos impedem a ligação do HIV às células mesmo quando diluídos 500 vezes. A equipa relata estas descobertas na última edição da revista Journal of Clinical Investigation.

Se o leite bloqueia realmente o HIV na vida real é ainda uma questão em aberto, alerta David McDonald, que estuda o vírus na Case Western Reserve University em Cleveland, Ohio. "Se isto é um inibidor, porque motivo os bebés recebem o HIV através do leite materno?", questiona-se ele.

 

Todos os anos, cerca de 200000 crianças são infectadas pelo vírus através do leite materno, segundo dados da UNICEF, o Fundo para as Crianças das Nações Unidas. Entre 10% e 20% das crianças com mães HIV-positivas contraem o vírus após serem amamentadas durante dois anos.

Paxton contrapõe que sem as moléculas protectoras presentes no leite as crianças contrairiam a doença ainda mais frequentemente.

Os peritos em saúde pública argumentam acerca dos riscos e dos benefícios do leite materno para algumas crianças mas as directrizes da Organização Mundial de Saúde apelam às mães HIV-positivas que utilizem leite em pó sempre que possível.

Paxton tenciona agora investigar se as mulheres que apresentam níveis elevados dos compostos com açucares no seu leite são menos propensas a transmitir o HIV à sua descendência. "Não é um estudo muito fácil de fazer", diz ele, "em parte devido às implicações éticas do dever de proteger os bebés da transmissão do HIV sempre que possível."

O objectivo último de Paxton é descobrir compostos que bloqueiem o HIV para que sejam utilizados em medicamentos. Estes são géis ou espumas criados com o objectivo de bloquear a transmissão do HIV através da vagina durante o sexo. 

Alguns peritos dizem que é mais provável que as mulheres utilizem este tipo de microbicida que um preservativo, que requerem a colaboração do parceiro. Talvez no futuro, uma dose destas moléculas contendo açucares possa ser adicionada à mistura. "Se realmente funcionar como microbicida, seria uma ferramenta incrível", diz McDonald.

 

 

Saber mais:

WHO - HIV and Infant Feeding

The international partnership for microbicides

 

 

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