2005-10-21

Subject: Poluição origina mais raparigas em São Paulo

 

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Poluição origina mais raparigas em São Paulo

 

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Os fumos tóxicos parecem favorecer o "sexo fraco", revela um grupo de investigadores brasileiros. Jorge Hallak, e a sua equipa da Universidade de São Paulo, obteve este surpreendente resultado ao estudar os bebés que nascem na sua cidade.

A equipa dividiu a metrópole de 17 milhões de pessoas em áreas de baixa, média e alta poluição atmosférica, usando os resultados de estações de controlo da qualidade do ar, tendo depois estudado o registo dos nascimentos entre 2001 e 2003.

Descobriram que 48,3% dos bebés nascidos nas zonas menos poluídas eram meninas, enquanto nas áreas mais sujas essa percentagem subia para 49,3%. Após obterem a razão rapazes/raparigas nascidos em todas as zonas, calcularam que 1180 bebés mais deveriam ter sido rapazes nas zonas poluídas, se a distribuição dos sexos fosse igual à das zonas mais limpas.

Estas descobertas foram agora dadas a conhecer no encontro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, que decorreu em Montreal no dia 17 de Outubro.

Já se sabe há 60 anos que, para a espécie humana, a razão machos/fêmeas no nascimento tende geralmente para os rapazes. Os cientistas não têm certezas acerca do motivo porque tal acontece, mas certas condições, como durante a Segunda Grande Guerra, alteram este equilíbrio.

Os investigadores presentes no encontro realizado no Canadá dizem que o estudo de Hallak vem colocar questões intrigantes sobre os efeitos na saúde da poluição do ar, mas alertam para a necessidade de estudos em maior escala e mais rigorosos para confirmar esta descoberta. 

"Trata-se de um problema muito preocupante mas fascinante", diz Anthony Thomas, urologista que lidera a secção de infertilidade masculina da Clínica Cleveland no Ohio. "Mas isto é apenas o início e agora precisamos de realizar mais trabalhos para examinar a situação mais de perto."

Hallak acredita que as suas descobertas sugerem que a poluição actua como um factor de stress reprodutivo, tal como outros que alteram a razão sexual na espécie humana. 

Investigações anteriores mostram que os desastres naturais e crises, como ataques terroristas, podem aumentar a probabilidade de um recém-nascido ser menina. Pensa-se que se trata de fazer uma aposta reprodutiva mais segura, as raparigas têm maior probabilidade de crescer e ter os seus próprios filhos, enquanto os rapazes são um investimento mais arriscado: tanto podem ter dúzias de filhos, como podem não ter nenhum.

"Parece que a espécie humana está a tentar repovoar-se a si própria e, obviamente, as fêmeas são importantes para que isso aconteça", diz Hallak.

 

Thomas salienta que os investigadores de São Paulo não identificaram que componentes do ar poluído estavam a alterar o equilíbrio da razão sexual, logo não podem ter a certeza se seria mesmo a poluição a causa desse efeito. É possível que, por exemplo, as zonas mais poluídas também fossem mais pobres e que as diferenças económicas sejam o factor causal na realidade.

Mas Hallak diz que a sua equipa encontrou provas preliminares de que a poluição exerce o seu efeito sobre os espermatozóides, alterando a proporção das células que transportam o cromossoma X ou Y. 

Os investigadores descobriram que expusessem ratos macho a poluição, as suas parceiras davam à luz uma percentagem de fêmeas superior à esperada. A poluição também reduziu a contagem total de espermatozóides no esperma dos ratos, explica Hallak.

Ainda não é claro porque motivo a poluição levaria à alteração da razão sexual. Outros investigadores já tinham descoberto que químicos, como os desinfectantes do solo, podem ter um efeito a curto prazo sobre a razão sexual em crianças nascidas de pais que lidam com esse tipo de produto. Esses químicos também prejudicam a qualidade e o número de espermatozóides.

Estas descobertas levaram alguns cientistas a especular que os espermatozóides que transportam o cromossoma Y, que irá originar rapazes, são mais fracos que os que transportam o cromossoma X e, por isso mesmo, mais susceptíveis a qualquer tipo de stress ambiental, mas isso ainda não foi provado, diz Thomas.

Ainda assim, o estudo acrescenta novas preocupações à já longa lista de efeitos adversos sobre a saúde da poluição. Se a descoberta for sólida, pode ter implicações na razão sexual de grandes cidades, como Jacarta ou Beijing, onde a qualidade do ar é notoriamente pobre.

"Trata-se de um estudo inicial mas tem muito interesse, penso que o estado de São Paulo tem que analisar esta questão como mais cuidado", diz Thomas.

 

 

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