2005-10-19

Subject: Manchas tornam os ovos das aves mais fortes

 

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Manchas tornam os ovos das aves mais fortes

 

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Já há mais de 100 anos que os cientistas e os observadores de aves debatem acaloradamente uma questão aparentemente de somenos importância: porque motivo são os ovos as aves pintalgados?

Muitos peritos acreditam que as marcas servem de camuflagem, úteis como forma de disfarçar os ovos perante o olhar dos predadores, mas para muitas espécies de aves os factos não parecem correctos.

Agora, ornitólogos ingleses mostraram que as manchas podem ser uma solução única para um problema de engenharia, o reforço de cascas invulgarmente frágeis. O novo estudo mostra que as moléculas que compõem o pigmento podem actuar como uma cola, suportando áreas finas da casca e protegendo-as de quebras durante a incubação.

As aves são únicas entre os animais que põem ovos, pois os seus ovos apresentam padrões de pigmentação variados e muito notórios. A variedade de manchas é maior nas aves canoras (grupo onde se incluem cerca de 60% das aves). O padrão de manchas e um fundo colorido são a razão porque os ovos já foram objectos de colecção tão populares, diz o ornitólogo Andrew Gosler da Universidade de Oxford.

Mas a razão para este padrão permanecia por explicar, embora uma das teorias propusesse que permitia aos progenitores distinguir os ovos, de forma a que fossem virados e aquecidos por igual.

A teoria preferida, no entanto, considerava que as manchas camuflavam os ovos de predadores, tal como o demonstraram estudos feitos em aves aquáticas que fazem ninho no solo, como as gaivotas. Mas, de forma surpreendente, para a maioria das espécies as manchas trazem muito pouca vantagem como camuflagem.

De facto, a maioria das aves canoras põe ovos que são principalmente brancos, com excepção de um anel de manchas avermelhadas junto à base. As manchas devem-se à presença de compostos conhecidos por protoporfirinas, conhecidos por serem fortes mas flexíveis.

Gosler encontrou consistentemente um anel de manchas nos ovos de muitas espécies, um padrão que lhe sugeriu que o pigmento poderia ter, afinal, uma função mais relacionada com a engenharia.

A equipa de Gosler estudou chapins-reais nas florestas perto de Oxford, notando que aves que fazem ninho em locais onde o solo é pobre em cálcio põem ovos mais fortemente pintalgados.

 

O carbonato de cálcio é o principal material de construção das cascas dos ovos das aves, e, no caso dos chapins-reais, é obtido pela alimentação pois alimentam-se de caracóis. Estes, por sua vez, retiram o cálcio do solo para fabricarem as suas próprias conchas.

A equipa levou a cabo numerosos estudos laboratoriais que mostram que as zonas pintalgadas das cascas são significativamente mais finas que as zonas não manchadas, tendo concluído que os anéis de manchas encontrados nas bases dos ovos servem para reforçar pontos mais fracos da estrutura ovóide.

Gosler considera que a pigmentação é depositada no interior do corpo da mãe quando as cascas são pobres em cálcio, numa tentativa de reforçar a sua estrutura. Ele espera agora provar que o mesmo princípio se aplica a outras espécies.

"A ideia de que a pigmentação dos ovos serve de camuflagem é muito vulgar na ornitologia", comenta Raivo Mand, perito em ecologia das aves na Universidade de Tartu na Estónia. "Ainda assim, em aves que fazem o ninho em buracos, por exemplo, os ovos têm manchas avermelhadas, quando não há necessidade de camuflagem. Da mesma forma, muitas espécies que fazem ninho no solo exposto produzem ovos sem pigmentação."

O estudo de Gosler é "uma explicação completamente nova e revolucionária para este paradoxo", diz Mand. Para além de ajudar a resolver um debate histórico, a descoberta pode ter aplicações úteis na conservação das aves.

A poluição devida a insecticidas como o DDT, ainda usado para matar mosquitos em zonas de malária, pode causar danos às populações de aves, por reduzir a espessura das cascas dos ovos.

Conservacionistas que estudam o impacto dos insecticidas nas aves podem, potencialmente, analisar a resistência dos ovos através da quantidade de manchas neles presentes, sugere Gosler, o que daria uma ideia do impacto da poluição nas diversas espécies de aves.

 

 

Saber mais:

University of Oxford- Andrew Gosler

Ecology Letters

 

 

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