2005-10-17

Subject: Abate de florestas não aumenta risco de cheias

 

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Abate de florestas não aumenta risco de cheias

 

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A desflorestação e o abate de árvores não aumenta o risco de grandes inundações, revela um novo relatório agora dado a conhecer. A Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) e o Centro Internacional de Investigação em Silvicultura (CIFOR) consideram que não há evidências deste tipo de associação.

A perda de coberto florestal desempenha, na realidade, um papel na ocorrência de pequenas cheias e na perda de solo fértil, refere ainda o relatório, que acusa os governos asiáticos de atirarem com as culpas das cheias para as costas dos madeireiros de pequena dimensão e dos agricultores como forma de evitar as críticas.

A crença de que a desflorestação causa cheias de grande dimensão e aumenta dos danos por elas causados está largamente difundida. Nas cheias catastróficas na China em 1998, quando os rios Yangtse e Amarelo saíram das margens, foi feita a ligação com a desflorestação, tanto pelo governo chinês, como pela organização ambientalista WWF e pela Cruz Vermelha Internacional.

Políticos italianos fizeram o mesmo tipo de associação após deslizamentos de terras perto da cidade de Nápoles terem morto perto de 100 pessoas nesse mesmo ano.

Mas o relatório FAO/CIFOR agora conhecido apresenta evidências recolhidas em locais tão dispares como o Bangladesh, Nepal, África do Sul, Tailândia e Estados Unidos, que mostram que a frequência e intensidade das cheias de grande dimensão não se tem alterado nos últimos dois séculos, apesar das reduções drásticas no coberto florestal.

"Penso que a crença resulta das florestas ajudarem a reduzir o risco de inundação em áreas restritas, logo as pessoas assumiram que o mesmo princípio se deve aplicar a áreas mais vastas", diz o director-geral do CIFOR David Kaimowitz. "Mas a nossa visão é de que as conclusões dos estudos científicos indicam que as alterações no uso da terra e no seu coberto apenas desempenham um papel menor nas inundações em grande escala."

@ AP/Franck PrevelEm pequena escala, as florestas actuam como uma esponja, absorvendo o excesso de água, mas quando toda a floresta é inundada o solo deixa de ter capacidade suficiente para essa absorção.

Relatórios de inundações recentes causadas pelo furacão Katrina e pela tempestade tropical Stan nas Américas do norte e central, sugerem que a vegetação formou uma barreira natural ao fluxo de água. Da mesma forma, investigação sobre o tsunami de Dezembro último mostra que em zonas costeiras onde existiam mangais intactos os danos foram muito mais reduzidos.

"Esses estudos provêm principalmente do Sri Lanka", observa Kaimowitz, "e o tsunami teve que atravessar todo o oceano para lá chegar. Estive em Aceh onde ocorreram ondas com 20 metros de altura, não há mangal que pare uma coisa dessas."

O relatório reconhece, no entanto, que as florestas podem salvaguardar recursos naturais, mantendo o solo preso e impedindo que seja arrastado.

 

Esta foi a situação no Haiti, onde mais de 90% do coberto florestal já desapareceu, prendendo as populações mais pobres da América num ciclo vicioso de pobreza e degradação ambiental, tentando explorar o que resta da terra, frequentemente de forma insustentável, o que leva a mais perda de solo fértil nas inundações seguintes.

Edmund Penning-Rowsell, chefe do Centro de Investigação sobre o Risco de Cheias da Universidade de Middlesex em Londres, acredita que o relatório da FAO/CIFOR tira conclusões, de modo geral, correctas.

"As florestas têm um efeito", refere ele, "mas ele desaparece quando se trata de áreas maiores e acontecimentos em maior escala. As pessoas tendem a passar a sua experiência pessoal para o geral mas não podemos fazer esse tipo de assunção para algo como Ganges. A maioria das cheias são causadas pela construção em locais de risco, como no Bangladesh."

Ele também concorda com a visão do relatório de que os governos procuram "bodes expiatórios" após uma grande cheia, para afastar as críticas das suas próprias falhas. A FAO e a CIFOR consideram que não há motivo para impedir o abate da floresta em pequena escala na Ásia, como os governos locais têm feito.

"Temos que ser cuidadosos antes de tomar medidas repressivas contra os pequenos agricultores ou madeireiros de pequena dimensão, pois estamos a destruir o modo de vida dessas populações", diz David Kaimowitz. "O caso mais extremo foi a proibição do abate de floresta na China, a seguir às cheias de 1998, que colocaram mais de um milhão de pessoas sem emprego, quando é quase certo que o abate da floresta teve muito pouco impacto nas cheias."

Estas questões não devem desaparecer nos próximos tempos, com a incidência de cheias aparentemente a aumentar, bem como as perdas de vidas e bens.

Tal como o relatório da FAO/CIFOR torna claro, esta situação deve-se em parte ao aumento da população global e consequente expansão para locais de risco. O desvio de águas fluviais também tem aqui um papel importante, mas Edmund Penning-Rowsell acredita que pode haver outro factor, que a real frequência das cheias está a aumentar.

"Parece realmente que as grandes cheias se estão a tornar mais frequentes", diz ele, "podemos levar 100 anos para ter a certeza mas a tendência parece ser nessa direcção."

 

 

Saber mais:

FAO

CIFOR

Flood Hazard Research Centre, Middlesex University

 

 

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