2005-10-08

Subject: Animais fortemente atingidos por alterações climáticas

 

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Animais fortemente atingidos por alterações climáticas

 

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@ AP/Shizuo KambayasAs alterações climáticas podem conduzir à extinção de muitas espécies de animais, incluindo aves migratórias, revela um relatório encomendado pelo governo inglês.

O degelo, o alastrar dos desertos e o impacto do aquecimento das águas do mar no sexo das tartarugas estão entre as muitas ameaças agora identificadas por este estudo, que será conhecido na totalidade no encontro dos responsáveis pela conservação da natureza da União Europeia a realizar na Escócia.

O relatório refere que o aquecimento já alterou os padrões migratórios de algumas aves, bem como o comportamento de outros animais.

O Departamento do Ambiente, Alimentos e assuntos Rurais (DEFRA) do Reino Unido encomendou este estudo, que foi liderado pelo British Trust for Ornithology.

A cimeira, a realizar na estância de férias escocesa de Aviemore, foi convocada para debater formas de ajudar a vida selvagem a sobreviver ao aquecimento global.

Os cientistas já observaram um vasto leque de alterações nos padrões migratórios de aves, peixes e tartarugas, aparentemente causados pelo aquecimento que já se verifica.

Algumas espécies normalmente associadas a países localizados mais a sul, como as garças brancas, as tartarugas-careta ou o salmonete, estão a ser vistos cada vez mais frequentemente em latitudes mais a norte, como nas Ilhas Britânicas.

Aves das zonas húmidas como o borrelho-grande-de-coleira estão agora a passar o Inverno no leste do Reino Unido, e não na costa oeste, e as felosas estão a permanecer nas Ilhas Britânicas ao longo de todo o ano, em vez de migrarem para sul.

Enquanto muitas espécies conseguiram adaptar-se, até agora, deslocando o seu habitat mais para norte em direcção aos pólos, o estudo alerta para o facto de esta hipótese não estar disponível para outros animais, como os ursos polares e as focas, cujo habitat está a desaparecer rapidamente com o degelo do oceano Árctico.

Mesmo alterações subtis na temperatura do mar podem ter um impacto dramático na vida selvagem, com o rápido desaparecimento do plâncton que forma a base da cadeia alimentar marinha.

Esta situação é o que se pensa estar por trás de um recente declínio drástico no sucesso reprodutor de algumas espécies de aves marinhas escocesas, pois o peixe de que se alimentam ficou repentinamente privado de alimento.

Outras ameaças devidas às alterações climáticas incluem:

- aumento dos danos causados pelas tempestades às colónias reprodutoras de albatrozes, que já enfrentam graves pressões devido à captura acidental em anzóis de linha longa;

- subida do nível do mar e subsequente destruição das praias onde as tartarugas marinhas nidificam. Por exemplo, perto de um terço das praias usadas pelas tartarugas na zona das Caraíbas será perdida com a subida das águas prevista para este século, e as focas e aves marinhas também enfrentam a destruição dos seus habitats costeiros;

- mares mais quentes podem levar a que algumas espécies de tartaruga se tornem exclusivamente fêmeas, pois a temperatura da água afecta fortemente a determinação do sexo nos embriões;

 

- os problemas de falta de água em muitas regiões podem levar à destruição de muitas zonas húmidas de que as aves migratórias dependem;

- o alastramento do deserto do Sahara pode ameaçar os viajante de longo curso, como as andorinhas, que não se conseguirão abastecer nas anteriormente férteis regiões marginais do deserto.

"O nosso clima em alteração já está a afectar um grande número de espécies migratórias", diz Humphrey Crick do British Trust for Ornithology, um dos autores do relatório. "Incluem-se nesse número desde andorinhas que atravessam o Sahara a albatrozes do oceano Antárctico mas o relatório mostra que o impacto potencial é realmente alargado."

"Existem limites até que ponto podemos ajudar as espécies a adaptar-se às alterações climáticas mas precisamos de encontrar soluções globais para ajudar os animais que nadam, voam ou andam milhares de quilómetros todos os anos."

A natureza teve sempre que se adaptar a alterações climáticas ao longo da história da Terra. De facto, essa tem sido uma das forças condutoras do processo evolutivo que originou a espantosa variedade de formas de vida na Terra. Mas o temor actual é que as alterações a que estamos a assistir sejam simplesmente demasiado rápidas para permitir às espécies desenvolver novas estratégias de sobrevivência.

As opções disponíveis também estão a ser reduzidas pela rápida conversão dos ecossistemas para uso humano, como a drenagem das zonas húmidas, o abate de florestas e a urbanização das zonas costeiras, logo se os habitats ainda existentes forem atingidos pelas alterações climáticas, não haverá, literalmente, para onde ir.

O relatório envia várias mensagens importantes aos responsáveis pela conservação do ambiente reunidos na Escócia. Apela à utilização dos chamados "corredores biológicos" como forma de aumentar as opções disponíveis para as espécies migratórias, à medida que as alterações climáticas começam a fazer-se sentir.

A totalidade da abordagem à conservação tem que ser radicalmente alterada, pois a mais protegida reserva natural pode acabar com muito pouco utilidade para os animais que nela se reproduzem se estes morrerem de fome por não tiverem para onde se deslocar ou migrar.

 

 

Saber mais:

UN Convention on Biological Diversity

Red List of endangered species

Árvores não absorvem dióxido de carbono como esperado

Episódios de clima extremo associados a alterações climáticas?

Aquecimento na Sibéria causa alarme

Estudo sobre ursos polares relembra perigo de alterações climáticas

Declínio de pinguins relacionado com o aquecimento global?

 

 

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