2005-10-05

Subject: Lançado novo apelo à proibição das formas de pesca destrutivas

 

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Lançado novo apelo à proibição das formas de pesca destrutivas

 

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Grupos conservacionistas estão a apelar a uma moratória das Nações Unidas às práticas de pesca destrutivas, como o arrasto de fundo. 

Os navios arrastam pesadas redes sobre o fundo do mar, capturando peixe mas também destruindo corais e muitos outros organismos sem interesse comercial. O arrasto de fundo é responsável por uma fracção ínfima das capturas globais totais, uma desproporção inaceitável perante os estragos que causa. 

As negociações sobre as pescas tiveram início esta quarta-feira nas Nações Unidas em Nova York e continuarão até ao final de Novembro.

"Existem muitos países que agora apoiam uma proibição total destas práticas", diz Rémi Parmentier da Deep Sea Conservation Coalition, uma organização que conjuga os esforços de vários grupos conservacionistas. "Estamos a pressionar no sentido da criação de uma moratória sobre o arrasto de fundo em águas profundas, pois não se sabe muito bem onde se localizam as áreas vulneráveis."

Com o declínio a pique de muitas das espécies de peixe das zonas continentais, algumas frotas pesqueiras adoptaram o arrasto de fundo como forma de manter as capturas, mas mesmo assim esta forma de pesca é responsável por menos de 1% das capturas globais.

Poderosos navios rebocam redes que se estendem sobre o fundo do mar, mantidas no fundo por pesadas bolas ou por uma espécie de arado. Estes dispositivos garantem que quase todos os peixes das vizinhanças sejam capturados mas o mesmo acontece a quase tudo o resto.

Um relatório compilado no ano passado pela IUCN, the World Conservation Union, e outros grupos ambientalistas concluiu que o arrasto de fundo é "... altamente destrutivo para a biodiversidade associada aos montes submarinos e aos ecossistemas coralíferos de água profunda e [...] é capaz de colocar em sério risco esta biodiversidade, incluindo a extinção de espécies em risco". 

Se estas áreas têm mesmo que ser percorridas por barcos de pesca, os biólogos conservacionistas preferiam que estes utilizassem linhas longas suspensas sobre os corais de água fria e sobre os montes submarinos, cuja abundância de vida e importância ecológica só foi reconhecida nos últimos anos. 

Arrasto de fundo em esquema (BBC)

As espécies que vivem nas profundidades frias tendem a ter vida longa e uma baixa taxa reprodutora.

 

@ Greenpeace/DuncanO olho-de-vidro laranja Hoplostethus atlanticus, um dos alvos preferidos das frotas pesqueiras, pode viver mais de um século e demora décadas a atingir a maturidade sexual. Este peixe é mais abundante nos montes submarinos e em bancos de coral de água profunda.

A pesca nestes locais pode causar importantes danos ecológicos. No ano passado, 1100 cientistas assinaram uma petição que considerava que os danos eram demasiado graves para continuarem, e apoiava a exigência de uma moratória sobre estes métodos de pesca.

Esta exigência foi submetida à apreciação das delegações das Nações Unidas durante as negociações que antecederam a Assembleia Geral de Novembro último.

Mas as deliberações resultaram apenas num compromisso de "... considerar, caso a caso e com bases científicas, [...] a proibição provisória das práticas de pesca destrutivas, incluindo o arrasto de fundo que tem impactos adversos em ecossistemas marinhos vulneráveis, incluindo os montes submarinos, chaminés hidrotermais e corais de água fria ..."

Este ano, os grupos conservacionistas dizem que detectam sinais de que algumas nações, até agora fortes apoiantes do arrasto de fundo, podem estar a mudar de posição. Um dos mais significativos é Espanha, cujas frotas são responsáveis por cerca de 40% das capturas globais.

A Deep Sea Conservation Coalition recebeu documentos que indicam que o governo espanhol admite agora que o arrasto de fundo é uma prática destrutiva e tenciona encomendar investigação científica para avaliar as regiões do fundo do mar antes de permitir que a sua frota pesque nessas águas.

"Esta declaração mostra que estão na defensiva", diz Rémi Parmentier, "e o argumento que usavam até agora, de que os ambientalistas estavam a inventar tudo isto, perde credibilidade. Em Espanha, a pesca à anchova na costa norte entrou em colapso, não devido ao arrasto de fundo mas pelo mesmo padrão de se preocupar apenas com os interesses a curto prazo. Estão a aprender que se destroem os seus recursos naturais estão a cavar a sua sepultura."

O governo da Nova Zelândia anunciou recentemente que "... estaria preparado para apoiar, em princípio, o conceito de uma moratória global interina [...] no mínimo, a Nova Zelândia precisaria de estar confiante no compromisso de outras nações pesqueiras para com a moratória antes de apoiar, definitivamente, a proposta."

Para que a discussão da moratória tenha início, os grupos conservacionistas agora de persuadir a delegação de um dos países a apresentá-la à Assembleia. A Costa Rica já realizou este papel no passado e os ambientalistas acreditam que encontraram o porta-estandarte deste ano.

 

 

Saber mais:

Deep Sea Conservation Coalition

IUCN bottom-trawling report

New Zealand bottom trawling strategy

Mar do Norte precisa de "acção conjunta"

SOS em nome do coral de água profunda da Irlanda

Redes matam 1000 mamíferos marinhos por dia

Nações Unidas alertam para necessidade de protecção dos stocks pesqueiros

 

 

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