2005-10-03

Subject: Feromonas de lampreia produzidas em laboratório

 

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Feromonas de lampreia produzidas em laboratório

 

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Um cocktail de químicos capazes de atrair as lampreias ao longo dos rios paras desovar foi agora identificado pelos cientistas, que também conseguiram sintetizar um dos seus ingredientes chave.

Segundo os investigadores, as implicações para a gestão dos stocks pesqueiros desta descoberta são imensas.

As lampreias são animais estranhos, que, apesar de desprovidas de mandíbulas, são capazes de parasitar outros peixes com a ajuda de um anel em forma de ventosa, coberto de dentes afiados, com o qual sugam os fluidos corporais da sua presa.

As lampreias do Atlântico Petromyzon marinus atingiram a região dos Grandes Lagos na América do Norte há cerca de 100 anos, tendo-se tornado um grave problema desde então: cada lampreia consegue matar até 18 Kg de peixe nativo, que de outra forma teria sido vendido nos mercados da região.

Agora, o ecologista Peter Sorensen e o químico Thomas Hoye, da Universidade do Minnesota, vêm dizer que descobriram uma forma de derrotar as imparáveis lampreias. A chave, referem, são os químicos que as lampreias usam para descobrir os seus territórios de desova.

A equipa resolveu isolar estes compostos a partir de milhares de litros de água contendo larvas de lampreia, recolhidas de uma aquacultura de lampreias, onde 50000 destes peixes eram alimentados e mantidos para efeitos científicos.

Quando as lampreias adultas estão prontas para se reproduzir, seguem o subtil perfume exalado pelas larvas de lampreia para encontrar um rio que seja hospitaleiro para os seus descendentes. A equipa testou os ingredientes deste 'extracto de larvas' para ver qual deles era o melhor 'isco'.

Descobriram que o composto mais atractivo da mistura é uma molécula odorífera fortemente aparentada com a esqualamina, um composto até ao momento apenas encontrado nos tubarões, onde se pensa que actue como antibiótico.

Mesmo em concentrações diminutas, como um miligrama num volume de água equivalente a cinco piscinas olímpicas, este composto consegue levar as lampreias a seguir o seu odor.

Os investigadores conseguiram agora sintetizar o composto principal e estão a trabalhar no aumento da sua produção para níveis em que possa ser usada como parte de um programa agressivo para afastar os invasores, relata a equipa num artigo publicado no número mais recente da revista Nature Chemical Biology.

 

A abordagem também pode ser tentada com outros peixes, afirma Sorensen, pois muitas espécies invasoras utilizam feromonas para navegar pelos cursos de água ou pelo oceano.

O biólogo de pescas Michael Twohey, do US Fish and Wildlife Service em Marquette, Michigan, está a ajudar a colocar estas pesquisas em acção. "Estamos muito entusiasmados com estas descobertas. Elas prometem uma nova estratégia para controlar as lampreias marinhas." Twohey espera que a Comissão de Pescas dos Grandes Lagos utilize esta técnica em grande escala até 2010.

As feromonas de peixe podem ser utilizadas nos esforços conservacionistas com igual sucesso, diz Sorensen. As populações de lampreias do Pacífico, que passam o estado larvar em rios do noroeste da costa do Pacífico, estão seriamente ameaçadas. As feromonas artificiais podem ser usadas para ajudar os adultos a encontrar o caminho de volta aos rios, mesmo que não existam larvas sobreviventes para os atrair para as zonas adequadas para a sua reprodução.

As lampreias são muito importantes para numerosas tribos de índios americanos que vivem nos rios da zona, tanto como fonte de alimento mas também como parte da sua herança cultural, salienta David Close, investigador da Confederated Tribes of the Umatilla Indian Reservation em Pendlton, Oregon. 

"As lampreias não são tão famosas e consideradas como o salmão logo a sociedade em geral não lhes presta grande atenção", diz ele. "Existem muitos mitos e lendas associadas ao ciclo de vida da lampreia. Estamos a perder não apenas um prato de comida mas uma parte da nossa cultura", continua Close, que considera esta nova descoberta "muito encorajadora e excitante".

 

 

Saber mais:

Sea lampreys- Great Lakes Invader

David Close

Sistemas imunitários evoluíram mais de uma vez

 

 

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