2005-10-02

Subject: Morcegos devem ter sido a origem da "pneumonia atípica"

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

Morcegos devem ter sido a origem da "pneumonia atípica"

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

@ J J Kaczanow/Bat Conservation TrustA fonte mais provável da doença respiratória que ficou conhecida por 'pneumonia atípica' ou pela designação inglesa SARS, são os morcegos-ferradura, sugere um estudo agora dado a conhecer.

Os investigadores encontraram um vírus aparentado de perto com o coronavírus da SARS nestes morcegos em três localizações diferentes da China.

Escrevendo na revista Science, eles afirmam que o vírus deve ter tido necessidade de infectar outros animais, como as civetas, antes de se transmitir aos seres humanos.

Sugerem que os morcegos-ferradura vivos sejam mantidos afastados dos mercados de animais até que o percurso da transmissão do vírus seja completamente compreendido.

A SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome, ou seja, síndroma respiratória aguda em português) surgiu no Inverno de 2002/3 e causou cerca de 770 mortes, para não falar dos prejuízos económicos estimados em milhares de milhões de dólares. Centrada no sudeste asiático e algumas regiões do sul da China, as mortes atingiram regiões tão distantes como o Canadá.

Escolas e negócios foram encerrados, as viagens e o comércio internacionais foram restringidos e, durante algum tempo, até que a medidas de saúde pública básicas conterem o surto, parecia que se iria transformar na próxima pandemia.

Mas surgiu de onde? 

Em Maio de 2003, a sugestão foi que o vírus responsável pela doença tinha entrado na população humana através das civetas, animais usados na alimentação humana e abatidos nas feiras de animais vivos do sul da China.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) apoiou esta associação no início de 2004, um anúncio que levou as autoridades chinesas a dar início a um programa de abate de mais de 10000 civetas, bem como de outros animais suspeitos de transportar o vírus, como texugos e guaxinins.

Mas durante muito tempo, a teoria que prevaleceu entre os cientistas era de que as civetas não eram a fonte original da doença mas apenas a transmitiam. Uma pista para isso era o facto de estes animais parecerem ter pouca imunidade à doença e também adoecerem gravemente, enquanto as espécies que albergam agentes patogénicos durante muito tempo geralmente se adaptarem a eles.

Então de onde veio realmente o vírus da SARS, baptizado Sars-CoV?

Uma teoria indicou as aves, mas no início de Setembro investigadores da Universidade de Hong Kong encontraram motivos para suspeitar dos morcegos. Descobriram em morcegos da zona de Hong Kong um vírus aparentado de perto com o que tinha sido encontrado nos doentes com SARS.

@ Consortium for Conservation MedicineAgora, um trabalho conjunto entre cientistas da China, Austrália e Estados Unidos foi um pouco mais longe e identificou um vírus do tipo SARS em três espécies de morcegos do continente da China.

"O vírus que encontrámos é 92% semelhante aos vírus humano da SARS", diz Zhengli Shi, do Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciência em Beijing. "Porque está nestes morcegos, porque só infecta estas espécies ainda não sabemos com certeza, é algo que queremos discutir melhor", diz ela.

Todas as três espécies de morcegos em que a equipa de Shi encontrou coronavírus do tipo SARS, baptizado SL-CoV, são morcegos-ferradura do género Rhinolophus, tal como as espécies identificadas no estudo de Hong Kong.

Análises genéticas sugerem que o coronavírus dos morcegos encontrados por estas duas equipas de investigadores são muito parecidos, sendo ambos aparentados de perto com as formas humanas e da civeta. As principais diferenças estão em genes que estão relacionados com a ligação entre os vírus e a célula hospedeira.

 

"Este vírus, temos a certeza disso, não é capaz de infectar seres humanos", afirma Zhengli Shi.

Uma das grandes questões é, então, como é que o vírus transpôs a barreira de espécie dos morcegos para o Homem e se no corpo de um hospedeiro intermediário, como as civetas, se pode adaptar de forma a adquirir a capacidade de infectar o Homem.

"De momento não sabemos", diz Peter Daszak, director do of the Consortium for Conservation Medicine em Nova York, que também esteve envolvido no estudo. "Mas podemos fazer uma comparação com outros vírus, por exemplo, não sabemos qual é o hospedeiro original do ébola mas parece que passou para os chimpanzés antes de atacar o Homem. O vírus Nipah, que surgiu na Malásia em 1998 e 99, pensa-se que tinha os morcegos da fruta como reservatório, mas teve de passar para os porcos antes de ser capaz de infectar o Homem."

Assim, as civetas podem ser um "hospedeiro amplificador" para a SARS. Se isto for verdade, uma sugestão óbvia, segundo Peter Daszak, é mantê-las longe dos morcegos-ferradura vivos.

"Na região do sudeste asiático, precisamos de enfrentar comportamentos de alto risco todos os dias", explica ele, "e, nesta situação, trazer estas espécies para os mercados de animais vivos, abatê-las e comê-las ou usá-las na medicina tradicional é um comportamento de alto risco."

O porta-voz da OMS Dick Thompson comenta: "Estamos a considerar esta apenas outra peça do puzzle da SARS. Esta doença ainda não está dominada e é urgente compreender melhor a sua ecologia."

A equipa de investigadores chineses planeia examinar o possível percurso da transmissão do vírus mais de perto. "Vamos alterar algumas sequências de aminoácidos no vírus que identificámos", explica Zhengli Shi, "e verificar se poderá infectar humanos."

A confirmação de que os morcegos-ferradura são a fonte do vírus da SARS pode ter implicações na política de saúde pública futura e nas investigações a realizar. "Estes morcegos têm uma vasta área de distribuição na Europa e na Ásia", diz Peter Daszak, "e não sabemos, mas precisamos de saber urgentemente, qual é a distribuição do vírus tipo SARS nessas populações."

"Numa escala mais vasta, precisamos de vigiar a fauna selvagem em busca de possíveis novas doenças, tentando identificar alterações no ambiente, comportamento humano e demografia que possam levar ao surgimento dessas doenças. Isto porque quase todas as novas doenças que têm surgido recentemente foram conduzidas por alterações no uso da terra."

"A última coisa que devemos fazer é vingar-nos nos morcegos, porque todas as evidências apontam para o facto de eles já transportarem este coronavírus há milhares, talvez milhões, de anos. Apenas recentemente aconteceu este surto, e foi o comportamento humano que alterou este equilíbrio."

 

 

Saber mais:

Institute of Zoology, Chinese Academy of Sciences

The Consortium for Conservation Medicine

Science

Medo da pneumonia atípica lança China numa caça à civeta

Vírus da pneumonia atípica é uma mistura

Comércio de animais na China e Pneumonia atípica

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2005


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com