2005-09-27

Subject: Redes perdidas matam tubarões no Atlântico nordeste

 

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Redes perdidas matam tubarões no Atlântico nordeste

 

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Redes de pesca de água profunda abandonadas estão a matar um enorme número de peixes, especialmente de tubarões, no Atlântico nordeste, revelaram cientistas após a realização de estudos preliminares nessa zona no mês passado.

O alerta surgiu de um projecto conjunto entre o Reino Unido, Noruega e Irlanda que está a examinar a pesca, praticamente sem controlo, que ocorre naquela zona do oceano.

Os investigadores envolvidos no projecto, baptizado DEEPNET, dizem que a situação requer a aplicação de medidas de emergência, que podem passar pelo encerramento da pesca por um período de seis meses, enquanto uma melhor política de gestão dos recursos é posta em acção.

Até 50 navios têm estado a operar em pesca de água profunda a norte e oeste do Reino Unido e da Irlanda desde meados dos anos 90 do século passado. 

Estes navios deixam as redes nas águas profundas do Atlântico durante três a dez dias seguidos, num processo eficiente para a captura de grandes quantidades de peixe mas altamente desperdiçador: cerca de metade das capturas não estão próprias para consumo humano quando as redes acabam por ser recolhidas.

Ainda mais, os navios frequentemente perdem ou abandonam as suas redes, que podem alcançar os 250 Km de comprimento. Estas redes à deriva tornam-se verdadeiras armadilhas mortais no fundo do mar, continuando a capturar e a matar muitas espécies de peixe, como os tubarões.

"Não há qualquer fiscalização sobre o que estes navios estão a fazer ou a pescar", diz Dominic Rihan, um dos peritos técnicos do DEEPNET. "Isto já vem durando desde os anos 90 do século passado e não há literalmente nenhuns dados sobre esta pesca, é quase como se não existisse."

O projecto foi implementado em Março passado, como forma de obtenção de dados e para atrair a atenção internacional para o problema.

Os cientistas do Centre for Environment Fisheries and Aquaculture Science (CEFAS), que trabalha para o governo do Reino Unido, estão a iniciar um estudo mais prolongado, de 20 dias, esta semana. As suas conclusões, que serão conhecidas no final de Outubro, podem ajudar a estabelecer novos regulamentos, consideram os participantes no DEEPNET.

Os investigadores do DEEPNET realizaram uma recolha com redes no mês passado. "O abandono é um aspecto importante da situação. Descobrimos enormes quantidades de equipamento basicamente abandonado", diz Rihan. Algumas das redes que encontraram tinham sido lá deixadas há mais de 8 ou 9 meses.

"Como as correntes são fracas, as redes não ficam emaranhadas. Pelo contrário, ficam infladas, os peixes degradam-se e a rede esvazia-se e volta a encher-se novamente", explica Rihan.

As espécies de águas profundas que são vítimas destas redes incluem o tubarão-lixa de escama Centrophorus squamosus, particularmente vulnerável às perdas populacionais devido à sua baixa taxa reprodutora, e o tubarão português Centroscymnus coelolepis. Outras espécies de peixes ósseos e cartilagíneos são também capturas secundárias indesejáveis, incluindo raias e lingues (um peixe da família do bacalhau de crescimento lento e).

As actuais regras Comunitárias focam o tamanho das redes e as capturas permitidas, mas não há restrições sobre o tempo que as redes podem estar mergulhadas em águas profundas ou sobre quanto peixe pode ser descartado após a sua recolha.

"Existem dois tipos gerais de controlo, um que limita o esforço de pesca e outro para o total das capturas permitidas para uma dada espécie", diz um porta-voz do departamento governamental inglês responsável pelas pescas. Segundo ele, o Reino Unido tem vindo a pressionar a União para o estabelecimento de regulamentos mais restritivos desde a data da sua implementação em 2002.

 

O problema é sempre o tempo e o dinheiro para controlar as acções destes navios, diz Rihan. Ele salienta que os navios frequentemente estão no mar 50 a 100 dias de uma só vez, o que dificulta a colocação de observadores a bordo.

O Departamento das Pescas inglês está neste momento a trabalhar com o projecto DEEPNET para determinar a real extensão do problema, tendo já pedido à Comissão Europeia das Pescas que apresente uma proposta para lidar com a questão. 

Outras Notícias:

Gene pode reverter calvície

 

Os cientistas acreditam que a manipulação genética das células dos folículos capilares pode reverter a calvície. 

Os investigadores descobriram que era possível fazer crescer novamente o pêlo em ratos carecas corrigindo uma mutação, relata a revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

As mutações no gene da calvície significam, tanto no Homem como nos ratos, que o processo de crescimento, perda e substituição do cabelo é perturbado. Este gene funciona reprimindo a produção de uma proteína que prejudica o crescimento do cabelo se se acumular.

Metade dos homens sofrem de calvície aos 50 anos de idade, apesar de existir um enorme variedade de causas diferentes para esse facto, a mutação é apenas uma delas.

Em humanos e ratos com mutações no gene da calvície, o crescimento do cabelo é inicialmente normal mas após a sua queda não volta a crescer, resultando na calvície. 

Os investigadores descobriram que a introdução de um gene normal em ratos carecas permitiu o restabelecimento do processo normal de crescimento do pêlo. Esta descoberta vem lançar nova luz sobre o processo de crescimento do cabelo, na sua maioria mal compreendido.

A investigadora principal Catherine Thompson explica: "O cabelo é mantido através de um processo cíclico que inclui a regeneração periódica dos folículos capilares dependente de células estaminais. O ciclo capilar consiste em 3 estádios definidos, crescimento, regressão e repouso. A perturbação da função do gene da calvície provoca um fenótipo da pele complexo, incluindo defeitos específicos na regeneração dos folículos, tanto no Homem como nos ratos."

Barry Stevens, Secretário-Geral da Trichological Society, representante de cabeleireiros profissionais comenta: "A ideia que está a surgir nos Estados Unidos é que pode muito bem haver uma cura genética para a perda de cabelo."

"Mas ainda que tal venha a ser verdade, ainda há muito trabalho pela frente antes de tal ser aceite. Tudo não passa de um gigantesco quebra-cabeças e estudos como este apenas acrescentam mais algumas peças mas a verdade é que não sabemos quando é que a solução será encontrada."

 

 

Saber mais:

DEEPNET

CEFAS

Fish online

Proceedings of the National Academy of Sciences

 

 

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