2005-09-26

Subject: Mar do Norte precisa de "acção conjunta"

 

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Mar do Norte precisa de "acção conjunta"

 

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O Mar do Norte precisa de ser gerido como um ecossistema uno se se pretende manter para as gerações futuras os stocks pesqueiros e o modo de vida ligado ao mar das populações locais. A afirmação é feita por sociólogos e oceanólogos após um estudo de três anos sobre a pesca da zona.

Após entrevistar pescadores, defensores da natureza e organizações não-governamentais, os cientistas elaboraram o Plano dos Ecossistemas Pesqueiros, que foi dado a conhecer na mais recente reunião do International Council for the Exploration of the Sea (ICES), realizada em Aberdeen.

Assim que o plano, financiado pela Comissão Europeia, esteja afinado, os autores esperam apresentá-lo aos políticos para que seja integrado na política de gestão dos recursos marinhos.

"Tradicionalmente, as espécies têm sido geridas isoladamente, com base do respectivo stock. Assim, analisa-se o bacalhau agora e só depois o eglefin ou a pescada, e sucessivamente", explica Chris Frid, professor biologia marinha da Universidade de Liverpool, Reino Unido.

"Nos últimos 20 anos, tem havido um certo reconhecimento de que o que se faz ao bacalhau afecta o que se faz ao badejo pois estes peixes comem-se um ao outro, mas não houve reconhecimento de que o bacalhau e o eglefin estão a comer outras coisas no mar ou de que a temperatura das águas do mar e a variação anual do clima podem estar a afectar as taxas de sobrevivência dos ovos ou de crescimento dos peixes."

Frid, juntamente com colegas da Universidade de Newcastle e de vários institutos internacionais, usaram a informação recolhida nas entrevistas para decidir quais eram as questões mais importantes e compreender os sentimentos do sector das pescas relativamente aos métodos correntes de gestão e às potenciais alternativas futuras.

"Basicamente, a actividade humana é a única coisa que podemos realmente gerir, logo tentámos criar um conjunto de ferramentas para controlar o impacto humano nestes ecossistemas e manter a sustentabilidade", explica Frid. "Por outras palavras, um oceano saudável que permita capturas que sustentem uma comunidade piscatória."

Com a sobre-exploração dos stocks a aumentar a pressão sobre o Mar do Norte, alguns cientistas sugeriram que a única solução é obrigar à criação de zonas de proibição de pescas.

Na sua apresentação no encontro da ICES, Ronald Fricke, do Staatliches Museum für Naturkunde em Estugarda, Alemanha, apelou a que um terço do Mar do Norte fosse declarado Área Marinha Protegida, com os restantes dois terços a serem explorados em anos alternados.

No entanto, Frid considera que ainda que este tipo de acção ajude a recuperar os stocks pesqueiros, irá ter um efeito devastador sobre as comunidades piscatórias locais.

Se as áreas protegidas poderiam tornar-se potencialmente saudáveis, aquelas onde a pesca continuasse a ser permitida seriam rapidamente degradadas pois os pescadores acotovelar-se-iam nelas tentando manter o seu modo de vida.

 

Pelo contrário, sem a criação de vastas áreas de pesca proibida, o Plano dos Ecossistemas Pesqueiros propõe uma rede de pequenas zonas de pesca proibida como protecção de habitats específicos, como locais contendo esponjas vulneráveis (cruciais para a retenção de matéria orgânica e no fornecimento de nutrientes ao oceano).

Ao mesmo tempo, a pesca seria limitada através de restrições ao número de navios ou de capturas por navio. Finalmente, existiriam medidas técnicas como a substituição de equipamento particularmente destrutivo, como as redes de arrasto.

Qualquer plano destinado à gestão do Mar do Norte e ao seu ecossistema no futuro também tem que considerar os efeitos prováveis das alterações climáticas no ambiente marinho.

Ken Drinkwater, investigador sénior no Institute of Marine Research em Bergen, Noruega, estudou o impacto provável das alterações climáticas ao longo dos próximos 100 anos sobre os stocks de bacalhau no Atlântico norte e concluiu que o bacalhau geralmente habita áreas com temperaturas do fundo de 12ºC ou menos.

Assim, a subida de dois graus na temperatura da água do mar significaria que as populações de bacalhau podem desaparecer na zona mais a sul do Mar do Norte. "Se a pressão da pesca permanecer alta, as populações de peixes estarão mais susceptíveis ao colapso devido às alterações climáticas", diz ele. "Há uma forte interacção entre o ambiente e o clima."

Frid concorda: "Teremos que ter em conta as alterações climáticas no estabelecimento dos níveis de sustentabilidade das capturas. Se o bacalhau se retirar para o norte, a quantidade deste peixe que poderemos capturar de forma sustentada no sul do Mar do Norte será menor."

"Mas poderemos ser capazes de capturar mais salmonete do que até agora pois esta espécie parece estar a aumentar. O ambiente está em permanente flutuação e nos estamos, quem sabe, a acelerar o processo. No entanto, temos a sorte de ter agora uma compreensão muito superior do sistema e, portanto, o potencial para lidar melhor com estas alterações do que tínhamos há 100 anos."

 

 

Saber mais:

International Council for the Exploration of the Sea (ICES)

Política de pesca e protecção do atum está mal direccionada

Nova esperança para o salmão do Atlântico

Pesca do bacalhau proibida?

Ameaça da sobre-exploração dos stocks pesqueiros

 

 

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