2003-12-08

Subject: Órgãos de porco sobrevivem em macacos

News of the Wild

 

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Em destaque:

Órgãos de porco sobrevivem em macacos

 

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Rins de porco geneticamente modificados sobreviveram muito após terem sido transplantados para babuínos, dando uma nova esperança aos investigadores que consideram este sucesso um grande avanço em direcção ao transplante de órgãos de outros animais para o Homem. 

Os porcos usados nesta experiência foram geneticamente modificados de forma a terem órgãos "amigos" do Homem, pois falta-lhes um glícido chave, que geralmente despoleta o sistema imunitário humano e dos macacos. A acção do sistema imunitário resulta na morte dos tecidos estranhos. 

Agora, David Sachs, do Massachusetts General Hospital, transplantou rins dos porcos geneticamente modificados para oito babuínos. Os novos órgãos permitiram aos animais sobreviver até 81 dias, em vez dos cerca de 30 dias de sobrevivência com rins não transgénicos. 

Os resultados mostram que, em princípio, se os órgãos de porco geneticamente modificados ultrapassam a feroz resposta imunitária dos babuínos, deverão igualmente ultrapassar a humana. Os 81 dias obtidos nesta experiência são, de longe, o maior sucesso a nível de sobrevivência de um babuíno com um órgão de porco, embora transplantes de órgãos de babuíno para babuíno continuem a ser melhor sucedidos. 

Os peritos consideram os órgãos de porco geneticamente modificados o desenvolvimento mais prometedor a longo prazo, em direcção aos transplantes animal-Homem, ou xenotransplantes. Espera-se que os órgãos de animais possam, um dia, compensar a enorme carência de órgãos humanos, como corações ou rins. 

Os porcos não têm o gene alfa-1,3-galactosiltransferase ou GGTA1, que comanda a formação de moléculas do glícido alfa-1,3-galactose às células. Os macacos e o Homem apresentam um conjunto de anticorpos que reconhecem instantaneamente este glícido, provocando uma rápida e violenta rejeição, por vezes ao fim de poucos minutos. 

Os investigadores já tinham criado porcos geneticamente modificados para transplantes anteriormente, mas estes animais continham genes que suprimiam este tipo de resposta imunitária, em vez de a evitar de todo. Os animais criados pela equipa de Sachs são porcos miniatura, pelo que os seus órgãos são aproximadamente do mesmo tamanho que os humanos. 

Outra equipa, liderada por David Ayares da Virgínia, teve resultados semelhantes, com órgãos de porcos geneticamente modificados para não expressar o gene GGTA1 a ultrapassarem a rejeição. 

Estas experiências, no entanto, não dão luz verde ao transplante de órgãos de porco para o Homem. Os cientistas ainda têm de ultrapassar outros ataques do sistema imunitário, nomeadamente os minúsculos coágulos de sangue que causaram a morte de alguns dos babuínos de Sachs.

A equipa de Sachs tem usado outros truques para "enganar" o sistema imunitário dos babuínos, incluindo drogas imuno-supressoras. Juntamente com os rins, os investigadores transplantaram pedaços do timo do porco, estimulando a produção de células imunitárias que não estranham as células de suíno. 

Ainda faltam, também, inúmeras barreiras de segurança e de ética a ultrapassar, antes que se possa considerar o transplante de órgãos deste tipo para o Homem. Uma das grandes preocupações é a possibilidade de os órgãos de porcos poderem transportar vírus perigosos e ainda desconhecidos. Muitos cientistas têm igualmente questões éticas relacionadas com a transformação dos animais em fábricas de órgãos para transplantes humanos. 

 

Outras Notícias:

Perigo dos xenotransplantes identificado

 

Os cientistas identificaram (Maio de 2003) a molécula que permite que um conhecido vírus do porco invada células humanas. Esta descoberta pode ajudar a eliminar alguns dos perigos dos transplantes de órgãos de porco para o Homem. 

Os xenotransplantes levantam o medo que um vírus muito comum nos suínos, o retrovírus endógeno dos suínos ou PERV em inglês, possa ser passado ao Homem e causar doenças. 

Agora, a equipa liderada por Clive Patience do Massachusetts, identificou duas moléculas proteicas que permitem essa infecção. Os investigadores podem, agora, desenvolver em laboratório estirpes de ratos transgénicos que apresentem esse receptor e estudar o modo como a infecção progride em presença de tecidos de porco. 

Impedir a rejeição dos órgãos xenotransplantados permanece o maior impedimento ao transplante entre espécies. No entanto, o risco de que os órgãos transplantados transmitam doenças desconhecidas ao Homem, como quando o HIV passou dos chimpanzés para os humanos, permanece como preocupação. Este perigo foi salientado em 1997, quando investigadores descobriram que o vírus PERV, apesar de dormente nas células de porco, infectava células humanas cultivadas lado a lado. 

Apesar deste tipo de problema, até agora, ser apenas teórico, já foram desenvolvidas estirpes laboratoriais de porcos menos capazes de transmitir o PERV e drogas inibidoras dos seu7s receptores também já foram descobertas. 

Antes que os testes clínicos sobre os transplantes porco-Homem possam avançar, os investigadores têm que cumprir os regulamentos impostos por muitos países, que obrigam a que sejam capazes de vigiar e testar qualquer tipo de infecção por PERV. 

Entretanto, outros agentes patogénicos desconhecidos até ao momento podem emergir, pelo que estes estudos ainda estão muito no início. 

 

 

Saber mais:  

Xenotransplantes

Organ Transplants

 

 

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@ Born to be Wild, 2003


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