2005-09-20

Subject: Parasitas de baleia revelam evolução

 

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Parasitas de baleia revelam evolução

 

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Os cientistas examinaram os genes dos 'piolhos' das baleias para compreender a evolução destes cetáceos. Os pequenos crustáceos parasitas foram retirados de baleias francas, conduzidas ao limiar da extinção pela caça comercial à baleia.

A genética dos piolhos revela que os seus hospedeiros se dividiram em três espécies há 5 a 6 milhões de anos, e que todas elas eram igualmente abundantes até ao início da caça comercial à baleia.

O estudo foi realizado por cientistas da Universidade do Utah.

As baleias francas foram as primeiras a ser caçadas comercialmente, há 1000 anos atrás. Receberam esse nome porque eram fáceis de abordar, mantendo-se à superfície após a morte devido à gordura do seu corpo. Estes animais atingem os 18 metros de comprimento e as 70 toneladas de peso.

Duas das três espécies estão em risco eminente de extinção, apenas sobrevivem 200 no Pacífico norte e 350 no Atlântico norte, enquanto no hemisfério sul o efectivo populacional ronda os 8000 a 10000 animais.

Esta nova investigação estudou os genes dos chamados piolhos das baleias, não piolhos verdadeiros mas crustáceos parasitas inofensivos, que vivem na pele dos mamíferos marinhos. A ideia era compreender a evolução destes gigantes através dos genes daqueles que passam mais tempo com eles.

Este tipo de abordagem já tinha sido usado antes, com outros animais, mas foi a primeira vez com baleias. "Os investigadores sonham em experimentar o que as baleias experimentam e ver o mundo com os seus olhos", diz a co-autora do estudo Vicky Rowntree. "Os piolhos das baleias já o fazem há milhões de anos, podem dizer-nos muito."

Os piolhos da baleia parecem minúsculos caranguejos e têm cerca de 0,5-1,5 cm de comprimento. Cerca de 7500 deles vivem na pele de uma única baleia, alimentando-se de pele morta.

Como vivem permanentemente sobre as baleias, ambas as espécies partilham uma história. Em certos aspectos, os genes do parasita dizem mais do que os do hospedeiro acerca da sua evolução.

Os piolhos são geneticamente mais variados e apresentam um maior número de mutações no seu DNA, pois são muito mais numerosos e reproduzem-se mais vezes. Por outras palavras, a evolução partilhada destas espécies é mais fácil de seguir nos piolhos.

As baleias francas são especialmente indicadas para este tipo de estudo, pois apresentam três espécies diferentes de piolhos. Os biólogos do Utah colheram parasitas de baleias encalhadas em todo o mundo, 8 no hemisfério sul, 4 no Atlântico norte e uma no Pacífico norte.

 

Extraíram DNA e analisaram certos genes mitocondriais, pois se as mutações ocorrerem a uma taxa regular, podem ser usadas como relógio molecular para investigar a evolução das espécies.

Com esta informação, construíram árvores genealógicas das piolhos e, logo, das baleias. O estudo dá uma estimativa de quando as espécies de baleia franca divergiram. "Os piolhos mostram que as 3 espécies de baleias francas estiveram isoladas no Pacífico norte, Atlântico norte e hemisfério sul durante cerca de 5-6 milhões de anos", diz Seger, líder do estudo.

Esta escala de tempo está de acordo com estudo anteriores do genoma das próprias baleias. "Este estudo acaba com o debate sobre se realmente existem 3 espécies de baleias francas."

As correntes quentes e as águas rasas junto ao equador impediram a mistura dos animais dos oceanos a norte e a sul. "As baleias francas têm uma camada de gordura tão espessa que não conseguem atravessar o equador", diz Rowntree. "As águas são demasiado quentes e elas não conseguem arrefecer."

Mas o estudo também mostra que pelo menos uma baleia franca conseguiu atravessar o equador há cerca de 1-2 milhões de anos. "Talvez haja alturas em que as águas não são tão quentes e alguns juvenis aventurosos atravessaram", diz Rowntree.

É sabido que as baleias francas do Atlântico norte apresentam uma variabilidade genética menor que as do hemisfério sul, o que pode ser o resultado da caça à baleia mas também se podia ter começado com uma população inicial menor.

No entanto, o estudo revelou que "a diversidade genética dos piolhos das baleias do Atlântico norte é virtualmente tão grande como a dos do sul", diz Seger. "Isto sugere que a menor diversidade no Atlântico norte surgiu recentemente, possivelmente devido à caça à baleia. Os dados do Pacífico norte sugerem o mesmo.

Este tipo de abordagem está também a ser testada em outras espécies ameaçadas, como as baleias cinzentas do Pacífico. 

 

 

Saber mais:

University of Utah

Baleias Francas do Atlântico Norte - o empurrão final para a extinção?

 

 

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