2005-09-19

Subject: Caça excessiva é uma ameaça para os grandes anfíbios

 

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Em destaque:

Caça excessiva é uma ameaça para os grandes anfíbios

 

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Chinese giant salamander  (Andrias davidianus)
A salamandra chinesa gigante é o maior anfíbio vivo mas está em risco eminente de extinção devido à caça ilegal 

A caça ilegal está a conduzir a salamandra chinesa gigante, o maior anfíbio do mundo, ao limiar da extinção. O efectivo desta salamandra, que atinge os 50 Kg de peso, sofreu um drástico declínio nas décadas mais recentes.

As várias formas de conter o declínio dos anfíbios a nível mundial foram discutidas num encontro que decorreu em Washington DC, que terminou com o lançamento de um plano de acção global.

Alguns peritos pensam que a salamandra gigante pode-se tornar uma espécie emblemática para a conservação, tal como o tigre ou o elefante já o são. 

Com o comprimento máximo de 1,5 metros, as salamandras gigantes da China e do Japão são verdadeiros monstros, quando comparados com outros anfíbios, mas o seu tamanho torna-as presas fáceis e lucrativas para os caçadores que vendem a sua carne por cerca de €100 por Kg.

A espécie está protegida mas, na China, a caça ilegal está a conduzi-la rapidamente à beira da extinção. Quantas ainda existem não é certo mas onde as populações foram estudadas registaram-se declínios de 80% em apenas três gerações (cerca de 45 anos).

"Na década de 60 do século passado, mais de 15000 Kg de carne destes animais foi vendida por ano, num único conselho da província de Hunan", diz Michael Lau, especialista em répteis e anfíbios do Kadoorie Farm and Botanic Garden de Hong Kong. "Na década de 70, apenas 2500 a 3000 Kg puderam ser vendidos por ano. Estes animais são fáceis de capturar, escondem-se em fendas das rochas durante o dia, onde as pessoas as encontram."

Lau presidiu ao grupo de trabalho que analisou a recolha excessiva de anfíbios na cimeira de Washington. O grupo recolheu evidências que mostram que um grande número de espécies estão a ser caçadas a níveis insustentáveis, seja como alimento, medicina ou comércio de animais de estimação. Mais de 30 tipos de anfíbios são tradicionalmente usados na medicina chinesa.

"A China é o país onde o problema é mais grave", diz Lau, "mas em muitos outros países do sudeste asiático, as rãs e os sapos fazem parte da alimentação corrente. Também há um problema com as espécies africanas, como o sapo Golias dos Camarões (o maior do mundo) que é caçado como alimento ou as rãs Mantellas de Madagáscar, vendidas como animais de estimação."

 

A cimeira também revelou caça de muitos anfíbios nas Américas central e do sul. "Em várias zonas da Bolívia e Peru, por exemplo, os sapos são alimento para locais e turistas", revela Esteban Lavilla da Fundacíon Miguel Lillo da Argentina.

"Algumas receitas necessitam de 30 rãs para confeccionar um único prato e os locais também os utilizam para a medicina tradicional. Existem associações mágicas, como um feitiço feito colocando a fotografia de alguém de quem não gosta na boca de um sapo e cozê-la." 

As deliberações concluíram que um vasto leque de acções é necessário para combater esta captura excessiva: desenvolvimento de planos específicos para cada uma das espécies ameaçadas, alertar as populações locais para a importância destes animais, controlar o comércio, aumentar a fiscalização e introduzir programas de utilização sustentada onde apropriados.

Mas o problema permanece pois algumas espécies são necessárias como fonte básica de proteínas, enquanto outras são apenas altamente rentáveis.

Michael Lau acredita que a atitude perante os anfíbios está a alterar-se ao longo das gerações humanas. "Em Hong Kong todos comiam quase tudo nos anos 60: rãs, cobras, aves, etc. Mas actualmente, os jovens não querem comer esse tipo de comida, a maioria prefere conservar a natureza, logo quem o faz tem que passar a fronteira."

Para algumas espécies, como a salamandra gigante chinesa, a questão é se o sentimento geral irá mudar suficientemente depressa para impedir que desapareçam completamente.

 

 

Saber mais:

IUCN -The World Conservation Union

Global Amphibian Assessment

Plano de acção para salvar anfíbios vai custar milhões

Testes de gravidez associados ao declínio dos anfíbios

 

 

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