2005-09-18

Subject: Testes de gravidez associados ao declínio dos anfíbios

 

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Testes de gravidez associados ao declínio dos anfíbios

 

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Conservation International/Don ChurchA doença que está a ameaçar os anfíbios de todo o mundo pode ter-se espalhado devido à utilização de rãs em testes de gravidez. A teoria está a ser debatida numa cimeira que decorre em Washington DC, onde os cientistas esperam produzir um plano de acção para a conservação de rãs, sapos e salamandras.

Na década de 30 do século passado, rãs africanas foram exportadas para utilização em testes de gravidez humanos e está a ser agora sugerido que transportavam a doença fúngica consigo. O alastrar desta quitridiomicose é actualmente uma das principais causas do declínio dos anfíbios.

De acordo com a mais recente avaliação global, perto de um terço desta classe de vertebrados está em risco eminente de extinção.

A quitridiomicose é causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis, mas a sua origem e a forma como se propagou ainda não foram adequadamente estabelecidas.

A associação aos testes de gravidez foi proposta no ano passado por um grupo de investigadores liderado por Rick Speare, da Universidade James Cook em Townsville, Austrália. Eles examinaram espécimes de rãs sul-africanas da espécie Xenopus laevis em museus da zona sul de África e descobriram evidências de Batrachochytrium em exemplares tão antigos como de 1938.

Também demonstraram que a incidência de doenças fúngicas em Xenopus no sul de África não se alterou desde 1938. Isto sugere que a rã e o fungo já coexistem há muito tempo, tendo Xenopus desenvolvido a capacidade de resistir à infecção.

"A ideia faz todo o sentido", comenta Peter Daszak, co-presidente do grupo de trabalho sobre a doença no encontro de Washington. "Este é o registo mais antigo deste fungo no mundo, logo pode ser a origem."

Nas décadas de 30 e 40 do século passado, as fêmeas Xenopus era largamente usadas na Europa, Australásia e América do norte para testes de gravidez. Uma amostra da urina da mulher era injectada sob a pele da rã e se a mulher estivesse grávida, as hormonas presentes na sua urina provocariam a ovulação do anfíbio.

Testes alternativos envolviam rãs macho e sapos, que produziam esperma em resposta à hormona humana gonadotrofina.

Milhares de exemplares de Xenopus foram exportados de África todos os anos, potencialmente transportando o fungo Batrachochytrium consigo e, talvez através de animais que ocasionalmente fugiam, colocando-o em habitats de outros continentes, onde causaria danos incalculáveis às espécies de anfíbios mais vulneráveis.

 

A origem e a transmissão do Batrachochytrium são tópicos centrais da cimeira que encerra hoje, segunda-feira, com a apresentação de um plano de acção destinado a suster o declínio global de anfíbios, com mais de 1800 espécies a enfrentar a extinção.

As causas principais para essa situação incluem a perda de habitat, desflorestação, alterações climáticas e poluição mas a micose é claramente a maior e mais surpreendente ameaça.

Conservation International/Don Church"Ainda não sabemos de que forma a micose causa a morte e precisamos urgentemente de o compreender", diz Daszak, director do Consortium for Conservation Medicine. "Pode ser que impeça a entrada de oxigénio pela pele, embora ainda não existam certezas. Também pode bloquear a osmorregulação, alterando o equilíbrio salino do corpo, ou libertar uma toxina, pois também há evidências disso."

Compreender a forma como alguns anfíbios se tornaram imunes à infecção por este fungo pode ser um ponto de partida para o desenvolvimento de tratamentos ou mesmo vacinas mas a urgência da situação de algumas espécies é tal que o plano de acção previsto deve recomendar a implementação de reprodução em cativeiro como opção a curto prazo.

 

 

Saber mais:

Frogs and pregnancy tests

History of Xenopus in pregnancy testing

James Cook University

Consortium for Conservation Medicine

IUCN -The World Conservation Union

Global Amphibian Assessment

Plano de acção para salvar anfíbios vai custar milhões

 

 

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