2005-09-16

Subject: Morcegos mantêm tudo em família

 

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Morcegos mantêm tudo em família

 

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Partilhar o mesmo parceiro sexual com a mãe ou a avó pode-nos parecer estranho mas as fêmeas do morcego de ferradura grande Rhinolophus ferrumequinum do Reino Unido fazem-no a toda a hora.

Este comportamento assegura que os morcegos da colónia são todos aparentados de perto, explica Stephen Rossiter, da Universidade de Londres Queen Mary e principal autor do estudo qe surge na edição desta semana da revista Nature

Os investigadores acreditam que esse tipo de laço familiar forte encoraja a cooperação, como a partilha de alimento, entre os membros da colónia. Mas apesar das fêmeas aparentadas partilharem os parceiros, elas conseguem evitar os problemas genéticos associados à consanguinidade, descobriram eles.

A equipa de Rossiter estudou uma colónia de 45 fêmeas que vive no sótão da mansão Woodchester em Gloucestershire, Reino Unido, ao longo de dez anos. Nesse período de tempo encontraram uma taxa de fêmeas aparentadas a partilhar os parceiros muito superior ao esperado: 11 pares de mães e filhas partilharam os parceiros sexuais pelo menos uma vez, por exemplo, bem como 7 pares de avós e netas. 

No entanto, no meio de toda esta partilha, apenas ocorreu um caso em que uma fêmea acasalou com o seu próprio pai. A forma como as fêmeas evitam acasalar com os seus parentes mais próximos não é clara, talvez utilizem o olfacto como pista, especula Rossiter.

Durante 10 anos, Rossiter e os seus colegas capturaram fêmeas no início do Verão, quando a sua cria ainda era amamentada, o que facilitava a identificação da relação parental. 

Para determinar quem era o pai da cria, os investigadores usaram os mesmos testes de paternidade que os tribunais usam para o Homem: analisaram sequências de DNA repetitivas e altamente variáveis nos possíveis progenitores e descendência. Neste caso, os progenitores podiam ser todos os machos das cavernas vizinhas, num raio de 30 Km.

Muitas fêmeas acasalaram com o mesmo macho vários anos, uma surpresa pois pensa-se que a maioria dos morcegos são polígamos. "Ficámos muito espantados", diz Rossiter. "Perto de 60% das fêmeas acasalaram com o mesmo macho mais de uma vez."

 

O estudo de uma década é a análise mais aprofundada das relações entre os morcegos, diz Maarten Vonhof, perito em morcegos da Universidade Western Michigan em Kalamazoo, Michigan. O comportamento de acasalamento foi estudado em apenas dez das perto de 1000 espécies conhecidas de morcegos, acrescenta ele, e na sua maioria esses estudos duraram apenas alguns anos. "Só um estudo destes poderia alguma vez realizar este tipo de análise."

Não é claro de que forma uma fêmea pode encontrar o mesmo macho várias vezes. Todos os anos, geralmente no Outono, elas voam para as cavernas para acasalar, logo talvez as mães ensinem as filhas onde se encontram essas cavernas, diz Rossiter. As fêmeas que acasalaram armazenam o esperma até à ovulação em Abril, após o que regressam ao sótão no Verão, para dar à luz e criar o juvenil.

Para as fêmeas, manter um macho que produz descendência saudável faz sentido do ponto de vista evolutivo, tal como as boas relações de vizinhança. Afinal as fêmeas de morcego de ferradura grande passam a maior parte dos seus 30 anos de vida na mesma colónia, partilhando os locais de alimentação e minúsculos locais de abrigo que as mantêm quentes. Por tudo isto, um incentivo genético para a cooperação pode ser uma vantagem.

Rossiter tenciona estudar de seguida o plano genético associado ao sentido do olfacto dos morcegos, para verificar se consegue determinar a forma como as fêmeas conseguem evitar escolher um parente directo como parceiro sexual.

 

 

Saber mais:

Mamíferos de Portugal

Animal Behaviour- Eavesdropping on bats

 

 

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