2005-09-14

Subject: Plano de acção para salvar anfíbios vai custar milhões

 

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Plano de acção para salvar anfíbios vai custar milhões

 

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Conservation International/Don ChurchOs cientistas vão-se reunir este fim-de-semana para lançar um plano de acção destinado a travar o declínio global das espécies de anfíbios. Cerca de um terço dos sapos, rãs e salamandras existentes enfrentam a extinção a curto prazo, devido a ameaças como doenças fúngicas, poluição e perda de habitat.

O encontro vai decorrer em Washington DC e espera-se que apele ao estabelecimento de um programa de reprodução em cativeiro em larga escala. O custo da preservação dos anfíbios do planeta pode atingir as dezenas de milhões de dólares todos os anos.

A extensão do declínio dos anfíbios a nível mundial foi revelada em Outubro passado, com a publicação de um estudo mundial exaustivo, designado Global Amphibian Assessment. O estudo revelou que perto de um terço das 5743 espécies conhecidas estão classificadas como criticamente ameaçadas, ameaçadas ou vulneráveis, de acordo com os critérios estabelecidos pela IUCN, The World Conservation Union.

Trinta e quatro espécies estão confirmadamente extintas e mais de uma centena de outras não são avistadas à tanto tempo que os cientistas acreditam que também devem estar extintas.

Estabelecer as causas exactas por trás deste preocupante declínio, no entanto, tem sido bem mais difícil que revelar os números que o confirmam.

A maior ameaça única parece ser um fungo, Batrachochytrium dendrobatidis, identificado pela primeira vez há apenas seis anos e que se encontra firmemente estabelecido em partes das Américas, Austrália e Europa. A doença que causa, uma quitridiomicose, parece ser fatal para os anfíbios por danificar a sua pele sensível e impedindo a passagem de ar e humidade.

CTylototriton shanjing (Henk Wallays)Outras ameaças incluem doenças virais, perda de habitat, seca, poluição e a caça destes animais como alimento para o Homem.

Acredita-se que stresses ambientais, como a seca ou a poluição, podem tornar os animais mais vulneráveis ao fungo, talvez enfraquecendo o seu sistema imunitário ou reduzindo o seu peso ao nascimento.

"As pistas apontam este fungo como o culpado", explica o presidente do grupo de estudo de anfíbios da IUCN Claude Gascon. "Temos alguma ideia do que ele faz mas não sabemos de onde vem ou de que forma é que espalha, nem como controlá-lo na natureza. Isso deixa-nos com poucas opções, a não ser salvar algumas populações em risco de contrair a doença e tentar reintroduzi-las na natureza quando tudo estiver limpo ou tiver surgido uma forma de viverem com o fungo."

 

A escala do programa de salvamento posto a discussão no encontro deste fim-de-semana é de cortar a respiração. Os documentos apresentados sugerem que espécimes de várias centenas de espécies de rãs, sapos, salamandras e cecílias (anfíbios sem patas) sejam retirados urgentemente da natureza e colocados em programas de reprodução em cativeiro.

Quando mais dados forem conhecidos sobre as espécies menos estudadas, cerca de outras mil espécies também podem passar a ser candidatas a esse procedimento.

Conservation International"O preço de todo este programa vai ser imenso, dezenas de milhões de dólares por ano, durante pelo menos uma década", explica Claude Gascon, que também é o vice-presidente sénior para os programas regionais da Conservation International. "Precisamos, por exemplo, de maior espaço em jardins zoológicos de todo o mundo para o programa de reprodução em cativeiro e isso é algo com que os governos talvez possam ajudar."

Estudos anteriores ao encontro desta semana também têm analisado outras questões, para além do ataque do fungo. 

Vai-se apelar, por isso, a que mais habitats sejam protegidos, que haja mais testes aos químicos agrícolas numa tentativa de descobrir se serão tóxicos para os anfíbios e para ao restabelecimento de um laboratório central de estudo do fungo e de outros agentes patogénicos.

Devido à sua sensibilidade aos factores ambientais, os anfíbios são muitas vezes conhecidos como os "canários na mina de carvão", um sistema de aviso precoce contra o declínio ecológico, que também terá impacto sobre outras espécies, incluindo o Homem.

 

 

Saber mais:

IUCN -The World Conservation Union

Global Amphibian Assessment

Conservation International

Anfíbios enfrentam futuro sombrio

300 espécies criticamente ameaçadas não têm qualquer protecção

 

 

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