2005-09-08

Subject: Katrina recorda os apelos à conservação 

 

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Katrina recorda os apelos à conservação 

 

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Na sequência do furacão Katrina os peritos têm esperança que os pântanos e sapais naturais que protegem a costa do golfo do México possam ser restaurados. A falta de uma ecologia saudável na área, referem, aumentou os estragos causados pela tempestade de Agosto, que deve servir de lição para outras áreas que necessitam de protecção.

É sabido há muito que as ilhas-barreira arenosas e os bayous pantanosos da costa do Louisiana actuam como deflectores e absorvem a energia das ondas. Estas características naturais estão, no entanto, a desaparecer: mais de 60 Km2 de costa são erodidos todos os anos.

E existe muito pouco lodo e materiais argilosos a atingir a zona para substituir os materiais erodidos. A agricultura moderna impede o transporte dos sedimentos finos, tal como as barragens, logo o tradicional aspecto lamacento do Mississipi já não é muito vulgar.

"Parece verde visto de cima, já não transporta o lodo que costumava", diz Gerald Duszynski olhando o rio do seu escritório em Baton Rouge. Duszynski é o secretário-assistente do Gabinete de Restauração e Gestão da Costa do Departamento dos Recursos Naturais do Louisiana.

As frequentes tempestades de baixa intensidade têm vindo a fustigar a zona ao longo do tempo, arrastando muita da terra que resta. O United States Geological Survey relata que muitas das ilhas-barreira ao largo da costa do Louisiana foram completamente destruídas pelo Katrina.

Robert Twilley, perito em ecossistemas costeiros da Universidade Estatal do Louisiana, não tem a certeza se as coisas teriam sido muito diferentes em Nova Orleães se o delta permanecesse um pântano do tamanho do Delaware, "mas as comunidades alongo da costa do golfo do México teriam ficado muito melhor", diz ele.

Twilley recorda o efeito de tempestades menores em algumas áreas há 50 anos: "Há pessoas que nunca viram água no quintal e agora não só a água cobre o quintal como também a estrada. Sem qualquer dúvida, a nossa paisagem costeira costumava proteger-nos das tempestades."

Protecção fornecida pela paisagem e pelos ecossistemas já tinha sido notada noutras zonas. Bandas saudáveis de recifes de coral e mangais, por exemplo, salvaram algumas zonas dos danos do tsunami no oceano Índico em Dezembro passado, enquanto áreas degradadas próximas foram devastadas. 

 

Os peritos alertam para a crucial importância crucial da protecção da costa nessas zonas. "O Bangladesh está a perder as suas costas tanto como nós e também sofrem o impacto de tufões, em tudo equivalentes aos nossos furacões", salienta Gregory Stone do Coastal Studies Institute em Baton Rouge.

Um documento de 1998 intitulado Coast 2050, escrito por funcionários governamentais, já pedia um investimento significativo na restauração das zonas húmidas, não só para benefício das pescas e das espécies ameaçadas, mas para que funcionassem como "zonas tampão contra as vagas batidas pelos furacões."

O Departamento de Recursos Naturais do estado do Louisiana refere que irá actuar em relação às prioridades estabelecidas nesse plano, dependendo de fundos que sejam aprovados pelo congresso americano este ano. 

O financiamento deve, no entanto, ser bem menor que os $14 mil milhões estimados para o custo total do plano. Observadores consideram mais provável que sejam atribuídos $1,9 mil milhões ao longo de um período de 10 anos.

"Os serviços prestados pelos ecossistemas são muito difícil de 'vender' ao congresso, é preciso dizer", diz Twilley, que tem trabalhado com o governo do estado na gestão da costa. Não é claro se este desastre aumentará a visibilidade da zona e permita a libertação de fundos, ou se o dinheiro será gasto na reconstrução imediata.

"Precisamos de um financiamento sustentado para o nosso problema crónico de erosão", defende Stone. "Os cientistas estão realmente frustados com o modo como o problema tem sido ignorado. Penso que, muitas vezes, é preciso uma catástrofe para acordar o mundo."

 

 

Saber mais:

Coast 2050

Briefing- devastation in New Orleans

 

 

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