2005-09-05

Subject: SOS em nome do coral de água profunda da Irlanda

 

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SOS em nome do coral de água profunda da Irlanda

 

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Coral (AWI/IFREMER)Os espectaculares corais de água profunda ao largo da costa sudoeste da Irlanda precisam de protecção urgentemente, alertam os cientistas. Esta situação vai ser apresentada na próxima segunda-feira numa conferência a decorrer em Dublin.

O biólogo marinho Jason Hall-Spencer diz que habitats únicos estão a ser arrasados pelos pesados equipamentos de pesca. Ele tem provas em vídeo dos danos e pretende que as autoridades encerrem a zona de modo a proteger as áreas ainda intactas.

Segundo Hall-Spencer um sistema de vigilância por satélite pode ser usado para policiar os barcos de pesca e mantê-los longe dos recifes. 

"Um recente lei europeia exige que os barcos acima de um certo comprimento transportem uma caixa negra a bordo", explica o investigador da Universidade de Plymouth. "O Esquema de Vigilância de Navios (EVN) nunca foi utilizado para proteger os habitats do fundo mas é precisamente isso que deve ser feito. Podíamos fechar essas áreas e se as pessoas lá fossem pescar poderíamos sabê-lo e processá-las. É tempo de agir."

A proposta de Hall-Spencer para a protecção activa dos corais de água profunda da Irlanda: a presença de caixas-negras nos navios permitiria aos centros de vigilância localizar todos os navios. Se estes penetrassem na zona protegida seriam avisados e se não obedecessem à ordem de regresso seriam abordados por patrulhas aéreas ou marinhas.

Hall-Spencer estudou vastas secções dos recifes, localizadas a cerca de 100 Km da costa a sul de Rockall. A sua viagem fez parte de um projecto internacional que utilizou um navio de investigação alemão e um veículo operado à distância baptizado Victor, que pode filmar em profundidade e trazer amostras para a superfície.

 

Hall-Spencer vai descrever o seu trabalho no Festival de Ciência anual da British Association, que decorrerá este ano em Dublin.

"Poucos se apercebem que temos habitats tão preciosos, interessantes e mesmo dramáticos mesmo à porta de casa", diz Hall-Spencer. "Alguns dos organismos que podem ser encontrados lá em baixo ainda não foram descritos pela ciência."

Há muito que os peritos sabem dos corais e esponjas de águas tropicais, rasas e quentes, mas apenas descobriram os corais de água profunda em finais do século XIX.

Mesmo assim, só muito recentemente é que se tornou claro até que ponto estas "florestas" de corais de água fria eram comuns no planeta, frequentemente localizadas nas orlas das plataformas continentais ou em volta de elevações submarinas.

O colorido recife, e toda a comunidade animal que suporta, tem um crescimento extremamente lento e, por isso mesmo, são particularmente vulneráveis a qualquer tipo de perturbação, razão porque os biólogos marinhos estão tão alarmados com o facto de a industria pesqueira estar de olho nestas áreas.

A última geração de redes está armada com pesos de aço ou fortes rodízios e destrói tudo na sua esteira. 

Hall-Spencer datou, com a ajuda de radio-carbono, algumas amostras de coral recolhido ao largo da Irlanda e descobriu que têm 4500 anos de idade. "Usámos o rôbo durante sete dias seguidos e diria que 40% da área de estudo tinha sido destruída. O coral que filmámos não vai recuperar durante o tempo da nosso vida."

Anemona (AWI/IFREMER)Estão a ser feitos esforços a nível das Nações Unidas para restringir a utilização de arrasto de fundo, uma prática altamente destrutiva, mas estão a encontrar uma feroz resistência por parte de alguns países, diz Alex Rogers, do British Antarctic Survey.

"Em termos destas frotas de arrastões de água profunda, trata-se na realidade de um reduzido número de navios de pesca, talvez um par de centenas de barcos", diz ele. "Mas estes navios são grandes e poderosos, operados por um pequeno número de países desenvolvidos, incluindo europeus, e estão a causar um impacto muito sério em algumas das suas espécies-alvo, para além de uma destruição muito, muito grave no fundo do mar."

 

 

Saber mais:

Trinity College Dublin

Science for a Successful Ireland

 

 

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