2005-09-04

Subject: Ambiente é crucial no combate à pobreza

 

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Ambiente é crucial no combate à pobreza

 

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Um dos Objectivos do Milénio, a redução para metade da pobreza no mundo, não pode ser alcançado sem uma melhor defesa do ambiente, revela um novo estudo agora publicado.

O documento intitulado Recursos Mundiais 2005 refere que a maioria das populações mais pobres dependem directamente da natureza como fonte de rendimento. Os seus autores afirmam que a manutenção do foco sobre a ajuda directa a essas populações ajudou a desviar a atenção de questões mais complexas, como o ambiente.

O relatório foi patrocinado pelas Nações Unidas e é conhecido duas semanas antes do início de uma cimeira ao mais alto nível que pretende rever o progresso feito em direcção à realização de todos os Objectivos.

A Recursos Mundiais é uma publicação bienal do grupo de investigação americano World Resources Institute (WRI).

A apresentação da edição deste ano, com o subtítulo "Gerindo os ecossistemas para combater a pobreza", é particularmente pertinente, chegando mesmo antes da Cimeira Mundial das Nações Unidas, onde estarão presentes de mais 190 países e serão revistos os progressos feitos sobre os Objectivos do Milénio, adoptados pelos chefes mundiais há cinco anos.

O primeiro e possivelmente o mais importante desses Objectivos era a redução a metade do número de pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza, definido como um rendimento de menos de US$1 por dia, até 2015. Esta situação é especialmente grave na África sub-sahariana.

"Temos a Cimeira dos Objectivos do Milénio à porta, temos Tony Blair a fazer da pobreza e de África um dos principais temas da cimeira do G8, nunca a pobreza esteve tão alto nas agendas políticas", diz o presidente do WRI, Jonathan Lash. 

"Mas se não estabelecermos a ligação crucial entre a pobreza, o ambiente e uma boa gestão sustentada, será impossível atingir o Objectivo da pobreza. Setenta e cinco por cento dos mais pobres do mundo são pobres rurais, que dependem directamente dos sistemas naturais para o seu modo de vida."

O relatório apresenta cinco situações para reforçar o seu argumento de que a protecção ambiental e a redução da pobreza andam de mãos dadas:

1º na Namíbia, entregar às comunidades locais o poder de conservar a vida selvagem permitiu um aumento do rendimento, por aumento dos postos de trabalho e turismo, e a uma recuperação do efectivo das espécies selvagens;

2º no estado indiano de Maharashtra, uma melhor gestão dos recursos hídricos, através de medidas como a plantação de árvores, eliminou a dependência da importação de água e aumentou o rendimento das populações locais;

3º no norte da Tanzânia, o retorno ao tradicional modo de gestão da terra com o seu coberto vegetal melhorou a dieta, aumentou o rendimento da população e trouxe de volta a fauna selvagem;

4º em várias ilhas indonésias, o treino das populações locais para a documentação e denúncia de abate ilegal de florestas protegidas permitiu o crescimento de actividades como a pesca nos rios, que dependem das árvores para a sus sustentabilidade;

5º nas ilhas Fidji, encorajar as comunidades locais a acordar e cumprir quotas de captura de bivalves permitiu a recuperação dos stocks e assegurou a manutenção de rendimento sustentado a longo prazo.

 

Mas Jonathan Lash está pessimista em relação à probabilidade de compreensão, ao mais alto nível, desta associação próxima entre a protecção do ambiente e a pobreza. 

"Nos Objectivos do Milénio o ambiente era tratado como algo secundário e parece-me que tem havido uma tendência para se focar mais em questões como ajuda em larga escala, comércio e redução da dívida. Estas questões são importantes mas não suficientes."

"Focar-se nas necessidades dos pobres rurais é mais complicado porque se trata de uma comunidade de cada vez e não há os resultados imediatos que muitas vezes exigimos aos líderes mundiais, coisa do tipo 'façam algo suficientemente grande que possa ser visto no telejornal das oito da noite'."

Mas a não ser que a importância do ambiente seja compreendida e se actue rapidamente de acordo com isso, o relatório conclui que o Objectivo do Milénio relativo à pobreza não será alcançado.

Um prefácio escrito por figuras importantes do Banco Mundial e dos Programas das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento salienta os números devastadores que foram revelados este ano, após um estudo de 4 anos sobre o declínio ambiental global, a Avaliação dos Ecossistemas do Milénio:

1º os organismos estão a desaparecer a cerca de 100 a 1000 vezes mais rapidamente do que o registo fóssil mostra em tempos passados;

2º um terço dos anfíbios, um quinto dos mamíferos e um oitavo das aves do planeta estão ameaçados de extinção;

3º cerca de 35% dos mangais e 20% dos bancos de coral já desapareceram.

"Se a base dos recursos naturais não for gerida a longo prazo, se for explorada e poluída apenas para a obtenção de lucro rápido, não poderá alimentar o desenvolvimento económico à escala necessária para reduzir a pobreza", pode ler-se nesse prefácio.

Este é apenas o último de uma série de relatórios que vêm publicamente por em causa a capacidade da comunidade internacional para atingir os Objectivos do Milénio, particularmente em África, apesar de ser o único, até à data, a associar a falta de progressos com as preocupações ambientais.

Também há grande preocupação pelo facto de os líderes do mundo desenvolvido terem optado por reduzir a importância dos Objectivos do Milénio durante a Cimeira Mundial, que tem início a 14 de Setembro, e colocar o acento na segurança e no terrorismo.

 

 

Saber mais:

World Resources Institute

UN Millennium Goals

United Nations Environment Programme

Um mundo em alteração revelado em atlas da UNEP

 

 

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