2005-09-01

Subject: Grandes símios extintos no espaço de uma geração

 

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Grandes símios extintos no espaço de uma geração

 

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Alguns dos grandes símios, chimpanzés, gorilas e orangutangos, podem estar extintos na natureza no espaço de uma geração humana, concluiu uma nova avaliação do seu efectivo.

A colonização humana, o abate de árvores, a mineração e as doenças significam que o orangutango pode perder metade do seu habitat na Indonésia em apenas 5 anos. Existem actualmente mais de 20000 seres humanos no planeta para cada chimpanzé.

Todos estes dados alarmantes são incluídos no World Atlas of Great Apes and their Conservation (Atlas Mundial dos Grandes Símios e da sua Conservação), publicado pela agência para o ambiente e a biodiversidade das Nações Unidas.

O atlas recolhe dados de numerosas fontes, numa tentativa de avaliar de forma rigorosa as perspectivas dos grandes símios que ainda restam: gorilas, chimpanzés e bonobos de África, e orangutangos do sudeste asiático. A conclusão geral é que as perspectivas são, no mínimo, sombrias.

"Todos os grandes símios estão listados como ameaçados ou criticamente ameaçados", comenta a co-autora do atlas Lera Miles do World Conservation Monitoring Centre de Cambridge. "Criticamente ameaçado significa que o seu número já decresceu, ou vai decrescer, 80% nas próximas três gerações."

Uma das espécies criticamente ameaçadas é o orangutango de Sumatra, do qual restam cerca de 7300 animais na natureza. A maioria vive na província de Aceh, na extremidade norte da ilha, palco de décadas de conflitos armados entre o governo indonésio e rebeldes separatistas e que sofreu fortemente com o tsunami de Dezembro. Em meados de Agosto foi assinado um acordo de paz, que terminou 29 anos de conflito.

"A ironia é que à medida que as coisas melhoram para as populações de Aceh, estão a piorar para a vida selvagem, com as pessoas a recolher madeira, activando concessões madeireiras esquecidas e um alastrar do abate ilegal da floresta", diz Miles. "As projecções actuais mostram que daqui a 50 anos podem restar menos de 250 animais na natureza, o que não é um efectivo viável para a população de orangutangos."

A outra espécie de orangutango, no Bornéu, está melhor, com cerca de 45000 animais na natureza. Ainda assim, os dados recolhidos para este relatório pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) e pela sua agência para a biodiversidade World Conservation Monitoring Centre (WCMC) sugerem que o seu número já é 10 vezes menor do que era em meados do século passado.

The ranges of the Sumatran and Bornean orangutan.  Unep-WCMC

O gorila da montanha Gorilla gorilla beringei da República Democrática do Congo e o gorila Cross River Gorilla gorilla diehli, encontrado na fronteira entre a Nigéria e os Camarões, também estão listados como criticamente ameaçados, com efectivos estimados em 700 e 250 animais, respectivamente.

Para os gorilas e os chimpanzés, a febre hemorrágica do ébola é também uma ameaça significativa. Não é claro porque o ébola está a atacar tão fortemente os grandes símios mas pode estar associado ao aumento da desflorestação. Uma teoria considera que um animal, ainda não identificado, que vive nas orlas da floresta está agora a transmitir o vírus mais para o interior devido ao abate de árvores.

Um grupo de peritos reunidos em Maio acaba de publicar um plano de acção para a preservação dos grandes símios na África ocidental equatorial. "Se descobrirmos formas de proteger estes primatas do ébola, também estaremos a proteger o Homem", referem.

Mas a doença não é a única ameaça ao bem-estar de chimpanzés, bonobos e gorilas. O comércio de carne selvagem e a perda de habitat são questões cruciais. A década de 90 revelou um declínio das florestas em todos os países onde estes animais vivem.

O atlas tem um prefácio do Secretário-Geral da ONU Kofi Annan, onde se defende a protecção destes animais. "Os grandes símios são nossos parentes próximos, como nós têm consciência de si próprios e têm cultura, ferramentas, política e medicina. São capazes de aprender linguagem gestual e ter conversações com pessoas e entre si. Infelizmente, no entanto, isso não fez com que os tratássemos com o respeito que merecem."

 

Outras Notícias:

Completa sequênciação do genoma do chimpanzé

O código genético do nosso parente vivo mais próximo, o chimpanzé, foi totalmente sequênciado e analisado por uma equipa internacional de investigadores.

Os cientistas dizem que a informação é um marco fundamental na busca do que nos distingue dos outros animais.

A comparação dos genomas mostra que os chimpanzés e o Homem são cerca de 99% idênticos nas áreas mais importantes do código da vida.

A equipa escreve na edição mais recente da revista Nature que as investigações futuras irão revelar a importância destas pequenas diferenças.

O estudo foi realizado por uma equipa internacional designada Chimpanzee Sequencing and Analysis Consortium, composta por 67 cientistas de 23 instituições de investigação localizadas nos Estados Unidos, Alemanha, Itália, Israel e Espanha. 

O trabalho fornece um catálogo das diferenças genéticas que surgiram desde que os chimpanzés e o Homem divergiram a partir de um ancestral comum, há cerca de 6 milhões de anos.

"Como os nossos parentes mais próximos do ponto de vista evolutivo, os chimpanzés são especialmente bons para nos ensinarem mais sobre nós próprios", diz o autor principal do estudo Robert Waterston, presidente do Departamento de Ciências do Genoma da Escola de Medicina da Universidade de Washington em Seattle. 

"Ainda não temos a resposta à questão fundamental: o que nos torna humanos? Mas esta comparação a nível do genoma reduz drasticamente a busca pelas diferenças biológicas chave entre as duas espécies."

Os investigadores esperam que a análise destes poucos pontos de separação possa também aumentar a pressão para salvar os chimpanzés e outros grandes símios na natureza.

O estudo mostra que os nossos genomas são espantosamente similares. Diferimos apenas em 1,2% em termos de genes que codificam as proteínas que constróem e mantêm os nossos corpos. Esta diferença cresce para cerca de 4%, quando se considera o DNA "lixo" ou DNA não codificante.

O objectivo a longo prazo do projecto é assinalar as alterações genéticas que levaram ao surgimento das características humanas, como a linguagem complexa, o bipedismo, o cérebro grande e utilização de ferramentas.

A comparação do nosso genoma com o de outras espécies fornece um tesouro de informação para a compreensão da biologia e evolução humanas.

"Com a emergência das sequências de outros mamíferos e primatas nos próximos anos, seremos capazes de determinar quais as alterações específicas da linhagem humana", diz Tarjei Mikkelsen, do Instituto Broad, do Massachusetts Institute of Technology e da Universidade de Harvard.

Também surgirão importantes avanços para a medicina, pois, por exemplo, já é claro que 3 genes cruciais para o surgimento da inflamação parecem estar ausentes nos chimpanzés. Este facto pode explicar algumas das diferenças conhecidas entre o Homem e o chimpanzé no que respeita às respostas imunitária e inflamatória.

Pelo contrário, o Homem parece ter perdido o gene funcional da caspase-12, que pode proteger outros animais contra a doença de Alzheimer.

O DNA para o estudo é proveniente do sangue de um chimpanzé macho baptizado Clint, que esteve alojado no Yerkes National Primate Research Center em Atlanta. O animal morreu de falha cardíaca no ano passado mas algumas das suas células foram preservadas para investigações futuras.

A espécie estudada foi o chimpanzé comum Pan troglodytes, cuja única parente directa é o chimpanzé pigmeu ou bonobo Pan paniscus.

O chimpanzé é uma de mais de duas dúzias de genomas de mamíferos que já foram, ou estão a ser, sequênciados e analisados, onde se incluem o rato, a ratazana, o cão e a vaca.

 

 

Saber mais:

Great Apes Survival Project

Atlas of Great Apes

Unep's World Conservation Monitoring Centre

The Jane Goodall Institute

Nature

 

 

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