2005-08-30

Subject: Testes sanguíneos detectam priões mortíferos

 

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Testes sanguíneos detectam priões mortíferos

 

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Há anos que os peritos temem que milhares de pessoas sejam portadoras e transmissoras insuspeitas da variante humana da chamada doença das vacas loucas, uma nova variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD). Agora um simples teste sanguíneo pode acabar de vez com a sua preocupação ou confirmar o seu pior pesadelo.

Os investigadores tiveram sucesso em detectar de forma fiável as proteínas defeituosas responsáveis pela vCJD em amostras de sangue retiradas de hamsters. O teste levou apenas alguns dias a realizar.

Se a técnica funcionar tão bem em humanos pode vir a ser usada para verificar os bancos de sangue. De momento, esse tipo de verificação não existe e duas das pessoas que morreram com vCJD no Reino Unido contraíram a doença através de transfusões de sangue.

Se melhorado, o teste pode mesmo vir a ser utilizado para analisar os animais e despistar a presença da antes da entrada da carne na cadeia alimentar.

Esta doença rara é causada, segundo se pensa, pela formação de proteínas anormais, conhecidas por priões, no cérebro. Estas proteínas mal formadas multiplicam-se, aparentemente, alterando a conformação das proteínas normais com que entram em contacto, conduzindo eventualmente a doenças neurodegenerativas fatais.

Os priões concentram-se no cérebro, o que torna excepcionalmente difícil os poucos que circulam no sangue. Para descobrir se um animal está infectado com a doença, os peritos têm que o matar para obter o tecido cerebral em que realizam os testes.

Alguns cientistas já tinham tentado extrair sangue de animais vivos e injectá-lo no cérebro de outro animal. De seguida, esperavam, tipicamente durante meses, para ver se o animal receptor desenvolvia os sinais da doença.

No entanto, este método complicado apenas era bem sucedido na detecção da infecção em 31% das vezes em que estava presente, refere o neurocientista Cláudio Soto da Universidade do Texas em Galveston. Mais ainda, não é claro que o sangue retirado de humanos possa atravessar a barreira da espécie para reproduzir a doença em animais de testes, como os hamsters.

Assim, Soto decidiu desenvolver uma nova opção: amplificar os níveis negligenciáveis de proteínas mal formadas presentes no sangue para um nível mais facilmente detectável.

A sua equipa ultrapassou a primeira barreira em direcção a este objectivo há quatro anos, quando conseguiu replicar os mortíferos priões do cérebro de hamster.

 

A técnica envolve a mistura de proteínas normais com quantidades minúsculas da sua versão infecciosa num tubo de ensaio, causando a multiplicação das moléculas anormais e a sua precipitação, tudo num período de cerca de meia hora. Um impulso sonoro quebra, de seguida, o precipitado, libertando as proteínas defeituosas para uma repetição do processo.

Soto e a sua equipa já melhoraram e automatizaram este processo, transformando-o num teste viável. Uma máquina com o tamanho de um forno microondas pode realizar 140 destes ciclos em 70 horas.

Testes em 18 hamsters doentes e em 12 saudáveis revelaram que este método pode detectar priões 50% das vezes em que estão presentes após duas passagens por 140 ciclos. Após seis passagens este número passa para 89%. O teste não revelou nenhum falso positivo, revela a equipa no número mais recente da revista Nature Medicine.

Soto refere que a adaptação da técnica ao funcionamento com sangue humano não deve levar mais que seis meses mas insiste na necessidade de se proceder a muito mais testes, para além da ponderação sobre os aspectos éticos da detecção de uma doença para a qual não existe cura conhecida. 

"Tal como com todos os grandes avanços, temos que esperar que seja confirmado por outros laboratórios antes de se cantar vitória", diz Pierluigi Gambetti, director do National Prion Disease Pathology Surveillance Center da Universidade Case Western Reserve em Cleveland, Ohio. Ele salienta que a injecção inicial de priões infecciosos no cérebro dos hamsters criou uma ferida de perfuração que pode ter ajudado os priões a invadir a corrente sanguínea. Esta circunstância pouco habitual pode ter artificialmente aumentado a sensibilidade do teste, acrescenta ele.

Seja como for, o teste pode ajudar a responder à questão de quanto portadores silenciosos ainda vivem no Reino Unido e outros países europeus. A resolução deste problema pode ajudar a prever a futura incidência da doença, dando às companhias farmacêuticas uma razão para investir na procura de um tratamento.

 

 

Saber mais:

The University of Texas Medical Branch

NIH factsheet on prion diseases

Priões infecciosos necessitam de "ajudantes"

Tibetanos mostram a evolução em acção

Priões aceleram evolução?

 

 

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