2005-08-28

Subject: Árvores não absorvem dióxido de carbono como esperado

 

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Árvores não absorvem dióxido de carbono como esperado

 

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As árvores não parecem crescer mais depressa quando recebem uma dose extra de dióxido de carbono, descobriram cientistas suíços.

Este estudo pode deitar por terra a crença generalizada que o crescente teor de dióxido de carbono na atmosfera poderia ser parcialmente controlado por uma aumento do crescimento vegetal a nível global.

Alguns investigadores tinham sugerido que, com o aumento do nível de dióxido de carbono, as plantas iriam literalmente florescer, usando-o para a fotossíntese. As árvores teriam possibilidade de crescer mais depressa e as plantas herbáceas tornar-se-iam mais abundantes, o que ajudaria a remover da atmosfera parte do excesso deste gás de efeito de estufa.

Mas um estudo de uma vasta área de floresta de folha caduca perto de Basel na Suíça, que foi artificialmente pulverizada com um excesso de dióxido de carbono ao longo de anos, não revelou esse aumento na taxa de crescimento.

"Alguns cientistas e políticos agarram-se à ideia de que um futuro rico em dióxido de carbono pode favorecer o aumento do verde no planeta mas chegou a altura de os desiludir", diz Christian Körner, ecologista vegetal da Universidade de Basel e líder do estudo. "O que permanece é apenas o efeito de estufa."

A equipa da investigadores criou artificialmente condições sustentadas de ambiente rico em dióxido de carbono numa área com 500 metros quadrados, pulverizando a copa de cerca de uma dúzia de árvores maduras de folha caduca com dióxido de carbono puro. 

Todos os dias durante o período anual de crescimento de seis meses, os cientistas pulverizaram duas toneladas de dióxido de carbono extra, resultante de resíduos industriais, sobre as copas das árvores, o que simulou uma atmosfera carregada com cerca de 530 ppm de dióxido de carbono (cerca de 1,5 vezes mais o que existe actualmente).

Mas após quatro anos, os investigadores não encontraram qualquer sinal de aumento da taxa de crescimento da biomassa nos caules ou nas folhas, relatam eles na edição mais recente da revista Science

As árvores apenas tinham bombeado o dióxido de carbono extra através do seu corpo, rapidamente voltando a libertá-lo através da respiração das raízes e dos microrganismos do solo. Não houve qualquer efeito duradouro no crescimento e na fotossíntese.

 

Para avaliar e eliminar o efeito de outros factores, a equipa determinou a extensão das variações naturais no crescimento das árvores, com a ajuda do registo dos anéis de crescimento, durante um estudo de dois anos realizado antes do tratamento. Também tiveram o cuidado de seleccionar uma floresta com espécies variadas, todas de meia-idade e praticamente não perturbadas pela acção humana.

Dada a duração limitada e a extensão da experiência, é ainda demasiado cedo para dizer se os resultados podem ser generalizados, diz Körner. A equipa não conseguiu incluir espécies de coníferas no seu estudo, por exemplo.

Também permanece por determinar se uma fracção de todo este dióxido de carbono extra pode estar armazenado no solo e não nas árvores. Se assim for, ainda pode haver motivo para pensar que as florestas podem retirar este gás de efeito de estufa da atmosfera num planeta em aquecimento.

Körner diz que a sua técnica de fertilização com dióxido de carbono deve ser aplicada em três ou quatro grandes experiências, realizadas em zonas com diferente vegetação, desde florestas boreais a tropicais húmidas, e seguidas por um painel internacional de cientistas. "É a única forma de decidir a discussão acerca de modo como as alterações atmosféricas afectam o grosso da biomassa da Terra."

Os resultados de algumas outras experiências em pequena escala sugeriram que o enriquecimento em dióxido de carbono realmente estimula o crescimento vegetal. 

Yadvinder Mahli, por exemplo, ecologista vegetal da Universidade de Oxford, descobriu um pequeno aumento da biomassa na floresta tropical húmida do Amazonas ao longo dos últimos 25 anos. Quanto deste aumento é que pode ser atribuído ao aumento de dióxido de carbono é que não se sabe ainda.

"O estudo suíço é fantástico em termos de metodologia e mistura de espécies", diz Mahli. Mas é demasiado cedo para chegar a conclusões generalistas, diz ele. "Uma experiência semelhante realizada em florestas tropicais deve ser, sem dúvida, uma prioridade máxima."

 

 

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