2005-08-24

Subject: Uma questão de criação?

 

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Uma questão de criação?

 

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Harold Evans, correspondente da BBC nos Estados Unidos, relata os novos ataques à Teoria de Darwin por parte de fundamentalistas religiosos americanos.

O presidente Bush costuma descontrair cortando árvores com uma serra eléctrica e com a mesma leveza continua a atacar a ciência em geral e o Darwinismo em particular. Isto tornou-se claro quando veio a público tomar partido por manifestantes que exigiam que nas escolas públicas americanas fosse ensinado algo que designam "design inteligente" ou DI.

Esses manifestantes defendem que a maioria das formas de vida são demasiado complexas para terem resultado de uma selecção natural cega e aleatória. Uma força sobrenatural e altamente inteligente deve ter sido responsável, alegam, pelo surgimento do olho humano ou cérebro.

Já Charles Darwin demonstrou no seu livro de 1859 Origem das espécies, não fomos criados por nenhuma mão obscura num momento de brilhantismo mas evoluímos a partir de outros organismos ao longo de milhões de anos.

Bush não recusou completamente o evolucionismo mas considerou que o DI devia ser ensinado juntamente com a teoria da evolução de Darwin "pois um dos objectivos da educação é expor as pessoas a diferentes escolas de pensamento".

Uma declaração desse teor pode parecer inofensiva mas vinda de um presidente que já é conhecido pelo seu desdém pela ciência (recorde-se as alterações climáticas e a investigação em células estaminais) causou grande consternação na comunidade científica americana e não só.

Os cientistas americanos consideram que se está a colocar a fé e a ciência no mesmo patamar, logo, após este tipo de declaração espera-se que se passe também a ensinar as diferentes visões sobre a forma da Terra, ironiza o colunista Paul Krugman no New York Times.

Certamente as palavras do presidente deram novo ímpeto a uma enorme colecção de anti-Darwininistas que têm montado cerco às direcções das escolas desde há 20 anos. 

Já ganharam uma primeira batalha numa pequena cidade rural dominada pelos Republicanos, Dover na Pennsylvania, onde em Outubro último foi decidido que o DI teria igual peso ao da evolução no programa escolar. Onze pais e a American Civil Liberties Union estão a processar a direcção escolar de Dover, tentando revogar essa decisão.

 

Os cientistas e os professores do estado do Kansas cometeram o erro de boicotar reuniões semelhantes, alegando que não iriam dignificar o DI com uma oposição séria. Como consequência, parece que o Kansas também está prestes a abrir as salas de aula ao DI.

O fundamentalismo bíblico tem vindo a evoluir ele próprio, transformando-se em "criacionismo científico". O líder desse movimento, um engenheiro civil e escritor de nome Henry Morris, declarou: "A evolução tem servido como a base pseudo-científica do ateísmo, agnosticismo, socialismo, fascismo e muitas outras filosofias falsas e perigosas ao longo do último século."

Agora, a "criação científica" chega com uma forma mais subtil. Os impulsionadores, muito bem financiados, do DI aprenderam com este tipo de retórica e de derrota, última das quais em 1987 numa audiência do Supremo Tribunal americano. Alegam que não pretendem banir Darwin, apenas debater questões não  esclarecidas.

Os líderes deste movimento são mais sofisticados, incluindo um bioquímico, um matemático e um emérito professor de leis, e estão determinados a não cair no ridículo de usar argumentos como Adão, Eva e a serpente. Nem sequer invocam o Todo Poderoso mas um criador anónimo que se coíbem de nomear.

Aceitam algumas evidências da evolução mas desafiam os evolucionistas a explicar como a célula, agora reconhecidamente complexa, poderia ter surgido apenas por mutações ao acaso. 

Claramente, quando devidamente abordado, pelos responsáveis pela ciência, educação e lei americanos, Darwin continuará a prevalecer mas é a ciência como um todo que está ameaçada pela administração Bush. Neste momento, preocupa bem mais os americanos iluminados o futuro que a nossa ascendência símia, considera Harold Evans.

 

 

Saber mais:

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