2005-08-23

Subject: Episódios de clima extremo associados a alterações climáticas?

 

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Episódios de clima extremo associados a alterações climáticas?

 

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Com o fogo mais uma vez a percorrer impunemente Portugal, num ano onde decorre a pior seca desde há décadas, e outros locais da Europa submersos por cheias igualmente graves, começa a ser tentador atribuir estes episódios de clima extremo aos efeitos do aquecimento global.

Mas os investigadores das alterações climáticas ainda estão relutantes em estabelecer estas ligações. "Podemos dizer que devido ao aquecimento da Terra iremos assistir cada vez mais a estes episódios extremos do clima", diz Malcolm Haylock, da Unidade de Investigação do Clima da Universidade East Anglia, Reino Unido. "Mas não podemos atribuir nenhum destes acontecimentos específicos a alterações climáticas."

Dúzias de fogos florestais estão totalmente fora de controlo através do território português, que, juntamente com outros países do sul da Europa e do norte de África está também a braços com uma seca prolongada.

Entretanto, cheias trazem o caos a vastas áreas da Suíça, desencadeando deslizamentos de terra e impedindo a circulação rodoviária e ferroviária.

Há um consenso crescente, baseado em registos do clima passado e outro tipo de dados, que as emissões de gases de efeito de estufa estão a aquecer o clima da Terra.

Muitos peritos do clima acreditam agora que os dados apontam para uma subida de cerca de dois décimos de grau centígrado por década durante o futuro próximo mas as tendências relativas à queda de precipitação, secas e inundações, as tendências a longo prazo são mais difíceis de calcular.

O clima europeu é afectado por um sistema climático conhecido por Oscilação do Atlântico Norte, designação que descreve as alterações da pressão atmosférica ao nível do mar, medida sobre a Islândia e os Açores (veja Baleias Francas do Atlântico Norte - o empurrão final para a extinção?).

"Ao longo dos últimos 50 anos, mais ou menos, há uma tendência para uma baixa das pressões sobre a Islândia e um aumento sobre os Açores no Inverno", diz Haylock.

O impacto deste sistema climático vai desde a alta atmosfera até ao fundo do oceano mas a sua acção mais óbvia no último meio século é a tendência para o aumento da secura nos países do sul e aumento da precipitação torrencial no norte da Europa, durante o Inverno.

O seu efeito nas restantes estações do ano, como no Verão, já não são tão claros. Os sistemas climáticos locais parecem ter um papel mais importante neste caso.

Haylock diz que as alterações na Oscilação do Atlântico Norte não podem ser associadas às alterações climáticas induzidas pelo Homem, os cientistas pura e simplesmente não têm medidas a longo prazo para fazer previsões e não encontraram tendências da precipitação à escala global.

No entanto, os modelos de computador sugerem que, com o clima a tornar-se mais quente nas próximas décadas, a água disponível nas massas terrestres vai reduzir-se. Este facto pode, por sua vez, causar um efeito dominó sobre as temperaturas globais.

"Quando usamos estes modelos climáticos para prever os próximos anos, descobrimos que surgem dias muito, muito quentes. As temperaturas eram de tal forma elevadas que não podiam ser explicadas apenas pela presença de mais dióxido de carbono na atmosfera", diz Haylock.

"A água no solo arrefece a atmosfera à sua volta em grande medida, e uma vez que esta seque, as temperaturas simplesmente disparam. Por isso há alguma preocupação que esses dias mais quentes se tornem mais frequentes na próxima década, mas ainda é incerto."

 

Visão Pessoal [Sandra Rocha]:

Portugal arde no fogo do Inferno

 

Só assim é que se pode explicar estes fogos inapagáveis e perpétuos a que assistimos impávidos, como se de um filme de Hollywood se tratasse e pudéssemos acabar com o problema desligando a televisão!

Ainda alguém consegue ver 35 minutos (seguidos de constantes directos para pontos da situação) de pessoas de braços cruzados a ver o avanço das chamas pela paisagem e de gritos e correrias para inglês ver quando o mesmo fogo lhes chega à porta? Qual é o valor informativo ou educativo dessas reportagens? 

No meio de tanta, não conheço melhor termo, palhaçada, o sofrimento verdadeiro de quem perde todos os bens (e até a vida) passa despercebido, para já não mencionar o património da nação que literalmente desaparece em cinzas perante os nossos olhos.

Brada-se por dinheiro e grita-se calamidade, tal como em 2003, mas o dinheiro que veio da CEE ainda agora não chegou às populações de zonas como a serra do Caldeirão. Verter dinheiro sobre o fogo só terá o efeito que tem vindo a ter ao longo dos últimos anos: transformar toda a situação no mais descarado negócio e aumentar as vantagens para o lado dos mandantes dos incendiários.

Parece que poucos vêm a venda ao desbarato da madeira queimada para a produção de pasta de papel, a urbanização (ao fim de 2 ou 3 anos) de terrenos onde ocorreram grandes incêndios florestais ou a insidiosa reflorestação das zonas ardidas com eucalipto. Menos ainda parecem ver os incendiários presos e libertados no mesmo dia, os ressentimentos contra as reservas de caça ou as queimadas para criação de pasto para o gado. 

É certo que se muito é criminoso, pelo menos outro tanto é negligência. Já não há mais desculpas para a ignorância e para a inépcia. Mas tudo não me interessa nada, eu nem gosto de verde, se estás com isso também deves estar a tirar o teu, dizem alguns. Seja. 

Mas gosta de pagar mais impostos para serem gastos em aluguer de Canadair's espanhóis, de perder gordos lucros do turismo e da madeira, de usar rolhas de plástico que deixam o vinho azedar, de pagar carne e legumes caros porque o nosso solo está tão pobre que nada cresce, de gastar mais com climatização da sua casa porque não há efeito tampão das árvores, de ter asma porque o pó e a cinza lhe entram para os pulmões, de não ter água para beber porque está imprópria para consumo? O Sahara é bonito para visitar mas gostaria de viver lá permanentemente? Eu não.

Perdoem-me o desabafo mas pergunto-me que anestesia é poderosa ao ponto de manter adormecido e indiferente todo um povo perante o destruição do seu próprio pais. Acho que vi uma série na televisão em que as pessoas estavam assim mas porque a Terra tinha sido invadida por extraterrestres. Qual é a nossa desculpa?

Todo este circo anual NÃO é inevitável. Vamos pousar o telemóvel um minuto, olhar um pouco mais para além do nosso umbigo e pensar no futuro dos nossos filhos. Vamos deixar de ser terceiro-mundistas, deixemos de culpar os extraterrestres, as alterações climáticas, a seca, a falta de meios aéreos, o governo enfim. 

Os culpados somos todos NÓS, pois permitimos, toleramos, somos cúmplices. Culpados porque só pedinchamos dinheiro à CEE, em vez de agir, e cúmplices porque não forçamos o governo a alterar a sua política com a nossa indignação. Mas isso pode mudar ...

 

 

Saber mais:

Floresta portuguesa - o desespero de hoje e a esperança no amanhã

Biodiversidade em chamas I

Biodiversidade em chamas II- na encruzilhada

 

 

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