2005-08-20

Subject: Baleias afastam-se dos caminhos habituais

 

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Baleias afastam-se dos caminhos habituais

 

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Os caminhos errantes de uma jovem baleia de bossa Megaptera novaeangliae que se deslocou para um oceano diferente vieram dar peso à ideia de que estas baleias não estão comprometidas para a vida com a rota migratória aprendida.

As baleias de bossa fazem migrações espantosas, por vezes nadando mais de 8000 Km duas vezes por ano. Passam o Verão a banquetear-se nas regiões polares e o Inverno a reproduzir-se nos trópicos.

Pensa-se que as baleias muito jovens aprendem a sua rota migratória com a mãe e têm tendência para a manter ao longo da vida. Isto significa que grupos de baleias com rotas migratórias diferentes terão fundos genéticos diferentes e, frequentemente, canções características diferentes.

Mas estudos já realizados sobre o fundo genético destas baleias indicaram que tem que haver algum tipo de mistura entre estes grupos.

Cristina Pomilla e Howard Rosenbaum do Museu Americano de História Natural em Nova York identificaram uma baleia que contribuiu para esta mistura, pois passou o Inverno no oceano Índico perto de Madagáscar em 2000 e voltou a ser observada do outro lado de África, no Atlântico ao largo do Gabão no Inverno de 2002.

"É uma sorte termos estado presentes nestes dois acontecimentos", diz Pomilla, que passou vários Invernos num barco, disparando dardos contra as baleias de bossa. 

Os dardos foram modificados para retirar uma pequena amostra de pele, do tamanho da ponta de um dedo. Segundo Pomilla, isto não é doloroso para as baleias, "é provavelmente como uma picada de mosquito para o Homem".

As amostras de pele foram usadas para recolher DNA, que depois permitiu comparar as baleias através da análise de onze secções altamente variáveis designadas microsatélites. 

 

A equipa trabalhou com 1202 amostras de pele, recolhidas ao longo de seis anos nas duas zonas de Inverno, e descobriu apenas uma correspondência entre todos os onze microsatélites. Quando comparam as fotografias das barbatanas dorsais que acompanhavam cada amostra, descobriram que pertenciam ao mesmo animal.

A descoberta, relatada na edição desta semana da revista Biology Letters, pode tornar mais difícil estabelecer quotas de caça à baleia no futuro.

Tradicionalmente, um certo número de baleias que pode ser morto é determinado para cada grupo separadamente mas se algumas das baleias andam de um lado para o outro ao longo dos anos, podem estar a ser contadas duas vezes, sobrestimando o efectivo populacional destes cetáceos.

O grande mistério é o motivo porque a baleia mudou de oceano. Estaria o jovem macho em busca de novas oportunidades de acasalamento ou estaria apenas perdido?

Phillip Clapham, biólogo marinho do Laboratório Nacional de Mamíferos Marinhos de Seattle, Washington, sugere que pode ser um pouco de ambos os motivos. "Se estiver numa auto-estrada a caminho de um bar de solteiros e se enganar na saída, mas ainda assim encontrar um bom bar, então mais vale aproveitar e tentar a sorte com quem lá estiver."

 

 

Saber mais:

American Cetacean Society fact sheet on humpbacks

Cientistas escutam a audição das baleias

 

 

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