2005-08-15

Subject: Monções indianas podem desaparecer

 

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Monções indianas podem desaparecer

 

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As monções indianas, que fornecem toda a água para a agricultura do país, podem desaparecer devido ao impacto humano sobre o ambiente, alerta uma equipa de investigadores do clima.

Kirsten Zickfeld e os seus colegas do Instituto Potsdam para a Investigação sobre o Impacto Climático referem que as monções têm dois estados principais: presente, como actualmente, e ausente, em que produzem muito pouca chuva. A sua ausência pode ser catastrófica para a principal colheita indiana, o arroz, que depende das fortes chuvadas da monção anual.

Mas mesmo uma alteração mínima no tempo ou na intensidade da monção pode ter um grande impacto. "Se as chuvas se atrasarem apenas alguns dias, os proventos agrícolas serão afectados", diz Zickfeld. O desaparecimento da monção pode causar caos, obrigando os agricultores indianos a alterar completamente as suas colheitas e métodos.

Zickfeld mostrou que as alterações no uso da terra e a poluição atmosférica no subcontinente indiano estão a conduzir as condições para a ausência da monção. Ela não sabe quando ou se tal irá acontecer mas considera é há motivo para preocupação.

A monção é conduzida pela diferença de pressão do ar entre a terra e o oceano Índico. Geralmente, a estação quente origina zonas de baixa pressão acima do continente quente. O ar proveniente das zonas de alta pressão sobre o mar, traz a chuva para terra.

Tudo o que reduza a diferença de pressão, como as temperaturas mais amenas sobre a terra, pode enfraquecer a monção e se este enfraquecimento ultrapassar um dado patamar o clima altera-se de forma que o ar húmido sobre o mar já não é conduzido para o interior.

Na Índia e no sudeste asiático, vários factores estão a diminuir a chegada de calor do Sol ao solo: há mais aerossóis, devido ao crescimento industrial e à utilização de veículos, reflectindo a luz de volta para o espaço. O abate de florestas por terrenos agrícolas está a substituir as copas escuras e absorventes de luz das árvores por solos claros e mais reflectores.

"Isto é um sinal de alarme", diz Hans Joachim Schellnhuber, colaborador de Zickfeld e director do Centro Tyndall de Investigação das Alterações Climáticas em Norwich, Reino Unido. "Se continuarmos a alteração a utilização do solo e o seu coberto, e ao mesmo tempo aumentarmos a presença de aerossóis, estaremos a "desligar" as monções."

Schellnhuber diz já existem sinais de que a monção chinesa está a enfraquecer, talvez pelas mesmas razões. "Não é ficção científica." 

Zickfeld e a sua equipa admitem que o seu modelo é rudimentar, pelo que não podem prever quando, ou mesmo se, as tendências actuais desencadearão a alteração de estado da monção mas essa simplicidade também tem vantagens. Modelos de computador complicados já sugeriram que a monção se pode alterar mas tem sido difícil identificar as causas cruciais.

Os investigadores acrescentam que o aquecimento global, causado pelo aumento dos níveis crescentes de dióxido de carbono, pode tornar a monção mais intensa, aumentando a queda de chuva. Essa situação pode ser igualmente má para a zona, como ilustra a morte de 1000 pessoas nas cheias de Mumbai na semana passada.

O pior cenário é o que a equipa intitula de "efeito montanha-russa": o desaparecimento da monção, seguida pelo seu regresso ainda com mais intensidade, devido ao desaparecimento dos aerossóis mas em presença de níveis superiores de dióxido de carbono. 

 

Outras Notícias:

Erro de medição escondeu aquecimento global

 

A disputa acerca dos dados referentes ao aquecimento global pode não ser mais que um problema com a forma como os sensores foram colocados quando as primeiras leituras foram feitas na década de 70.

Desde há anos que os peritos tentam determinar o motivo porque as medições de temperatura feitas com balões meteorológicos não mostravam o mesmo aumento que as medições feitas no solo e o desencontro destes dados vinha alimentando os cépticos relativamente ao aquecimento global.

Agora, investigadores da Universidade de Yale dizem que os instrumentos expostos nos balões podem ter sido a causa do problema.

Os balões atmosféricos são enviados para o ar em redor do planeta duas vezes por dia e as versões mais antigas dos balões usavam sensores de temperatura expostos.

O resultado, dizem os investigadores, eram leituras mais elevadas em balões enviados de dia, devido à exposição à luz solar.

Após corrigirem o problema, os investigadores estimam que tenha ocorrido um aumento global de temperatura de 0,2ºC por década nos últimos 30 anos.

"Infelizmente, o aquecimento está a acelerar, o clima ainda não está de acordo com o que já lançámos para a atmosfera", diz Steven Sherwood, principal autor do estudo agora publicado.

"Esta situação levou a confusões na interpretação dos dados. Há passos que temos que tomar, mas parece-me que tirar as pessoas da sua complacência duvidosa será um forte incentivo para que isso aconteça."

Esta pesquisa foi financiada pela agência americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).

 

 

Saber mais:

Potsdam Institute for Climate Impact Research

Tyndall Centre for Climate Change Research

NOAA

Aquecimento na Sibéria causa alarme

Alterações climáticas vão trazer ondas maiores

Cientistas apelam a uma acção urgente em relação ao teor de CO2 na atmosfera

 

 

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