2005-08-11

Subject: Pólen regista os buracos no ozono

 

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Pólen regista os buracos no ozono

 

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Os esporos fossilizados das plantas podem representar o registo de antigos buracos na camada de ozono da Terra. Se assim for, podem permitir testar uma teoria acerca da real causa da maior extinção em massa no nosso planeta, que ocorreu há 250 milhões de anos.

Os esporos das plantas contêm moléculas químicas que actuam como protectores solares naturais e que se designam ácidos para-cumáricos. Estes ácidos protegem o DNA do esporo da perigosa radiação UV-B.

A camada de ozono geralmente bloqueia a radiação UV-B, mas quando essa camada se torna mais fina e a incidência de UV-B aumenta "as plantas investem mais na produção dos compostos bloqueadores que colocam nas paredes do esporo", explica Charles Wellman, paleobotânico da Universidade de Sheffield, Reino Unido. 

Ele faz parte de uma equipa inglesa que está a estudar esporos fossilizados numa tentativa de perceber se a extinção pérmica, há cerca de 252 milhões de anos, esteve associada à camada de ozono.

Para testar o seu método, os cientistas usaram a colecção de esporos com décadas de idade do British Antarctic Survey do musgo Lycopodium magellanicum. Estes esporos foram recolhidos na ilha da Geórgia do Sul, no Atlântico sul, onde os céus assistem anualmente ao crescimento do buraco do ozono.

Os esporos actuais têm até três vezes mais químicos protectores que os de há 40 anos. A equipa acredita que este facto reflecte os 14% de diminuição nos níveis de ozono acima da ilha durante esse tempo. Esporos de climas equatoriais, onde não existe buraco no ozono, não mostraram qualquer variação nesses mesmos químicos.

Existem muitas ideias acerca da extinção do Pérmico, quando cerca de 90% de todas as espécies da Terra morreram. "Até agora, ninguém arranjou um mecanismo definitivo", diz Andrew Saunders, geoquímico da Universidade de Leicester que tem vindo a investigar o acontecimento.

Alguns cientistas pensam que um cometa ou um meteorito atingiu a Terra, enquanto outros associam o acontecimento a um gigantesca erupção vulcânica que terá deixado uma enorme massa de lava na Sibéria.

Esta erupção teria libertado poeiras, enxofre e compostos de halogéneo, alterando a química da atmosfera e causando, provavelmente, um buraco na camada de ozono.

Esporos dessa altura mostram mutações graves, que podem ter sido causadas pela radiação ultravioleta que atravessava a fina camada de ozono. 

 

Mas de momento não existem provas concludentes da redução da quantidade de ozono em qualquer outra época, diz Barry Lomax, membro da equipa de Sheffield e responsável pela apresentação dos resultados da equipa na conferência de 10 de Agosto da Earth System Processes em Calgary, Canadá. 

"Esperamos que este método seja o primeiro teste independente dos níveis de ozono nesse período", diz Wellman. Existe um excelente registo fóssil de esporos de pólen e apesar dos ácidos para-cumáricos se degradarem com o tempo, deixam uma assinatura química que permanece nos fósseis que não foram aquecidos, diz ele. 

"Se funcionar, devemos observou um aumento drástico destes pigmentos durante o Pérmico", diz Wellman. Com uma camada de ozono mais fina, mais radiação ultravioleta atingiria as plantas, forçando-as a produzir mais químicos bloqueadores.

"Estes investigadores podem estar prestes a descobrir algo muito interessante", diz Saunders. "Se eles descobrirem que houve um colapso nos níveis de ozono, a questão seguinte será o que o terá desencadeado." A causa mais provável deverá ser a erupção siberiana, diz ele.

"É pouco provável que alguma vez sejamos capazes de descobrir uma única causa para estas extinções", alerta Lomax. Mas ele pensa que o estudo dos esporos fossilizados pode permitir provar que a perda da camada de ozono foi uma peça importante no conjunto das causas.

A equipa já recolheu esporos fossilizados que datam desse período em todo o mundo, diz Wellman, que espera que os primeiros resultados surjam no final do ano. 

 

 

Saber mais:

Earth System Processes meeting

The Ozone Hole Tour

Permian Mass Extinction

 

 

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