2005-08-09

Subject: Ecossistemas de Chernobyl espantosamente saudáveis

 

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Ecossistemas de Chernobyl espantosamente saudáveis

 

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Os ecossistemas de Chernobyl parecem estar a recuperar, 19 anos depois da região ter sido bombardeada com radiação do reactor em chamas da central ucraniana. Investigadores que analisaram as terras em volta da antiga central nuclear dizem que a biodiversidade é na realidade maior do que antes do desastre.

Cerca de 100 espécies da Lista Vermelha da IUCN de espécies ameaçadas podem ser agora encontradas na zona evacuada, que cobre mais de 4000 Km2  na Ucrânia, Bielorússia e Rússia, diz Viktor Dolin, que estuda os efeitos ambientais da radioactividade para a Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, em Kiev. Perto de 40 dessas espécies, incluindo algumas de lobos e ursos, não eram vistas no local antes do acidente.

Se os animais no topo da cadeia alimentar estão presentes, então as plantas e os animais que eles comem também devem estar florescentes, refere o ecologista James Morris da Universidade da Carolina do Sul, em Columbia, que presidiu a um painel de cientistas que apresentou os resultados num encontro da Ecological Society of America em Montreal, Canadá.

"Seja qual for o critério de medida de função ecológica, estes ecossistemas parecem estar a funcionar normalmente", diz Morris. "A biodiversidade é mais elevada agora que antes do acidente."

Mas como se chegou a esta situação, se os níveis de radiação ainda são demasiado elevados para que o Homem possa voltar em segurança para o local? Morris pensa que muitos dos organismos que sofreram mutações devidas à radiação morreram, deixando apenas os que não sofreram problemas de crescimento ou reprodução.

"É a evolução com esteróides. Existem muitas mutações deletérias em espécies mas essas são rapidamente eliminadas", explica Morris. Muitos peixes jovens que vivem nos lagos dos líquidos de arrefecimento do reactor são deformados ma os adultos tendem a ser saudáveis, significando que os afectados pela radiação morrem jovens.

Outro factor que contribui para a aparente saúde do ecossistema é o facto da maioria dos isótopos radioactivos da região, como o césio-137, têm tendência para permanecer no solo em vez de se acumularem nas plantas e nos animais, sugere Dolin. isto significa que a contaminação da cadeia alimentar humana pela radioactividade de Chernobyl pode não ter sido tão grave como se temeu.

 

Todas estas conclusões levaram alguns a propor que o turismo para Chernobyl podia ajudar a desenvolver a zona. Em 2002, um relatório das Nações Unidas sugeriu que o ecoturismo poderia ajudar a obtenção de fundos para a regeneração.

É agora possível visitar a zona de férias mas não significa que as pessoas possam lá viver. Cerca de 40 elementos radioactivos diferentes, incluindo estrôncio-90 e produtos resultantes do urânio e plutónio, foram libertados para a zona de exclusão, e passarão centenas de milénios antes do Homem poder viver no local de forma segura, diz Dolin.

Pessoas que passem períodos longos de tempo na zona começaram a acumular radiações que lhes pode encurtar a vida em aumentar a taxa de mortalidade infantil. "Seria um desastre para os humanos", diz Morris.

Muitas aves também mostram os efeitos negativos da radiação. O colega de Morris, Timothy Mousseau, descobriu que as andorinhas que fazem ninho em volta de Chernobyl têm uma taxa de sobrevivência inferior, menos ovos e são de modo geral menos saudáveis que as que vivem a sudeste de Kiev, longe da zona de exclusão.

É difícil dizer o que se passará com as plantas e animais da região, admite Morris. Uma maneira de descobrir é tirar amostras genéticas das populações e verificar se a diversidade deverá continuar a aumentar. "De certa forma, é uma experiência fantástica em pleno campo."

 

 

Saber mais:

Ecological Society of America

International Congress of Ecology

 

 

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