2005-07-31

Subject: Tubarão frade é um predador astucioso

 

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Tubarão frade é um predador astucioso

 

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@ David Sims/MBAOs tubarões frade são caçadores bem mais astuciosos do que antes se pensava, relata um estudo agora publicado na revista Journal of Animal Ecology.

Um estudo feito com a ajuda de marcadores revelou que estes peixes de grandes dimensões adaptam a sua forma de mergulhar de forma a contrariar as estratégias de fuga das suas presas principais, o zooplâncton.

Esta foi a primeira vez que estes tubarões foram observados a desviar-se do que se considerava serem uma série de rotinas muito rígidas. Os investigadores esperam, com este estudo, ajudar as iniciativas de conservação e compreender melhor o comportamento dos tubarões frade.

"Isto tem implicações importantes para a conservação", refere o co-autor do estudo David Sims da Marine Biological Association (MBA), Reino Unido. "Com esta informação os ecologistas podem extrapolar a probabilidade de observar um tubarão frade em águas nacionais."

Os tubarões frade Cetorhinus maximus são o segundo maior peixe do mundo, atingindo frequentemente os 10 metros de comprimento. No entanto, são gigantes benignos, sobrevivendo à custa do plâncton que filtram da água.

Por esse motivo, assumiu-se que os tubarões seguiam um padrão regular de natação, permanecendo junto da superfície ao longo da noite e mergulhando para as profundezas ao amanhecer. Este horário espelha a actividade do zooplâncton do género Calanus, a sua presa principal.

Até agora, os cientistas acreditavam que os tubarões mantinham este padrão religiosamente, talvez para manter certos níveis específicos de luz no seu ambiente.

Pensava-se que "seguir a luz" poderia ser uma estratégia de caça sensata pois o plâncton, que prefere evitar os predadores visuais, provavelmente faz o mesmo.

Assim, num ambicioso estudo com marcação dos animais, os investigadores seguiram diversos tubarões frade em águas do reino Unido e descobriram que os tubarões em águas profundas mostravam o que se considera ser o padrão de mergulho "normal": passavam a noite junto da superfície e de dia mergulhavam.

 

No entanto, Sims e a sua equipa descobriram que, para sua surpresa, em zonas de maré os tubarões seguiam um padrão de mergulho inverso: mergulhavam de noite e passavam o dia junto à superfície.

Esta descoberta elimina a teoria de que os tubarões seguem o nível de luz. Pelo contrário, Sims pensa que eles estão a realmente a seguir o plâncton, que por sua vez é mais flexível do que se supunha. 

marcação de um tubarão frade @ David Sims/MBAParece que em certos locais, como na zona ocidental do Canal da Mancha, o género Calanus é perturbado por um predador conhecido por verme seta. Os vermes seta, tal como a maioria do plâncton e os tubarões frade, sobe à superfície de noite e mergulha de dia. Por esse motivo, o plâncton inverte o seu padrão de mergulho, para evitar os vermes.

E, parece agora, os tubarões frade também invertem o seu mergulho nessas zonas, como forma de se manter a par da sua presa. "O plâncton mostra alterações comportamentais de curta duração mas os tubarões foram capazes de modificar o seu próprio comportamento de acordo com isso", diz Sims.

Apesar de parecer intuitivo que os tubarões seguissem as suas presas, tal nunca tinha sido observado anteriormente. De facto, não se sabe quase nada acerca destes predadores gigantes.

Sims espera que esta investigação ajude a lançar luz sobre estas enigmáticas criaturas e possa contribuir para os esforços de conservação.

"Vai ajudar-nos a compreender quantos tubarões existem e de que forma eles são afectados pelas pescas", diz ele. "De momento pouco se sabe do ciclo de vidas destes animais."

 

 

Saber mais:

Journal of Animal Ecology

Marine Biological Association

 

 

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