2005-07-24

Subject: Borboletas revelam segredos da evolução

 

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Borboletas revelam segredos da evolução

 

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O motivo porque uma espécie se divide em duas é uma questão que tem atormentado os biólogos evolucionistas desde o tempo de Darwin.

Dada a rica biodiversidade do nosso planeta, a especiação é claramente um fenómeno recorrente mas os cientistas não têm conseguido dizer exactamente quais são as forças que a conduzem.

Mas agora, investigadores que estudavam uma família de borboletas pensam que foram testemunhas de um processo muito subtil, mas que pode estar a aumentar o isolamento entre duas espécies recentemente formadas.

A equipa, da Universidade de Harvard, descobriu que espécies fortemente relacionadas que vivem num mesmo espaço geográfico apresentam marcas nas asas invulgarmente distintas. Estas cores das asas evoluíram, aparentemente, como uma espécie de uniforme característico, permitindo às borboletas identificar com facilidade a espécie de um potencial parceiro.

Este processo auto-reforçante impede que espécies fortemente aparentadas de se cruzem e, por isso, afasta-as cada vez mais do ponto de vista genético, promovendo a especiação. Apesar de os cientistas há muito especularem sobre a existência deste tipo de mecanismo, raramente tinha sido observado na natureza.

"O mecanismo auto-reforçante é um dos poucos em que a selecção natural desempenha um papel na especiação", diz o co-autor do estudo Nikolai Kandul. "Pode ser muito generalizado mas é complicado encontrar provas da sua existência."

Para que a especiação ocorra, os dois grupos da mesma espécie têm que deixam de acasalar durante um período de tempo suficientemente longo para que se distanciem do ponto de vista genético. A forma mais óbvia disto acontecer é através de isolamento geográfico.

Se uma cadeia montanhosa ou um rio divide uma população de animais durante centenas de gerações, pode acontecer que quando se voltam a encontrar face a face já não se podem cruzar.

No entanto, o isolamento geográfico não é suficiente para explicar todos os casos de especiação. Claramente, organismos sofrem divergências e originam novas espécies sem que existam rios ou montanhas a separá-los.

O outro mecanismo que pode, em teoria, originar duas espécies a partir de uma é o isolamento biológico, por vezes conhecido por isolamento reprodutor. Este ocorre quando os organismos não estão separados fisicamente mas "optam" por não se cruzar entre si, levando a um isolamento genético.

O isolamento biológico é muito mais nebuloso e mais difícil de identificar que o isolamento geográfico, razão suficiente para explicar a excitação dos biólogos acerca desta família de borboletas.

 

A equipa de Harvard fez a descoberta quando estudava as borboletas do género Agrodiaetus, que tem uma vasta área geográfica como habitat na Ásia. As fêmeas são castanhas, enquanto os machos exibem uma variedade de cores nas asas, desde prateado a azul ou castanho.

Kandul e os seus colegas descobriram que espécies fortemente aparentadas do género Agrodiaetus que estão separadas geograficamente têm tendência para serem muito semelhantes à vista, ou seja, não apresentam um "uniforme" característico.

Mas espécies com o mesmo grau de parentesco que vivem lado a lado, notaram os investigadores, são notavelmente distintas, as cores do uniforme são claramente mostradas, o que tem como efeito encorajar o isolamento genético e a divergência entre as espécies.

"Este estudo com borboletas dá-nos provas que as diferenças na coloração das asas dos machos são mais marcantes quando as espécies partilham um habitat, do que quando vivem separadas", diz Axel Meyer, perito em especiação da Universidade de Konstanz, Alemanha. "Este padrão apoia a interpretação de que foi criado por mecanismos auto-reforçantes, logo pela selecção natural."

O motivo porque a evolução favorece a emergência dos "uniformes" característicos em espécies fortemente relacionadas, ou subespécies, que vivem lado a lado é o facto de a hibridação não ser algo desejável, de modo geral.

Apesar de muitas espécies do género Agrodiaetus serem ainda suficientemente próximas para conseguirem acasalar com sucesso, a sua descendência híbrida tende a ser fraca e com pouca probabilidade de sobrevivência. Assim, a selecção natural irá favorecer formas de distinção clara das espécies, a razão porque as marcas nas asas existem.

"Para mim, esta é uma grande descoberta só porque o sistema é maravilhoso", diz Kandul, "tanto quanto se pode, estamos a mostrar que o mecanismo da especiação auto-reforçante é o mais provável."

 

 

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