2005-07-22

Subject: Bactérias pedem ajuda à imunidade do hospedeiro

 

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Bactérias pedem ajuda à imunidade do hospedeiro

 

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Algumas bactérias que vivem no nosso nariz pedem ajuda ao nosso sistema imunitário para combater por elas.

Muitas espécies diferentes de bactérias vivem nos nossos nariz e garganta. Estes agentes patogénicos oportunistas geralmente não causam problemas mas podem causar uma infecção se o sistema imunitário de uma pessoa estiver enfraquecido devido ao stress ou à falta de saúde. 

Ainda assim, estas bactérias precisam de lutar por espaço e recursos com as outras bactérias que vivem no mesmo espaço.

Para tentar perceber que estratégias as bactérias vulgares usam nesta competição, os cientistas da Escola de Medicina da Universidade da Pennsylvania em Filadélfia, colocaram Haemophilus influenzae a enfrentar Streptococcus pneumoniae. Ambas as espécies de bactéria causam perda de audição, infecções do nariz e da garganta e a última é a causa mais comum da pneumonia.

Descobriram que S. pneumoniae vencia sempre quando estas duas espécies se degladiavam numa caixa de Petri. Mas, surpreendentemente, os resultados eram inversos quando a competição decorria no corpo de um rato. 

O resultado implicava que viver no hospedeiro dava uma vantagem a H. influenzae. "As pessoas têm tendência a estudar as bactérias como se estas apenas existissem em meios com culturas puras", diz Jeff Weiser. "Mas não é assim, e quando as juntamos surgem muitas vezes interacções complexas."

Quando estudaram melhor a situação, os investigadores descobriram que a presença de H. influenzae desencadeia uma mobilização de neutrófilos para a zona, mas a colonizadora é imune à resposta imunitária que estimula, logo pode ocupar mais espaço quando as suas competidoras são mortas.

Este trabalho pode ter consequências sobre a forma como os médicos utilizam os antibióticos, refere a equipa. Se um tratamento remove bactérias que estavam a impedir o desenvolvimento de outras, pode ter efeitos bem para além dos pretendidos.

 

Weiser sugere que os seus resultados podem explicar alguns efeitos secundários de uma vacina contra a pneumonia que foi ministrada a crianças americanas e a doentes em risco no Reino Unido.

"A vacina obtida através da conjugação de pneumococus foi administrada a crianças e reduziu as taxas de pneumonia mas houve um aumento das infecções no ouvido causadas por outras bactérias", explica ele. "Podem existir aqui efeitos secundários que ainda não compreendemos."

A mensagem global que as vacinas e os antibióticos podem interferir com interacções complexas entre organismos que vivem nos nossos corpos não é, por si só, uma surpresa.

"As pessoas envolvidas nos programas de vacinação têm a noção clara que estão a perturbar de forma grosseira o equilíbrio entre os organismos que vivem no nosso corpo", salienta Mike Barer, microbiólogo da Universidade de Leicester, Reino Unido.

Mas a interacção das bactérias com o sistema imunitário do hospedeiro é uma reviravolta nesta história. Weiser considera que novas pesquisas sobre as interacções entre nós e a nossa flora bacteriana podem levar a uma maior compreensão e, talvez, a uma melhor forma de tratamento no futuro.

 

 

Saber mais:

PLoS Pathogens

University of Pennsylvania School of Medicine

 

 

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