2005-07-19

Subject: Ratos unem-se para atacar aves ameaçadas

 

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Em destaque:

Ratos unem-se para atacar aves ameaçadas

 

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Clique aqui para ver um vídeo da forma como os bandos de ratos da ilha de Gough atacam as crias de albatrozes tristão 

Numa das ilhas mais remotas da Terra, os ratos aprenderam, e aparentemente estão a ensinar-se uns aos outros, a atacar e matar crias de aves duzentas vezes maiores que eles.

Mas longe de apreciar a inteligência dos ratos, os investigadores que fizeram esta descoberta querem irradicar os roedores da ilha, para que os ameaçados albatrozes possam ser salvos.

Biólogos na ilha de Gough, uma minúscula fracção de terra localizada entre as extremidades sul de África e da América do Sul, aperceberam-se do problema pela primeira vez quando descobriram que os albatrozes tristão Diomedea dabbenena estavam a perder as suas crias a uma taxa extremamente elevada: mais de 80% das crias morriam.

Os investigadores suspeitaram que os ratos domésticos, acidentalmente introduzidos na ilha, podiam ser os culpados. Assim, a equipa de marido e mulher Ross Wanless e Andrea Angel passaram um ano na ilha, gravando em vídeo os ninhos das aves e recolhendo dados.

Os vídeos confirmam que os ratos estão a matar as pequenas aves, mordendo-as até que morrem de perda de sangue ou infecção. Wanless, um biólogo de espécies invasoras do Percy FitzPatrick Institute of African Ornithology da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, recorda de forma vívida os primeiros vídeos. "Foi uma carnificina: crias de ave meias vivas, com feridas imensas e as tripas de fora."

Os ratos foram capazes de derrotar aves muito maiores mordendo sempre no mesmo local, vezes sem conta (veja o vídeo). Tiram vantagem do facto de as aves, que evoluíram numa zona sem predadores terrestres desde há milhões de anos, não apresentarem actualmente uma resposta defensiva a este tipo de ataque.

 

Os resultados foram apresentados esta semana no encontro anual da Sociedade de Biologia Conservacionista em Brasília.

Wanless ficou surpreso com os resultados. Este tipo de comportamento não tem precedentes em ratos, diz ele. E, estranhamente, os ataques apenas ocorrem em alguns dos picos da ilha, apesar dos ratos viverem por toda a ilha.

O duo de investigadores escolheu dois locais para uma inspecção mais detalhada, com taxas de mortalidade das crias de albatroz radicalmente diferentes. Encontraram o mesmo tipo de vegetação, altitude, declive, número de ratos e ninhos de albatroz, mas um grupo de ratos atacava os albatrozes e o outro não. Deste facto, a equipa deduziu que o ataque era um comportamento aprendido.

A transmissão de aprendizagens de uma geração para outra é um fenómeno relativamente raro e não tinha sido visto em ratos na natureza anteriormente. Os investigadores salientam que é particularmente surpreendente neste caso pois apenas alguns ratos de cada ninhada sobreviverão ao primeiro Inverno.

Wanless e Angel estão agora determinados a salvar os albatrozes retirando os ratos da ilha mas alertam para o facto de outras espécies de aves poderem estar a sofrer o mesmo tipo de ataque. "Esta situação não deve ser única de Gough", diz Wanless. "Apenas ninguém a tinha observado antes."

 

 

Saber mais:

Meeting of the Society for Conservation Biology

Gough Island wildlife reserve

 

 

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