2005-07-16

Subject: Oleoduto russo um perigo para a vida selvagem siberiana

 

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Oleoduto russo um perigo para a vida selvagem siberiana

 

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Sete fusos horários a leste de Moscovo está uma das zonas mais protegidas da Rússia. As frondosas florestas da Reversa Natural do Vale dos Pinheiros são lar de dezenas de espécies ameaçadas mas nenhuma mais do que o raro leopardo de Amur.

Este felino em tempos percorria estas paragens em grande número mas actualmente restam menos de 40 leopardos e este longínquo canto da Rússia é o seu último habitat selvagem. Por isso os ambientalistas alertam para a ameaça que enfrenta, devido ao plano para a construção do mais longo oleoduto do mundo.

O monopólio com apoio estatal Transneft vai brevemente submeter a sua proposta final para o projecto milionário, uma linha que alimentará os mercados sedentos de energia da China e do Japão a partir das reservas inexploradas dos campos de petróleo do leste siberiano.

De acordo com a proposta actual, o oleoduto irá passar a metros da reserva do Vale dos Pinheiros, transportando 1,6 milhões de barris de petróleo por dia para um terminal gigante na costa.

Alexander Zayev é o chefe de cinco guardas que protegem a reserva contra os seus maiores inimigos: caçadores furtivos e os fogos florestais. Ele considera o vale um jardim botânico natural, protegido contra a intervenção humana desde os tempos dos sovietes.

Mas Alexander teme que o oleoduto do Pacífico cause danos irreparáveis. "A população da zona iria aumentar muitas vezes", diz ele. "O que significa muito mais caçadores furtivos, muito mais pessoas a entrar na reserva. Com uma zona industrial à porta, ser-nos-ia impossível proteger esta área."

Os que apoiam o oleoduto do Pacífico chamam-no o mega-projecto do século mas o ambientalista Sergei Bereznyuk acredita que será a gota de água para o leopardo de Amur. "Já perdemos a população de leopardos da Coreia do Norte e da China. Os últimos felinos estão aqui, no leste da Rússia", explica ele, como director do Phoenix Fund em Vladivostok.

Ele apelou para os tribunais numa tentativa de impedir o projecto. "É simplesmente uma loucura construir um oleoduto através de território do leopardo", diz ele. "Propusemos outros traçados, que seriam melhores para as pessoas de Primorye e para o leopardo."

Para além do trabalho inicial de construção, Sergei também está preocupado com os planos para a construção de um terminal na intocada baia de Perevoznaya. A água é baixa e os ventos fortes, pelo que os cientistas locais calculam que derrames de crude devidos ao tráfico de petroleiros são um risco real. A apenas a algumas milhas de distância está a única reserva marinha da Rússia.

O oleoduto via Perevoznaya ainda não foi aprovado pelo governo e oficialmente a Transneft diz que ainda não é final, ainda que esteja confiante, estando já a promover o projecto em grandes conferências internacionais, para atrair investidores.

 

"Trata-se de um projecto único", entusiasma-se o vice-presidente da Transneft Sergei Grigoriev, rodeado por centenas de homens de negócios, muitos dos quais estrangeiros, todos interessados em envolver-se no projecto. "A China está a desenvolver-se rapidamente e precisa de muito petróleo, logo temos muito a ganhar com isto."

Tradicionalmente, este tipo de projectos grandiosos na Rússia prestam muito pouca atenção ao ambiente mas agora a Transneft está nas bocas do mundo e insiste que tem esse aspecto considerado. "Esta baia é melhor que qualquer outra , os nossos especialistas já o demonstraram", diz Sergei Grigoriev. "Os ecologistas não deviam olhar para a rota do oleoduto mas sim para a tecnologia que usamos. Seleccionámo-la especialmente para proteger o ambiente".

Mas já existem provas de que os hábitos antigos custam a morrer. Um pouco mais à frente na rota do oleoduto, perto da costa do lago Baikal, a Greenpeace descobriu evidências de que os empreiteiros da Transneft estão a abater florestas protegidas ilegalmente.

A indignação internacional levou a que os tribunais parassem os trabalhos de estudo do oleoduto, por agora. Mas o projecto para levar o petróleo siberiano para a Ásia tem aliados poderosos no leste da Rússia, bem como em Moscovo.

Peto da China, este antigo posto avançado da defesa militar ainda está a tentar ajustar-se à economia civil, pelo que os governantes locais estão a fazer grande pressão para a construção do oleoduto, vendo o petróleo como uma solução fácil que trará novos empregos e oportunidades.

"Claro que queremos que o petróleo venha para cá", diz Viktor Gorashkov, adjunto do governador da região de Primorye, responsável pelas relações internacionais. "Perevoznaya está meio-vazia neste momento mas queremos desenvolver toda a área. Podemos torná-la uma zona industrial de primeira água e estimular fortemente a nossa economia."

Os governantes locais já abordaram a segunda petrolífera mais importante da Rússia, a TNK-BP, para discutir a construção de uma refinaria na região. A companhia, que tem 50% de capitais da British Petroleum, confirma que enviou uma discreta delegação no mês passado, para averiguar os factos.

Devido à controvérsia gerada pelo projecto, a BP já afirmou que tenciona dar toda a atenção aos factores ambientais e cumprirá sempre os critérios internacionais. 

Esses critérios devem ser de pouco conforto para os que enfrentam a certeza de que o leopardo de Amur será destruído na natureza se o projecto do oleoduto do Pacífico for para a frente. Para eles, este é um importante teste às prioridades da Rússia moderna.

 

 

Saber mais:

Amur Leopard Conservation Support Programme

Amur

Transneft

Phoenix Fund

TNK-BP

Greenpeace

 

 

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