2003-11-28

Subject: A influência da vaca no genoma humano

News of the Wild

 

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Em destaque:

A influência da vaca no genoma humano

 

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O investigador Albano Beja Pereira publicou um trabalho que demonstra a adaptação genética do Homem ao leite da vaca e a adaptação das vacas às necessidades do Homem – um exemplo recente da selecção natural induzida pelas actividades do Homem.

Num trabalho publicado na Nature Genetics, o investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, Albano Beja Pereira, Engenheiro Zootécnico, demonstrou que o Homem sofreu alterações genéticas para se adaptar ao leite de vaca, tal como estes bovinos sofreram alterações genéticas para servir as necessidades do Homem.

Trata-se de um exemplo recente do trabalho da selecção natural, influenciada pelas actividades do Homem. Os mamíferos de um modo geral, durante os primeiros anos de vida, produzem no intestino delgado a lactase, uma enzima que permite digerir a lactose, o principal açúcar do leite fresco. Hoje em dia, os humanos são os únicos mamíferos que continuam a produzir a enzima em adultos, mas noutros tempos a maioria dos indivíduos humanos só toleravam o leite fresco até aos 9 ou 10 anos de idade.

Agora a maioria dos indivíduos humanos produzem a lactase em adultos, apesar de ainda se notarem variações geográficas relacionadas com a origem do consumo corrente do leite de vaca, há cerca de 8000 anos no Crescente Fértil (Egipto e Turquia) e a história da introdução das vacas na Europa.

 

Ao longo destes últimos milénios, com a domesticação das vacas, quem era mais tolerante ao leite em adulto tinha mais uma fonte de proteínas, lípidos e cálcio como vantagem principalmente durante o Inverno, e assim tinham maior probabilidade de chegar à idade de reprodução, pelo que ao fim de algumas gerações passaram a ser mais comuns os indivíduos tolerantes.

Beja Pereira e a sua equipa, descobriu que as raças da Dinamarca, Suécia, Alemanha, Nordeste da França e Polónia têm mais mutações ou seja maior diversidade que na zona mediterrânica, quando se esperava o contrário, porque as raças do Norte têm origem apenas numa parte das vacas do Crescente Fértil. Os investigadores explicam que a situação se deve ao facto dos agricultores do Norte terem, na altura, uma maior necessidade de vacas e de leite e assim preservaram mutações raras nos animais ao longo do tempo. Esta equipa conseguiu depois concluir que é no Norte, onde se perpetuou uma maior diversidade genética, que os humanos são mais tolerantes ao leite. É a primeira demonstração de co-evolução cultural genética de duas espécies.

 

 

Saber mais:  

Leite On line

 

 

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@ Born to be Wild, 2003


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