2005-07-05

Subject: Fezes fluorescentes revelam importância de corredores ecológicos

 

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Fezes fluorescentes revelam importância de corredores ecológicos

 

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Investigadores na Carolina do Sul experimentaram um novo método para seguir aves em pleno voo: basta, dizem eles, seguir o rasto de fezes florescentes para descobrir que as aves utilizam "corredores" para viajar entre os seus diferentes habitats.

"Medindo cuidadosamente cada voo que realizam, tipicamente menos de 20 metros, e unindo-os através de uma simulação computadorizada, pudemos projectar onde uma ave que comeu um certo fruto irá estar após 45 minutos, quando termina a digestão", explica Douglas Levey, zoólogo da Universidade da Florida em Gainesville.

É sabido que os biólogos não se importam de meter a mão na massa e as fezes dos animais revelam um mundo de informação. Por isso, os cientistas têm vindo a realçar as fezes das formas mais variadas para que sejam mais fáceis de localizar.

No Savannah River Site National Environmental Research Park, a equipa de Levey combinou várias dessas técnicas para estudar os azulões Sialia sialis. Cobriram as bagas da murta Myrica cerifera com uma solução pegajosa contendo partículas fluorescentes. "As aves não as vêm", explica Levey, "nem nós as vemos, mas iluminadas com luz ultravioleta brilham."

A equipa pulverizou centenas de milhar de bagas e as aves rapidamente as devoraram e produziram brilhantes fezes, quando vistas com luz UV claro.

O estudo foi concebido para estudar a utilização dos corredores ecológicos, ou de habitat, um conceito cada vez mais popular na gestão da vida selvagem.

Muitos conservacionistas acreditam que as zonas de habitat, e as populações de animais que as habitam, devem estar ligadas entre si por corredores que permitam a comunicação fácil.

"Há uma grande controvérsia sobre se os corredores ecológicos realmente funcionam", diz Levey. "Parece intuitivo que devem funcionar mas as pessoas observam os animais a deslocar-se através de áreas onde não deviam estar, logo não é claro até que ponto eles dependem realmente dos corredores."

John Blake, guarda florestal e ecologista do U.S. Forest Service de Savannah River, Carolina do Sul, colaborou no projecto dos azulões. "Tínhamos a ideia que havia uma grande falta de dados científicos que apoiassem a implementação de corredores ecológicos, com excepção de alguns casos óbvios", diz ele. 

O projecto cobriu uma vasta área, com várias centenas de hectares. Os arbustos de murta estavam situados numa zona central, enquanto zonas de pinhal foram desbastadas para criar prados com o tamanho de campos de futebol. Os prados estavam separados por centenas de pinhal, alguns ligados por corredores, outros não.

 

Ficou comprovado que as aves realmente usavam os corredores, pois os investigadores encontraram uma maior concentração de fezes fluorescentes nas áreas ligadas do que nas áreas isoladas. No entanto, quando e de que forma as aves usavam os corredores não ficou imediatamente claro.

Afinal, as aves tiravam partido dos corredores ecológicos viajando ao longo da margem da floresta em cada clareira. "Os modelos são úteis quando demonstram algo que era intuído mas não provado e foi o que aconteceu", diz Levey. "Estes resultados estão de acordo com a nossa intuição, e suspeitamos que muitas outras espécies devem usar as orlas dos corredores da mesma forma."

O próximo passo de Levey é explorar um padrão de migração ao longo dos corredores ecológicos bem mais subtil: a utilização que deles fazem as plantas.

"É fácil para as pessoas aceitarem que os animais usam os corredores ecológicos mas não consideram que as plantas se desloquem", diz ele. Mas os corredores podem ajudar as plantas ao facilitar a deslocação dos animais que transportam as suas sementes e pólen.

"Mas também beneficiam os inimigos das plantas, como os herbívoros e os devoradores de sementes", salienta Levey. "Então qual é o balanço global dos corredores em relação às plantas?" Por enquanto, a resposta permanece desconhecida mas não há dúvida que este método original forneceu importantes pistas para uma melhor gestão de áreas protegidas. 

 

 

Saber mais:

University of Florida Department of Zoology

Savannah River Site National Environmental Research Park

 

 

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