2005-07-01

Subject: Oceanos ameaçados por aumento da acidez

 

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Oceanos ameaçados por aumento da acidez  

 

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Os corais e o plâncton estão em risco de desaparecer devido ao aumento da acidez dos oceanos mundiais, causada por as águas absorverem o dióxido de carbono do ar, alertam investigadores ingleses. A única solução, dizem eles, são cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono, bem para além dos previstos pelo protocolo de Kyoto.

Sem grandes medidas, o dióxido de carbono dissolvido pode aumentar a acidez da água do mar em 0,5 unidades de pH até ao final deste século, fazendo baixar o pH de 8,2 para 7,7, dizem eles. Uma alteração desse tipo causaria um grave desequilíbrio químico nos oceanos e mataria muitas formas de vida marinhas.

"Não temos nenhuma forma de remover este dióxido de carbono do oceano. Vai demorar muitos milhares de anos para que os processos naturais o façam", diz o autor principal do estudo John Raven, da Universidade de Dundee, durante a apresentação do estudo. Enquanto continuarmos a colocar dióxido de carbono na atmosfera, acrescentou ele, este continuará a ir dar ao oceano, onde origina ácido carbónico, um ácido fraco capaz de dissolver conchas e esqueletos de coral.

Desde o início da revolução industrial, o Homem tem lançado o que se estima serem 450 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, cerca de metade das quais acabaram nos oceanos, explica Raven. Ele e os seus colegas apelam para que este século não se ultrapasse as 900 mil milhões toneladas de emissões, uma meta complicada de atingir com o desenvolvimento industrial de países como a China e a Índia.

Este objectivo exige, para ser alcançado, cortes imensos nas emissões de dióxido de carbono, de forma a que em 2100 se alcance metade dos níveis actuais. Isto é bem mais ambicioso que os modestos objectivos propostos pelo protocolo de Kyoto, que exige às nações mais desenvolvidas que reduzam as suas emissões, à taxa de 1990, uma média de 5% até 2012.

Sem acções para combater a acidificação, os efeitos deverão ser mais fortes no oceano Antárctico, refere o relatório. Pequenos moluscos com concha designados pterópodes vivem na zona e são a base das cadeias alimentares antárcticas, refere Carol Turley do Plymouth Marine Laboratory. "Este é outro forte argumento para a redução das emissões de dióxido de carbono", diz ela.

Outras potenciais vítimas seriam os cocolitóforos, parte do plâncton e também produtores de conchas, que existem em grande número, de tal forma que os seus ajuntamentos podem ser vistos do espaço.

 

Se o problema do branqueamento e da morte devido à subida da temperatura da água, os autores fazem notar que as águas ácidas também serão um problema. Eles calculam que mesmo com os cenários de emissões de carbono mais baixas previstos pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, corais como a Grande Barreira australiana pode ser dizimada até 2050 pela acidez.

Existem algumas soluções teóricas rápidas para a acidificação do oceano, como despejar calcário para a água para aumentar os níveis de minerais e amortecer a capacidade do dióxido de carbono de alterar o pH. Mas seria necessário cavar 60 Km2 a uma profundidade de 100 metros por ano para fornecer quantidade suficiente de calcário, faz notar o autor Andrew Watson, da Universidade de East Anglia em Norwich. Esta situação não é exequível e potencialmente danosa para o planeta por si só.

A única resposta é parar de queimar tantos combustíveis fósseis, diz Watson. "Estamos viciados na queima de combustíveis fósseis da mesma forma que um fumador é viciado em nicotina", diz ele. "Tal como com o tabaco, há muitos efeitos nefastos desse hábito e precisamos de acordar e seguir os conselhos dos médicos."

 

 

Saber mais:

Royal Society

Plymouth Marine Laboratory

Cientistas apelam a uma acção urgente em relação ao teor de CO2 na atmosfera

Protocolo de Kyoto prestes a entrar em vigor

Aquecimento global e alterações climáticas- que futuro para o planeta?

 

 

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