2005-06-30

Subject: Uma grande macacada!

 

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Uma grande macacada!

 

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Podem os estudos realizados em primatas ter alguma utilidade para evitar os maus-tratos a crianças nas famílias humanas? Muito acreditam que não, incluindo Michael Hopkin, biólogo e repórter da revista Nature, que considera que devíamos poupar os macacos a essa dor.

Os grandes símios e os macacos são um espelho de muita da nossa própria biologia. Há muito a aprender estudando o seu comportamento em relação ao acasalamento, tribalismo e vida familiar mas valerá a pena infligir tanto sofrimento a estes animais neste tipo de estudos? Com certeza que não.

Um estudo publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences tenta lançar alguma luz sobre os maus-tratos a crianças em macacos rhesus e transpor esse conhecimento para o Homem. Esse tipo de abuso ocorre naturalmente em ambas as espécies, com 5 a 10% de macacos a sofrer de vários graus de agressão física por parte das suas mães, incluindo dentadas, esmagamentos e lançamentos.

Tanto em macacos rhesus como em humanos, os maus-tratos a crianças são passados através das gerações, cerca de 70% dos pais abusadores humanos foram crianças abusadas, o que levou os biólogos a ponderar se a tendência depende da experiência ou dos genes.

Estudando macacos rhesus no Yerkes National Primate Research Center de Lawrenceville, Georgia, o biólogo Dario Maestripieri da Universidade de Chicago tentou descobrir a resposta a esta questão. Com esse objectivo, colocou jovens macacos com mães biológicas abusivas e não abusivas ao cuidado de outras fêmeas, também elas com ou sem historial de abusos. Outros jovens permaneceram com as suas mães, originando todas as combinações possíveis de macacos com uma disposição genética ou aprendida para ser cruel para as suas crias.

Nove dos 16 macacos criados por mães abusadoras continuaram a abusar das suas crias. Nenhum dos criados por mães não abusadoras o fez, logo o único factor que afectou o resultado foi a forma como foram criados. Não fez qualquer diferença se os macacos tinham mães biológicas abusadoras ou não.

A implicação deste pequeno estudo é que a tendência para abusar da descendência é forjada por uma experiência precoce e não pelos genes, uma conclusão que alguns podem ser tentados a estender às famílias humanas.

 

Mas será a utilização de macacos a melhor forma de responder questões acerca do comportamento humano? E agora que temos este incipiente conhecimento ele diz-nos como evitar os maus-tratos a crianças nas nossas sociedades? A resposta a ambas as questões é não, considera Michael Hopkin.

A questão de se o abuso humano é aprendido ou genético tem pouca relevância quando se trata de impedir que crianças sejam molestadas e é bem mais relevante estabelecer uma rede de cuidados e de assistência social, tirando partido da quantidade imensa de dados já recolhidos a partir das agências de adopção, por exemplo.

Os Estados Unidos têm sido o centro da experimentação em primatas, pois há muitos países, particularmente na Europa, onde este tipo de experiência teria sérias dificuldades em obter autorização. A pedra de toque da ética da experimentação animal deve ser se a dor infligida pode ser justificada com o conhecimento que é obtido.

A dor é frequentemente uma parte inevitável das experiências, mesmo em humanos, mas há algo perturbador acerca de estudos onde animais jovens são intencionalmente privados de uma criação carinhosa. 

Na década de 60 do século passado decorreu um estudo em que macacos bebés eram criados por mães artificiais, feitas de tubos metálicos. As observações mencionavam os jovens a tentar aninhar-se em metal frio em busca de conforto, mas era mesmo necessário uma experiência destas para nos dizer que os animais jovens necessitam de amor dos progenitores?

 

 

Saber mais:

Yerkes National Primate Research Center

Nuffield Council on Bioethics report- animals in research

Semana Mundial dos Animais em Laboratório

Carência de primatas impede o progresso da ciência?

 

 

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