2005-06-25

Subject: Reciclagem: um objectivo por cumprir

 

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Reciclagem: um objectivo por cumprir 

 

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As estatísticas sugerem que 60% dos resíduos domésticos podem ser reciclados mas em Portugal e no resto da União Europeia a média de materiais reciclados não ultrapassa os 14,5%. 

Eis uma panorâmica do que se passa pelo mundo em relação à reciclagem de resíduos domésticos.

A Suíça orgulha-se dos seus esforços em relação à reciclagem e com razão. Vidro e papel são apenas alguns dos materiais que o cidadão suíço se recusa a deitar no lixo.

Existem locais de recolha de garrafas em todos os supermercados, onde são separados os vidros transparentes, verdes e castanhos. Todas as cidades têm uma recolha gratuita mensal de papel e cartão.

Se existe um jardim, é possível colocar no passeio (devidamente amarrado, claro) todo o material vegetal pois a cada quinze dias é recolhido. O alumínio e as latas são conduzidos a depósitos locais, as pilhas entregues nos supermercados e óleos e outros produtos químicos depositados em contentores especiais.

As garrafas de plástico são os recipientes para bebidas mais comuns na Suíça e 80% delas são recicladas, uma taxa bem acima da média europeia de 20 a 40%.

Mas os suíços não reciclam apenas porque se preocupam com o ambiente, há um forte incentivo financeiro. Reciclar é gratuito mas na maioria das localidades colocar no lixo custa dinheiro, cada saco do lixo tem que ter uma etiqueta e cada uma delas custa, pelo menos, um euro. O saco não tem etiqueta? Então o lixo ficará à sua porta até apodrecer.

Nos Estados Unidos, os esforços para aumentar as taxas de reciclagem e reduzir os resíduos domésticos e comerciais são liderados pela Environmental Protection Agency (EPA).

Actualmente, os Estados Unidos reciclam cerca de 28% dos seus resíduos, diz a EPA, um valor que praticamente duplicou nos últimos 15 anos.

A reciclagem de materiais específicos aumentou ainda mais drasticamente: 42% de todo o papel, 40% de todas as garrafas plásticas de refrigerantes, 55% de todas as latas de alumínio de cerveja e refrigerantes, 57% das embalagens de aço e 52% dos principais electrodomésticos são agora reciclados.

Há 20 anos, apenas um programa de reciclagem existia nos Estados Unidos, mas em 1998 já existiam 9000 estações e 12000 centros de recolha em todo o país. Foram estabelecidas 480 fábricas de recuperação de materiais para processar os materiais recolhidos.

Em 1999, as acções de reciclagem e compostagem impediram que 64 milhões de toneladas de material acabasse em aterros e incineradoras. O programa WasteWise da EPA destina-se às empresas e pretende reduzir a produção de resíduos sólidos urbanos e certo tipo de resíduos industriais.

As taxas de reciclagem variam de estado para estado, tendo no fundo da escala os estados do Alaska, Wyoming e Montana, que reciclam menos de 9% dos resíduos, enquanto Nova York, Virginia e cinco outros estados mais de 40% dos resíduos são reciclados.

Na Dinamarca, o lixo não é apenas lixo. Essa é a filosofia de um dos países mais "verdes" da Europa. Desde há décadas que a política ambiental dinamarquesa tem sido considerar os resíduos como um recurso.

Normas rígidas têm sido implementadas por sucessivos governos mas cabe às autoridades locais a recolha dos resíduos domésticos. Em 2003 esses resíduos eram em média 559 Kg por habitante, incluindo desde papel e garrafas a pilhas. Nos conselhos onde os resíduos não são recolhidos porta a porta, existem centros de recolha.

Perto de 10000 dinamarqueses trabalham na recolha de resíduos, mais de 0,1% da população, mas o forte empurrão em direcção a uma Dinamarca mais verde deu ao país um orgulhoso recorde. O governo considera que em 2003 31% de todos os resíduos domésticos foram reciclados, enquanto 62% foram incinerados. Apenas 6% foram colocados em aterros.

No entanto, na maioria das vezes a quantidade total de resíduos não justifica a construção de centros de reciclagem próprios, pelo que materiais como o plástico, material eléctrico e electrónico, pilhas e metal são enviados para o estrangeiro para ser reciclados.

O governo também tenciona limitar a pilha de resíduos encorajando a industria a promover produtos que deixem o mínimo de resíduos após a utilização.

 

Os alemães gostam de se considerar como os campeões do ambiente e não se pode negar que levam os temas ambientais muito a sério mas quando se trata de separar os resíduos domésticos a coisa pode-se complicar.

Existem pelo menos cinco tipos de contentores de lixo à porta dos edifícios e nas casas. Cada um tem um código de cores para evitar confusões: amarelo para embalagens, azul para papel e cartão, vidros (separados em transparente, castanho e verde), biológicos para restos orgânicos e preto para o resto dos resíduos (ou para quem não faz separação).

Teoricamente, as pessoas são obrigadas por lei a conduzir resíduos especiais (como pilhas ou químicos) a um centro de recolha, sob pena de ser multado. A separação do lixo não é obrigatória para particulares mas perto de 90% dos alemães estão dispostos a fazê-lo. 

Onde todo o lixo acaba é igualmente complicado. De acordo com uma nova lei, de Junho de 2005, os resíduos que sobram não podem ser colocados em aterros mas têm que ser sujeitos a tratamento prévio.

Segundo a Sociedade de Reciclagem Ecológica de Atenas, todos os anos vão para o lixo um bilião de garrafas de plástico de água por toda a Grécia, para além de quantidades equivalentes de garrafas de refrigerantes e líquidos de limpeza.

Perto de um quinto dos resíduos produzidos na Grécia é plástico e apenas 1% é reciclado. A Grécia permanece 15 anos atrasada em relação às políticas de reciclagem europeias e não será no próximo ano que consegue cumprir os objectivos comunitários.

A maioria dos sacos de lixo de Atenas contém grande quantidade de vidro, metal, papel e plástico, que acaba em aterros municipais superlotados. Como resultado, a capital enfrenta uma grave crise de gestão de resíduos pois não foram criados locais alternativos.

Ironicamente, a cidade tem a que se considera ser a maior fábrica de reciclagem de resíduos da Europa, construída ao lado do aterro municipal há 4 anos. Mas a fábrica, que custou mais de 75 milhões de euros tem estado parada pois foi fortemente danificada quando uma pilha de lixo desabou sobre ela ...

A regulamentação dos resíduos varia de distrito para distrito em Itália. Em Roma, as regras estão mais rígidas desde o início do mês: quem não separar os resíduos pode ser multado em 619 euros se tiver um ecoponto a menos de 500 metros de casa.

No sul da Itália, os políticos locais alegam que a gestão dos resíduos é controlada pelo crime organizado e no ano passado a Comissão Europeia multou o país por 28 infracções às leis ambientais, alegando que os italianos estavam a ser privados da mesma qualidade de vida que o resto da Europa.

No entanto, os romanos, como os portugueses, riem-se quando lhes perguntam se separam os resíduos domésticos para reciclagem: "O que é que isso interessa? Tenho mais que fazer!" referem ... 

 

 

Saber mais:

Friends of the Earth

Green Party

Defra

 

 

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