2005-06-18

Subject: Sensores sísmicos usados para contar elefantes

 

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Sensores sísmicos usados para contar elefantes 

 

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Cientistas americanos estão a aplicar um método de alta tecnologia para realizar um censo das populações de elefantes, usando sensores sísmicos de construção militar para detectar os seus passos.

Investigadores do Departamento de Geofísica da Universidade de Stanford estão a usar sensores para seguir os elefantes africanos e outros grandes mamíferos através do Parque Nacional de Etosha na Namíbia.

Os geofones, originalmente construídos pelo exército americano para detectar os movimentos da tropas inimigas durante a guerra do Vietname, foram colocados no local para captar as vibrações causadas pelos animais que se deslocam até aos poços de água.

Os investigadores analisaram de seguida as gravações digitais das passadas para isolar as assinaturas sonoras únicas das diferentes espécies.

Os resultados, publicados no Journal of Applied Ecology, mostram que a técnica funcionou bem como forma de distinguir elefantes de outros grandes mamíferos (girafas, leões, antílopes e humanos), com uma taxa média de sucesso de 82%.

No entanto, já não foi tão boa a contar elefantes, pois a energia sonora gerada pelas passadas dos elefantes apenas forneceu uma imagem 55% rigorosa do número de animais que visitaram os poços de água, observados de uma torre vigia próxima.

O rigor poderia ser aumentado com uma fila de geofones, uma ideia que a equipa está actualmente a testar, diz o geofísico Jason Wood, que liderou esta pesquisa.

O grupo de Stanford acredita que a técnica tem grande potencial como alternativa às contagens aéreas ou às laboriosas contagens de pilhas de estrume, os principais métodos actualmente usados para avaliar o efectivo de elefantes com fins conservacionistas ou de gestão de reservas.

Em particular, os geofones podem ser usados para melhorar as estimativas do efectivo de elefantes em áreas densamente florestadas da África central, onde os reconhecimentos aéreos são inúteis. 

"A gestão conservacionista pode ser melhorada com a ajuda de métodos mais rigorosos de seguimento e de estimativa do tamanho das populações de elefantes ou de outros grandes mamíferos na África central, pois estas populações são relativamente pequenas e ameaçadas pela caça furtiva", referem.

 

Os geofones também podem ser usados para seguir a utilização de certos locais por parte dos elefantes ao longo de períodos de tempo mais vastos do que os actualmente avaliados, acrescenta Wood.

Mas alguns ecologistas de elefantes estão cépticos quanto à verdadeira utilidade da técnica, dados os problema em detectar com rigor o número de elefantes e os constrangimentos práticos, como a necessidade de mudança de bateria frequentemente.

"Com um raio de detecção de apenas 100 metros, seriam necessárias literalmente centenas de dispositivos para cobrir uma área de apenas alguns quilómetros quadrados", diz Matt Walpole, da Fauna and Flora International, Cambridge. 

"Usar este método para seguir elefantes ao longo de toda a bacia do Congo é claramente impraticável e o custo proibitivo."

Bob Smith, investigador do Durrell Institute for Conservation and Ecology, Canterbury, acrescenta: "Estas abordagens de alta tecnologia são muitas vezes sugeridas mas colocá-las em acção em locais como a África ocidental e central é muito difícil."

As abordagens de baixa tecnologia são geralmente mais sustentáveis e o dinheiro poupado pode ser gasto a equipar adequadamente as pessoas encarregues de proteger os elefantes dos caçadores furtivos, refere ele.

Os geofones não são ainda uma "alternativa realista às tradicionais patrulhas e transectos a pé para contar elefantes e gerir a sua distribuição em vasta escala", diz Walpole. Mas acrescenta: "É com certeza um conceito novo e interessante, decididamente vale a pena explorar esta visão."

 

 

Saber mais:

Save the Elephants

Journal of Applied Ecology

Elefantes severamente atingidos pela guerra na Costa do Marfim

 

 

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