2005-06-17

Subject: Redes matam 1000 mamíferos marinhos por dia

 

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Redes matam 1000 mamíferos marinhos por dia  

 

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Os cientistas classificaram os golfinhos e os botos de todo o mundo de acordo com o risco que enfrentam devido às redes de pesca. Dez espécies são incluídas numa lista de populações que os conservacionistas consideram necessitar de acção urgente para evitar mais mortes, por ordem de prioridade: 

Photo: Dead harbor porpoise tangled in fishing net
Este boto morreu quando ficou emaranhado numa das muitas redes de pesca de malha de nylon destinadas a capturar outras espécies marinhas. Fotografia @ Bo Haakansson, Danish Society for the Conservation of Nature 

• Filipinas e sudeste asiático - golfinhos Irrawaddy;

• Zanzibar: golfinhos corcundas do Indo-Pacífico e roazes-corvineiros do Indo-Pacífico;

• Mar Negro: botos; 

• Filipinas: golfinhos de Spinner e de Fraser; 

• Gana e Togo: golfinhos corcunda do Atlântico; 

• Peru: boto de Burmeister;

• Argentina, Uruguai e Brasil: golfinhos Franciscana;

• Argentina: golfinhos de Commerson.

Os investigadores dizem que a maioria destas espécies são mortas por redes feitas por malha monofilamento de nylon, muito finas e difíceis de ver e detectar através do sonar pelos golfinhos e pelos botos.

Uma vez emaranhados nas redes ou nas suas cordas de suporte, os mamíferos marinhos enfrentam um alto risco de afogamento. As redes de crustáceos e as redes flutuantes de arrasto também matam muitos mamíferos como capturas secundárias.

"Quase mil baleias, golfinhos e botos morrem todos os dias em redes e outros equipamentos de pesca comercial", diz Karen Baragona, do programa de conservação das espécies do WWF. 

Este novo relatório irá ser apresentado na reunião anual da Comissão Internacional de Caça à Baleia (IWC), que tem início na próxima semana na Coreia do Sul.

No ano passado, a Comissão Americana de Política Oceânica identificou as capturas secundárias como a maior ameaça global aos cetáceos. Os peritos em vida marinha estimam que mais de 300000 cetáceos morrem em equipamentos de pesca todos os anos.

Randall Reeves, autor do relatório apresentado pelo WWF, preside ao grupo de especialistas em cetáceos da World Conservation Union. Ele explica que a equipa responsável pelo estudo se focou na identificação de espécies ou populações que sofrem maior risco de acabar como captura secundária, especialmente aquelas em as probabilidade de sucesso das medidas é elevada. "É crucial que as agências e as organizações recebam indicações sobre a melhor forma de investir os seus recursos", diz Reeves.

Baragona, diz que as mortes acidentais de golfinhos e botos podem ser reduzidas significativamente com soluções de baixo custo e frequentemente simples. "Os Estados Unidos e muitos outros países já conseguiram reduzir significativamente as capturas secundárias nas suas águas", nota ela. "Pequenas alterações no equipamento de pesca podem significar a diferença entre a vida e a morte para os golfinhos."

 

A lista prioritária das espécies ameaçadas pelas capturas secundárias inclui o golfinho Irrawaddy, globalmente ameaçado e com duas populações listadas como criticamente ameaçadas pelo IUCN.

O último refúgio desta espécie nas Filipinas é Malamapaya Sound, onde restam apenas 77 golfinhos. O co-autor do estudo, Brian D. Smith, da Wildlife Conservation Society, considera que o declínio da população se deve certamente à captura de caranguejos.

Smith considera que um passo positivo seria o desenvolvimento de armadilhas para caranguejos mais eficientes, em alternativa às redes onde muitos golfinhos morrem. Ele também recomenda também o encerramento de parte do habitat do golfinho Irrawaddy à pesca com redes.

No caso dos golfinhos corcundas do Atlântico, os autores não têm ideia de quantos animais restam ou morrem como capturas secundárias. Esta espécie costeira apenas se encontra na África ocidental e algumas populações apenas se conhecem a partir de um único indivíduo.

No Gana, milhares de pessoas ganham a vida a partir do mar, logo é pouco provável o desaparecimento das redes de nylon. Pouco tem sido feito para proteger os golfinhos na região, principalmente devido à falta de dados que permitiu aos governos alegar que as populações não estavam seriamente afectadas.

Noutras partes do mundo, as medidas para reduzir as capturas secundárias de cetáceos parecem estar a funcionar. Em águas americanas, por exemplo, já são proibidas as redes em certos locais. Dispositivos sonoros que alertam e afastam os golfinhos são obrigatórios noutras zonas.

Em águas da União Europeia, o uso de redes flutuantes para o atum no Atlântico e Mediterrâneo foi proibido em 2002. Todo o restante uso de redes flutuantes terá que ser abandonado até 2008. Os dispositivos sonoros também vão passar a ser obrigatórios.

O destino dos golfinhos e botos no mundo em vias de desenvolvimento é que mais preocupa os conservacionistas, especialmente porque essas águas contém o maior número de espécies de cetáceos em risco. O WWF considera que a pesca nos países em vias de desenvolvimento "tende a ser em pequena escala e descentralizada, o que dificulta a avaliação de impacto e de intervenção."

Baragona, refere que os países em vias de desenvolvimento devem reconhecer que têm um problema e tornar a alteração dos seus procedimentos uma prioridade. Uma maior fiscalização das políticas de pesca nesses países também é necessária.

"Uma tecnologia mais avançada na manufactura das redes também seria útil. Usar sulfato de bário para tornar as redes mais rijas e menos sujeitas a ficar emaranhadas, torná-las-ia mais fáceis de detectar com o sonar dos animais", diz ela. Esta tecnologia poderia ser combinada com materiais que fizessem a rede brilhar na água escura, permitindo aos animais vê-la.

 

 

Saber mais:

Cetacean Specialist Group (IUCN)

International Whaling Commission

World Wildlife Fund

 

 

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