2005-06-16

Subject: Jaws faz trinta anos: que herança deixou?

 

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Jaws faz trinta anos: que herança deixou? 

 

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Há trinta anos, no Verão de 1975, o filme Jaws e a sua história de um grande tubarão branco que aterrorizava uma comunidade costeira tocava um nervo fulcral na mente humana: que criaturas monstruosas nos esperam abaixo da superfície do oceano?

Milhões de banhistas seguiram o slogan do filme - "Não entre na água ..." - e encheram as salas de cinema, tornando este filme o maior sucesso de bilheteira até à data.

Para desgosto de muitos cientistas, no entanto, Jaws cimentou a percepção de muitos de que os tubarões não eram mais do que furtivas máquinas assassinas, reputação que permanece na psique das pessoas 30 anos após a estreia do filme.

"O filme perpetuou o mito de que os tubarões são devoradores de Homens ... apesar das probabilidades de uma pessoa que entre no mar ser atacada por um tubarão ser infinitesimal", diz George Burgess, biólogo de tubarões da Universidade da Florida em Gainesville.

Segundo Burgess, o filme iniciou um declínio calamitoso das populações de tubarões nos Estados Unidos, pois milhares de pescadores partiram em busca de troféus. Posteriormente, nos anos 80, a pesca comercial dizimou ainda mais tubarões.

Mas a fenomenal popularidade do filme também ajudou no estudo dos tubarões. Antes de Jaws, pouco se sabia acerca destes predadores mas após a estreia do filme o interesse nestes peixes explodiu, originando um aumento dos fundos para a pesquisa sobre a sua biologia.

"Por um lado, o filme causou grandes danos aos tubarões pois as pessoas viam-nos como monstros", diz Robert Hueter, director do Center for Shark Research no Mote Marine Laboratory em Sarasota, Florida. "Mas para os cientistas, Jaws deu início a um interesse exacerbado por parte do público nestes animais."

"O medo de ser devorado faz parte de todos nós", diz Mike Heithaus, professor de biologia marinha na Universidade Internacional da Florida em Miami. "Se sentimos que ainda temos algum controlo ou que temos alguma hipótese de ganhar uma luta, a situação não é tão assustadora. Mas com os tubarões não existem árvores para onde subir e não conseguiremos nadar mais depressa que ele."

Ataques reais de tubarões, pelo contrário e apesar de largamente publicitados, são extremamente raros. Pessoas que vivem em zonas costeiras, por exemplo, têm cem vezes mais probabilidade de ser mortas por um raio do que por um tubarão.

 

De acordo com o Museu de História Natural da Florida e o seu International Shark Attack File, ocorreram 61 ataques não provocados em todo o mundo em 2004, donde resultaram sete mortes. O número de ataques de tubarões tem aumentado nas últimas décadas mas isso é devido a cada vez estarem mais pessoas na água.

"A maioria dos tubarões não ataca presas com tamanho próximo do seu e são bastante tímidos em relação a situações ou objectos estranhos, como os humanos", diz Heithaus. "Isto torna os ataques muito improváveis, mesmo que um tubarão esfomeado veja uma pessoa."

Mas os tubarões têm sofrido muito nas mãos do Homem. Entre 20 a 100 milhões de tubarões são pescados todos os anos, de acordo com o Shark File, administrado pela American Elasmobranch Society, cujos membros estudam estes peixes. A organização estima que as populações de tubarões tenham sofrido declínios entre 30 a 50%.

Esse declínio pode ser associado à estreia de Jaws. Nos anos a seguir à estreia do filme, os chamados "torneios de morte" atingiram um máximo. "Houve um verdadeiro surto de testosterona nos Estados Unidos nos anos a seguir a Jaws, onde os homens tinham que matar estes tubarões apenas para tirar a fotografia com o pé no devorador de homens", diz Burgess.

Quando Jaws estreou, pouco se sabia sobre tubarões porque eram considerados pouco mais que um problema para as pescas. "A espécie mais importante do ponto de vista comercial é sempre aquela que recolhe os fundos e as atenções", diz Burgess. "Ninguém se preocupava com os tubarões, excepto para lembrar que devoravam os peixes valiosos, logo eram um problema."

Nos anos 80 a industria americana de pescas virou a sua atenção para os tubarões, pois a sobre-exploração dos stocks levou ao declínio dos tubarões e os ecossistemas marinhos sofreram. "Como resultado disso, começámos a receber fundos da industria das pescas para investigação sobre tubarões", diz Burgess.

Desde então, os cientistas aprenderam que os tubarões, como predadores de topo, podem afectar toda a cadeia alimentar do oceano, embora a maioria das pessoas continue a ter a visão de Jaws quando se fala de tubarões. Na realidade existem mais de 375 espécies, e apenas uma dúzia delas são consideradas perigosas.

Mas o público está, lentamente, a aprender. "Numa análise final, Jaws foi algo positivo para o estudo dos tubarões", diz Hueter, "pois despertou o interesse do público nestes animais."

 

 

Saber mais:

Mote Marine Laboratory- Center for Shark Research

International Shark Attack File

 

 

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