2005-06-06

Subject: Mães golfinho ensinam as filhas a usar ferramentas

 

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Mães golfinho ensinam as filhas a usar ferramentas 

 

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Os roazes-corvineiros são conhecidos pela sua inteligência mas um estudo sobre a utilização de ferramentas demonstrou até que ponto o podem ser.

As fêmeas que vivem numa baia australiana parecem estar aprender com as suas mães como colocar esponjas marinhas nos focinhos para as ajudar a pescar, dizem os investigadores.

"É o primeiro caso documentado de utilização de ferramentas num mamífero marinho", diz Michael Krützen da Universidade de Zurique, que liderou o estudo sobre a forma como este truque é passado de uma geração para a outra. Em vez de ser uma característica herdada, o uso de ferramentas está a ser aprendido pelas jovens fêmeas com a ajuda da mãe.

Os roazes-corvineiros Tursiops truncatus utilizadores de esponjas foram descritos pela primeira vez em 1997 em Shark Bay, 850 Km a norte de Perth, Austrália. Desde então, todos os golfinhos conhecidos por usar esta ferramenta provêm da mesma baia e a vasta maioria é fêmea.

Observações directas têm sido raras mas os investigadores pensam que os golfinhos usam as esponjas marinhas para deslocar o fundo arenoso do mar, na sua busca por presas, protegendo os focinhos contra a abrasão.

A capacidade para a aprendizagem do uso de ferramentas a partir de companheiros pensa-se que seja muito rara. Os chimpanzés Pan troglodytes já foram observados a usar duas pedras para abrir nozes, por exemplo, uma situação que se considera ser uma característica adquirida. Noutros casos, o uso de ferramentas parece ser herdado, como no caso dos corvos da Nova Caledónia Corvus moneduloides, por exemplo, que usam ramos para retirar alimento de fendas nas cascas das árvores sem serem ensinados por outras aves.

Para verificar se o comportamento dos golfinhos era herdado, Krützen e os seus colegas analisaram o DNA de 13 utilizadores de esponjas (dos quais apenas um, Antoine, era macho) e de 172 não utilizadores.

Descobriram que a maioria dos utilizadores de esponjas partilhavam DNA mitocondrial semelhante, exclusivamente passado pela mãe. Este facto indica que os utilizadores de esponjas descenderam todos de uma Eva utilizadora de esponjas. Os utilizadores de esponjas também partilhavam DNA nuclear semelhante, sugerindo que a Eva golfinho viveu à poucas gerações.

 

Mas nem todas as fêmeas com DNA mitocondrial semelhante usam esponjas. Quando os investigadores consideraram 10 diferentes meios de herança genética, considerando que a utilização de esponjas pudesse ser dominante, recessivo, associado ao cromossoma X ou não, não descobriram qualquer tipo de evidência que a característica fosse transferida através do DNA. "É altamente improvável que exista um, ou vários, genes que condicione os animais a usar ferramentas", diz Krützen.

Andrew Whiten, investigador que estuda as tradições culturais em chimpanzés na Universidade de St. Andrews, Reino Unido, considera este trabalho muito exaustivo. "Krützen e os seus colegas fizeram uma análise genética ao detalhe", diz Whiten. Mas ele alerta para o facto de ainda não existirem evidências de que os golfinhos aprendam a utilizar ferramentas por observação.

Krützen refere que os golfinhos jovens passam até quatro ou cinco anos com as suas mães, o que lhes dá tempo suficiente para aprender o truque. "Sabemos que o vêm a toda a hora", diz Janet Mann, co-autora do estudo, da Universidade de Georgetown em Washington DC. De modo geral, sabe-se que os golfinhos se imitam uns aos outros muito bem, acrescenta Krützen.

Mann diz que os machos provavelmente aprendem a usar as esponjas com as mães também mas não utilizam o truque quando são mais velhos, talvez porque estão demasiado preocupados em perseguir fêmeas férteis para perder tempo com estratégias complicadas de pesca. 

Krützen planeia estudar se os utilizadores de esponjas têm alguma vantagem em relação aos não utilizadores. Um estudo preliminar do conteúdo em gordura dos golfinhos sugere que os utilizadores conseguem alimentos que os outros animais não obtêm, diz Krützen. 

 

 

Saber mais:

Informação sobre roazes-corvineiros

Janet Mann research web page

 

 

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