2005-06-04

Subject: Moscas da fruta em contacto com o seu lado gay

 

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Em destaque:

Moscas da fruta em contacto com o seu lado gay 

 

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Machos e fêmeas de moscas da fruta foram geneticamente modificados para trocarem de papeis no acasalamento, tudo através da manipulação de um único gene.

O estudo, que surge publicado na revista Cell, mostra como um simples ajuste genético pode causar uma alteração dramática no comportamento sexual. "Foi algo espantoso de ver", diz Barry Dickson, um dos autores e que trabalha na Academia Austríaca de Ciências de Viena.

Os comportamentos de acasalamento da mosca da fruta do género Drosophila são bem mais intricados que o romance dos filmes de Hollywood. O macho realiza uma série de movimentos, batidas e inclinações, aos quais a fêmea responde se não tiver acasalado recentemente. Pelo contrário, as fêmeas nunca fazem a corte aos machos.

Mas Dickson e o seu colega Ebru Demir reverteram este comportamento modificando as fêmeas com a versão masculina de um gene conhecido por "sem fruta". Estes insectos iniciaram a corte com outras fêmeas tantas vezes como os machos. As fêmeas modificadas só foram convencidas a cortejar os machos se estes tivessem sido modificados de forma a emitir feromonas femininas.

Quando as moscas macho, por sua vez, receberam a versão feminina do gene "sem fruta", deixaram de cortejar e tornaram-se passivos em relação ao sexo.

Os cientistas ainda estão em busca da resposta para a razão porque e como este gene afecta o comportamento sexual tão fortemente. Dizem que não influencia a morfologia das moscas mas parece influenciar o seu sistema nervoso.

Os resultados de Dickson e Demir vêm somar-se ao vasto número de estudos que tem mostrado a influência dos genes no comportamento sexual, tanto dos animais como do Homem. 

 

A homossexualidade já foi documentada em mais de 400 espécies, incluindo muitos mamíferos, e a investigação tem associado este comportamento a quase tudo, desde factores sociais a genes herdados da linha materna.

"É bastante claro que a sobrevivência de uma espécie depende fortemente da sua capacidade para se reproduzir. É algo que é obviamente desejável de ter programado nos genes", diz Dickson.

Mas os investigadores alertam desde já para o facto de o controlo do comportamento sexual nas moscas da fruta ser, sem dúvida, diferente do nosso. 

"No caso humano, sabemos que os nossos comportamentos sexuais não estão irreversivelmente programados nos genes", diz Dickson. "Mas isso não significa que os genes não tenham a sua importância."

"Ainda há muito mistério acerca das causas da homossexualidade", diz Hans Van Gossum da Universidade de Antuérpia na Bélgica, que estuda os padrões de acasalamento das moscas. "É demasiado cedo para tirar conclusões com base num mecanismo tão simples como este."

 

 

Saber mais:

Austrian Academy of Sciences

Drosophila melanogaster

Genes maternos podem influenciar a orientação sexual

 

 

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