2005-06-01

Subject: Ensinando o bacalhau a defender-se a si próprio

 

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Ensinando o bacalhau a defender-se a si próprio 

 

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Bacalhau criado em cativeiro está a receber lições de sobrevivência, numa tentativa de melhorar as suas condições de sobrevivência na natureza. 

Os organizadores do projecto esperam que ao criar os peixes em tanques mais estimulantes eles se adaptem melhor ao mar aberto e possam contribuir para a recuperação dos stocks naturais.

Num estudo levado a cabo em Bergen, Noruega, os investigadores descobriram que o bacalhau atlântico Gadus morhua é mais corajoso e inquisitivo se for criado em tanques contendo pedras e plantas de plástico e for alimentado em diferentes alturas do dia e diferentes localizações.

Criá-los nestas condições, em vez de em tanques sem adornos e com refeições previsíveis, significa que o bacalhau pode ter uma melhor hipótese de sobrevivência quando libertado na natureza, dizem Victoria Braithwaite da Universidade de Edinburgh, e Anne Salvanes da Universidade de Bergen, responsáveis pelo estudo.

A ideia de repor os stocks selvagens com peixes criados em cativeiro é controversa, em parte porque o peixe criado tem tendência para crescer mais que os seus primos selvagens, levando a temores acerca da vantagem competitiva que terão sobre a comida e sobre se levarão ao extermínio total da variedade selvagem, mas também pela falta de variabilidade genética dos peixes criados.

Por outro lado, o peixe criado em cativeiro parece ter dificuldades em adaptar-se à vida na natureza. Em alguns casos, foram avistados peixes a tentar comer pedras que se assemelham aos granulados com que eram alimentados. Isto pode significar que o peixe introduzido pode não vingar e muito menos reproduzir-se, e o efectivo total não será aumentado.

Após considerar todos estes factores, Braithwaite considera que uma campanha de libertação de peixes responsável irá ajudar as espécies, não só o bacalhau mas também o salmão e a truta. "Não defendo que tomemos qualquer bacalhau e o libertemos", diz ela. "Preferimos criar peixes em cativeiro a partir de animais selvagens e depois libertá-los."

 

No seu estudo, Braithwaite e Salvanes capturaram bacalhau selvagem e criaram a sua descendência em tanques durante oito semanas, nates de os dividirem em quatro grupos. Um grupo foi criado nas condições habituais, enquanto os outros receberam regimes de alimentação imprevisíveis, tanques decorados com pedras e plantas ou ambas as situações.

Após várias semanas, os investigadores testaram a capacidade dos peixes de lidar com predadores, presas e novos ambientes. os peixes criados em ambientes mais estimulantes tinham maior probabilidade de se aventurar à descoberta de peixes de plástico. Os que tinham sido criados em em tanques decorados recuperavam de sinais de stress mais rapidamente após serem perseguidos com uma rede, o que seria uma simulação do ataque de um predador. Os peixes com horários imprevisíveis de alimentação tinham maior capacidade de ir procurar presas vivas.

Os resultados mostram os benefícios de viver num ambiente enriquecido. Efeitos semelhantes já tinham sido demonstrados em aves e mamíferos do tipo roedor, diz Braithwaite. "Os peixes têm capacidades cognitivas muito mais sofisticadas do que se acreditava", acrescenta ela.

Os investigadores estão agora a montar um projecto mais vasto na costa leste da Irlanda e esperam que investidores comerciais sejam atraídos pela ideia. Tentativas anteriores de equipar peixes para a vida na natureza foram laboriosas mas este grupo defende uma abordagem mais simples, sem os expor a presas e predadores verdadeiros.

 

 

Saber mais:

North sea cod

Bacalhau e o aquecimento das águas

Pesca do bacalhau proibida?

 

 

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