2005-05-31

Subject: Terão alterações climáticas causado a perda da megafauna australiana?

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

Terão alterações climáticas causado a perda da megafauna australiana? 

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

Não é provável que o Homem seja responsável pelo extermínio rápido do marsupial gigante Diprotodon e de outros animais enormes que antes viviam na Austrália.

Diprotodon optatum @ BBC Bristol DesignDois novos estudos rejeitam a teoria de que a colonização humana do continente, há mais de 45000 anos, dizimou a sua megafauna numa chacina de apenas 1000 anos. Os estudos sugerem, pelo contrário, um padrão de extinção mais complexo.

Os seus autores consideram que o Homem teve certamente um papel na situação mas não terá sido tão importante como as alterações climáticas ocorridas no mesmo período.

Os migrantes humanos têm sido culpados pelo rápido desaparecimento de um grande número de animais de grande porte, tanto no hemisfério norte como no sul. Na América do Norte, por exemplo, a perda dos mamutes e dos tigres dente-de-sabre no fim do Pleistoceno coincide com a chegada do Homem e da sua tecnologia da idade da pedra, há 12000 anos.

Na Austrália, a extinção da megafauna, de que fazia parte o leão marsupial Thylacoleo carnifex, o roedor do tipo wombat Diprotodon optatum e o lagarto com 400 Kg Megalania prisca, também coincidiu aproximadamente com a chegada à cena do Homem. Investigações anteriores tinham indicado uma desaparecimento rápido, num espaço de não mais de 1000 anos.

Mas Clive Trueman, da Universidade de Portsmouth, e os seus colegas australianos consideram que o envolvimento humano é largamente circunstancial, "culpado por associação". Eles relatam novos dados de datação de fósseis encontrados em Cuddie Springs na Nova Gales do Sul. Estes sugerem que o Homem conviveu com a megafauna local durante, pelo menos, 10a 12000 anos.

Nega a ideia de que o Homem matou rapidamente os grandes animais, seja pela caça ou queimando as florestas. Pelo contrário, a equipa defende uma explicação mais complexa para a extinção, onde vastas alterações climáticas desempenharam um papel crucial. Estas alterações levaram a uma descida acentuada de temperatura e a floresta luxuriante tornar-se uma zona árida.

Os investigadores também acreditam que o Homem não tinha a tecnologia de caça para matar tantas criaturas de grande porte. 

"Não há uma única ponta de seta na Austrália, pelo menos até há 15000 anos, muito depois da época em que a megafauna se extinguiu", diz o co-autor Stephen Wroe, da Universidade de Sydney. "Não duvido que os primeiros aborígenes caçassem este tipo de animal mas sim do facto de que o faziam com a eficiência necessária para uma extinção quase imediata."

 

Esta análise está de acordo com o segundo trabalho agora conhecido, publicado por Gilbert Price, da Universidade Tecnológica de Queensland. Ele considera que o clima mais frio e seco que surgiu há 50000 a 20000 anos, alterou o tipo de animais que poderiam sobreviver na região australiana que estudou.

Ele descobriu que o padrão de fósseis no leite de um ribeiro em Darling Downs, no sudeste de Queensland sugere que outras espécies mais pequenas também desapareceram. A alteração de fósseis descobertos a 10 metros de profundidade reflectem as alterações ambientais, em que a floresta deu lugar à pradaria.

Leão marsupialPrice diz que muitos dos fósseis encontrados datam de antes da actividade humana na área, absolvendo o Homem de qualquer envolvimento na sua extinção.

"Usámos a datação com carbono nos próprios depósitos e sabemos que a idade dos depósitos é anterior aos primeiros humanos em Darling Downs em 30 a 35000 anos", diz ele. "Sabemos que não existem artefactos humanos ou culturais nos depósitos e sabemos que as marcas de cortes nos ossos são relacionadas com predação por outra espécie, como os leões marsupiais."

Alguns comentadores australianos questionaram a fiabilidade das datações de Trueman em Cuddie Springs. Também salientaram evidências de que a megafauna sobreviveu a a alterações climáticas anteriores, o que torna menos credível que uma única alteração no final do Pleistoceno tivesse tido um impacto tão radical, por si só. 

 

 

Saber mais:

The Australian Megafauna

Queensland University of Technology

Águias gigantes dominavam os céus da Nova Zelândia

Alterações climáticas "mataram" o cavalo do Alaska 

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2005


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com