2005-05-15

Subject: O projecto "Parque Pleistoceno"

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

O projecto "Parque Pleistoceno"

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

Estão em curso esforços para restaurar parte da Sibéria ao que foi há mais de 10000 anos, antes do fim da última idade do gelo. A experiência do "Parque Pleistoceno" irá tentar transformar a tundra húmida e pantanosa actual nas pradarias secas que foram, em tempos, lar de manadas de mamíferos de grande porte.

Essas manadas incluíam bisontes, cavalos selvagens, renas, bois almiscarados, saigas e yaks, para não falar de rinocerontes peludos e mamutes. Também estavam presentes predadores de topo, como leões das cavernas e lobos.

Espera-se que a reintrodução de algumas destas espécies, das que ainda sobrevivem, dê início ao ciclo f de pastagem e restabeleça a paisagem ao aspecto da época.

"A ideia é realizar algumas experiências científicas que permitiriam explicar porque houve uma alteração tão dramática neste ecossistema há 10000 anos", diz Sergey Zimov, director da Northeast Science Station em Cherskii, Rússia. "Queremos construir o ecossistema que aqui existia, um ecossistema com uma elevada densidade de bisontes, cavalos, rinocerontes e muitos outros herbívoros e predadores."

Cavalos Yakuti ajudariam a estabilizar o solo do Parque Pleistoceno.

Zimov acredita que a vegetação de uma dada zona é determinada pelos animais que habitam essa mesma zona, e não o inverso. Ele espera que a colocação de um grande número de animais de pastagem na tundra moderna levará a que os musgos, que mantêm o solo húmido, sejam devorados. O solo mais seco será, então, adequado ao crescimento de erva, que os animais preferem.

Zimov tenciona testar, inicialmente, a sua teoria numa pequena área e já tem o apoio do governo da República da Yakutia para o seu trabalho em 160 Km2 de baldios em Ko lyma.

Os herbívoros reintroduzidos incluem renas, alces, cavalos Yakuti e bois almiscarados, bem como outros herbívoros de pequena dimensão como lebres, marmotas e esquilos terrestres.

Eventualmente, com o número de animais a aumentar, as fronteiras do parque serão aumentadas e bisontes trazidos do Canadá. Finalmente, os predadores também serão reintroduzidos, como os tigres da Sibéria.

No entanto, o perito em mamíferos pleistocénicos Adrian Lister, da University College de Londres, não tem a certeza de que a experiência resulte. "[Zimov] diz muito adequadamente que reconhece que isto é apenas uma teoria, e eu penso que a ideia de reconstrução a uma escala imensa da paisagem apenas com base numa teoria é algo duvidoso", acrescenta ele.

Um dos objectivos da experiência é tentar provar a razão da extinção dos grandes mamíferos, como os mamutes e os rinocerontes peludos. "Uma das ideias mais referidas é que houve uma alteração climática no final da última idade do gelo. O clima tornou-se mais húmido e quente, levando à criação da tundra actual", explica Lister.

"Mas há outra ideia, a que penso Zimov defende, que considera que a chegada do Homem a estas áreas foi responsável pela morte destes animais, que foram caçados em excesso, e o seu desaparecimento tornou a zona uma tundra pantanosa."

 

Lister, no entanto, considera que existem alguns problemas com esta teoria da caça excessiva, principalmente o facto dos primeiros colonizadores chegarem em número muito reduzido. "Estamos a falar da extinção de provavelmente milhões de animais enormes como os mamutes e rinocerontes lanudos. Mesmo que tivessem a capacidade de matar tantos animais, porque o fariam?"

North American bison, Steve Maslowski/US Fish and Wildlife Service
Será mesmo o Homem o responsável pela extinção de centenas de espécies de mamíferos de grande porte no final da última idade do gelo?

Um outro benefício da restauração da pradaria no Parque Pleistoceno é impedir a libertação de uma enorme quantidade de carbono, actualmente aprisionado na permafrost da tundra, para a atmosfera, com consequências óbvias para o aquecimento global.

"A quantidade de carbono agora aprisionada nos solos do antigo ecossistema dos mamutes, e que pode acabar na atmosfera como gás de efeito de estufa com a subida das temperaturas globais, ultrapassa o conteúdo total em carbono de todas as florestas tropicais do planeta", escreve Zimov num artigo publicado recentemente na revista Science. Ele acredita que o regresso das ervas e dos seus sistemas radiculares vai ajudar a secar e estabilizar o solo.

"O albedo, a capacidade de reflectir a luz solar incidente, desse tipo de ecossistema é elevado, logo o aquecimento devido ao sol também é reduzido. A presença de grande número de herbívoros provoca o pisoteio da neve, expondo o solo a temperaturas mais baixas e impedindo o gelo de derreter, mitigando o efeito das alterações climáticas", diz ele.

E se o habitat do mamute for reconstruído, quais são as possibilidades de um dia voltarmos a ver mamutes nestas vastas planícies? Parece algo improvável mas o avanço da clonagem já está a levar alguns investigadores a considerar a questão.

Lister refere que mesmo que seja possível recriar o mamute, ele seria contra. "Claro que seria maravilhoso vê-los vivos, em vez de trabalhar apenas com ossos", explica ele, "mas sempre fui contra a ideia de clonar estes animais. Criar um ou dois animais solitários no Parque Pleistoceno, só para nosso entretenimento, não me parece algo correcto." 

 

 

Saber mais:

Northeast Science Station of Cherskii, Rússia

University College London

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2005


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com