2005-05-14

Subject: Primeiros humanos a deixar África seguiram a costa

 

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Primeiros humanos a deixar África seguiram a costa

 

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A análise das populações aborígenes sobreviventes do sudeste asiático sugere que tenham derivado de uma única vaga de migrantes que deixaram o Corno de África há mais de 65000 anos. 

O DNA recolhido na tribo Orang Asli sugere que alcançaram a Malásia por uma rota ao longo da costa.

Seguindo a linha de costa, dizem os autores desta nova análise, os primeiros humanos podem ter sido capazes de colonizar o globo com espantosa velocidade, alcançando zonas longínquas como a Austrália em apenas alguns milhares de anos.

A maioria dos peritos concorda que os humanos modernos surgiram em África antes de se espalharem por todo o mundo mas enquanto as evidências arqueológicas sugerem que o Homem se deslocou para norte em direcção ao Egipto e ao Médio oriente, os registos climáticos mostram que esta região era um deserto agreste até há cerca de 50000 anos, o que torna esta rota muito pouco provável.

Viajar para leste ao longo da costa da Somália, e eventualmente Índia, seria uma alternativa, diz Vincent Macaulay da Universidade de Glasgow, Reino Unido. "Não teria sido difícil a sobrevivência na costa", diz ele. "De facto, até seria bastante apelativo."

Macaulay e a sua equipa testaram esta ideia através do estudo de amostras de DNA da tribo Orang Asli da Malásia, que se pensa não se ter cruzado com outros grupos. "Estamos interessados em estabelecer quem terá sido o primeiro povo a sair de África, logo a escolha óbvia para o testar são as populações indígenas", explica ele.

Os investigadores esfregaços de epitélio bocal de 260 membros dos Orang Asli e analisaram o seu DNA mitocondrial, que é passado inalterado de mãe para os filhos. De seguida, compararam os resultados com DNA mitocondrial de outras populações. A diferença entre eles reflecte, portanto, o tempo passado desde que divergiram.

Outro grupo de investigação, liderado Lalji Singh do Centro de Biologia celular e Molecular de Hyderabad, Índia, desenvolveu testes similares com populações indígenas das ilhas Andaman, no oceano Índico.

Comparando estas populações com dados de DNA mitocondrial de outras populações da região, os investigadores concluíram que as duas populações descendem de um único grupo de pessoas, contendo cerca de 600 fêmeas em idade reprodutora, que viveu na Índia há cerca de 65000 anos.

 

Os autores sugerem que se as tribos de Andaman e de Orang Asli tivessem seguido uma rota mais interna não poderiam ter mantido uma proximidade tão grande com a população indiana original.

Se os humanos tendessem para migrar ao longo da costa, isso poderia explicar porque se deslocaram tão depressa, sugere Macaulay. Os vestígios humanos mais antigos descobertos na Austrália têm cerca de 60000 anos, o que significa que os primeiros pioneiros se deviam deslocar ao ritmo de vários quilómetros por ano.

Confinados às zonas costeiras, onde o espaço para se expandirem é limitado, pode ter significado que os recursos eram gastos rapidamente, forçando-os a continuar a migração, diz Macaulay. Para além disso, se o nível do mar tiver subido desde então, muitos vestígios arqueológicos podem estar cobertos, explicando porque a maioria dos artefactos foi encontrada mais para o interior.

O facto destas tribos serem relacionadas com uma única pequena população sugere que os humanos emigraram de África uma só vez, acrescenta Philip Endicott, que estuda as migrações humanas na Universidade de Oxford, Reino Unido. Mas ele alerta para o facto de o DNA mitocondrial não fornecer uma linha de tempo muito rigorosa, pois é mais pequeno que o DNA nuclear e por isso mais susceptível a alterações por mutação.

"Não estou convencido que tenha sido uma pequena e rápida saída, não acredito que essa seja a história completa", diz Chris Stringer, antropólogo do Museu de História Natural de Londres, "mas a rota costeira parece-me bastante plausível."

Macaulay e a sua equipa planeiam agora obter mais amostras de populações indígenas da Índia e da Arábia, analisar outros marcadores genéticos, para além do DNA mitocondrial, de forma a fortalecer a sua teoria. 

 

 

Saber mais:

Science

Natural History Museum

 

 

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