2005-05-11

Subject: Tudo o que não sabemos sobre o mundo que nos rodeia

 

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Tudo o que não sabemos sobre o mundo que nos rodeia

 

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Apesar de não haver canto do planeta que não esteja cartografado, ainda há milhões de espécies que ainda não foram descobertas e documentadas. Mas a construção de um directório exaustivo de todas as formas de vida da Terra continua.

Ainda bem que os macacos não nos compreendem, porque é pouco provável que aceitassem a recentemente descoberta espécie Callicebus aureipalatii. O animal é uma das cerca de 30 variedades de macacos titi que vivem na florsta tropical da América do Sul. Existe o Callicebus brunneus (titi castanho), Callicebus personatus (titi de máscara), Callicebus moloch (titi sombrio) e chega o novo Callicebus aureipalatii, o titi Golden Palace.

Esta espécie tem a dúbia honra de ter sido descoberta numa era de capitalismo estridente e global, daí o seu nome, o resultado de um leilão de caridade ganho pelo império do jogo online GoldenPalace.com.

Mas jogos à parte, é surpreendente que um planeta tão investigado e espezinhado ainda contenha espécies novas de primatas. Recentemente foram relatadas novas espécies de raposa na Indonésia, de um peixe vampiro no Amazonas e mesmo de um pica-pau americano há muito dado como perdido.

Esta semana, os Jardins Kew anunciaram o plano de recolonizar o globo com o pinheiro Woolemi, que se pensava extinto desde há 2 milhões de anos, até ser descoberto por acidente em 1994 na Austrália.

Enquanto a natureza luta diariamente com os efeitos da industrialização, levantando temores acerca das taxas de extinção, ainda existem enormes vazios no nosso conhecimento do mundo que nos rodeia. De facto, as estimativas mais conservadores indicam que devem existir mais espécies por identificar do que as já conhecidas.

Desde há 250 anos que os taxonomistas se têm ocupado na construção do catálogo da vida, estando a contagem actual perto da marca das 1,75 milhões de espécies.

O programa Catalogue of Life, uma associação entre os Estados Unidos e o Reino Unido, está a reunir todo esse conhecimento num único directório, tarefa que deve estar concluída em 2011, quando todas as novas descobertas passarão a ser nele incluídas.

Só no reino animal existem entre 15000 a 20000 novas espécies identificadas todos os anos, embora poucos tenham o carisma do macaco titi que leve a leilões para o direito de a nomear. Frank Bisby, da Species 2000, salienta que muitas surpresas têm surgido nos últimos anos, como duzentas novas espécies de levedura recentemente descobertas nos intestinos de escaravelhos.

 

Os trópicos são conhecidos viveiros para a vida mas só agora os biólogos estão realmente a explorar estes habitats desde o chão até ao alto das árvores. Também os oceanos são ricos em formas de vida não documentadas, o Census of Marine life descobriu 500 novas espécies de peixes só nos primeiros três anos da década.

Comparativamente, o mundo vegetal é mais familiar. Cerca de 75% das plantas já foram descritas, diz Simon Owens dos Royal Botanic Gardens em Kew, apesar de cerca de 2000 novas espécies serem descobertas todos os anos. 

Todas estas descobertas podem ser uma alegria mas o desafio de registar todos estes organismos estende-se bem para além no futuro. Um estudo estima que à taxa actual, serão necessários mais 1500 a 15000 anos para completar o inventário global da vida.

Mas estamos a acelerar, diz Andrew Polaszek da International Commission on Zoological Nomenclature, graças à internet, à rápida troca de imagens de alta qualidade e à sequenciação de DNA.

Mas tudo isto leva a outra questão? Para quê? Afinal todas estas espécies já existem há milhões de anos sem ocupar uma linha num bloco de notas. Num mundo globalizado, diz Polaszek, nada pode ultrapassar barreiras internacionais sem um nome e documentação oficial. Plantas e animais têm, para além disso, numerosos benefícios e se não soubermos que algo existe não poderemos saber se está à beira da extinção.

 

 

Saber mais:

Species 2000

International Commission on Zoological Nomenclature

Census of Marine Life

 

 

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